segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

2014, outro ano difícil para as crianças

Mortes por causas preveníveis, violência, pobreza, fome e exploração trabalhista foram alguns dos flagelos que em 2014 continuaram açoitando às crianças no planeta, apesar da consolidação de importantes avanços na proteção de seus direitos.

Conflitos como os do Iraque, Ucrânia, Síria, Sudão do Sul e República Centro-Africana, auge do extremismo em regiões da Ásia e África, epidemias e as crescentes desigualdades no desenvolvimento e o acesso aos recursos constituíram um complexo cenário para os menores de 18 anos.

A mudança climática, as multimilionárias despesas militares, a falta de investimentos em saúde e educação, e o emprego com fins negativos dos avanços nas tecnologias da Informação e Comunicação, também afetaram os pequenos em diversas latitudes.

Há 25 anos de adotada a Convenção sobre os Direitos da Criança na Assembleia Geral da ONU, muito fica por fazer para materializar o apresentado no preâmbulo e os 54 artigos do instrumento internacional mais ratificado da história, com 194 países.

Devemos celebrar o quarto de século da Convenção, mas acima de tudo devemos assumir o compromisso de impulsionar os direitos da cada criança, sobretudo dos que têm ficado para trás e os que mais precisam, afirmou em 20 de novembro o secretário geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, a propósito da data.

Nesse sentido, reivindicou soluções inovadoras para os problemas que golpeiam os homens e mulheres do futuro, destinar maiores recursos a seu bem-estar e progresso, e principalmente, vontade para colocar no centro das agendas políticas, econômicas e sociais.

Estatísticas

Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) refletem a morte diária de 17 mil crianças no planeta, a maioria em países do Sul e por causas preveníveis, enquanto a cada 10 minutos uma menina ou adolescente morre em algum lugar pela violência.

Causa dor cerca de três milhões de menores de cinco anos que perdem a vida pela desnutrição anualmente, e os 230 milhões (um a cada três no mundo) não registrados ao nascer, o que os converte em seres humanos sem oportunidades, ao não contar em documentos oficiais.

Em relação à pobreza, pelo menos 400 milhões de seres humanos mergulhados nela têm menos de 12 anos.

Por sua vez, estatísticas da Organização Internacional do Trabalho mostram 168 milhões de crianças submetidas à exploração trabalhista, uma cifra bem inferior a existente em 2000 (246 milhões), mas muito preocupante.

Segundo a instituição especializada da ONU, a metade desses pequenos realizam trabalhos perigosos, e Ásia, Pacífico e África Subsaariana seguem como as áreas geográficas mais afetadas pelo fenômeno.

A escravidão sexual, o tráfico de órgãos, a abandono escolar e outros males estão longe de ser um problema do passado.

De acordo com a representante especial do Secretariado Geral para a Violência contra as Crianças, Marta Santos, outra ameaça para os menores está dada por cada vez mais precocemente as crianças acessarem a Internet e as redes sociais.

“São vítimas dos predadores sexuais, o assédio, a intimidação e os conteúdos pornográficos e violentos, que convertem a rede em um meio inseguro para eles”, alertou em meados de outubro durante um debate da Terceira Comissão da Assembleia Geral.

Santos lamentou que para milhões de crianças, a Convenção adotada em 20 de novembro de 1989 seja uma promessa quebrada, em boa medida por dificuldades sociais e cortes nas despesas governamentais.

A agressão israelense à Faixa de Gaza, a entrada da Síria no quarto ano de conflito, a ofensiva dos fundamentalistas do Estado Islâmico no Iraque, os ataques do Boko Haram contra os estudantes na Nigéria, a crise no Sudão do Sul, os bombardeios na Ucrânia contra os federalistas de Donbass e os conflitos interétnicos na República Centro-Africana constituem um panorama devastador no qual os pequenos levam a pior.

Em Gaza, as bombas e as incursões terrestres sionistas deixaram 516 crianças mortas e milhares de feridas, algumas delas com danos permanentes.

Muitos ficaram órfãos, perderam seus lares ou viram atingidas suas escolas após os 50 dias de agressão, em julho e agosto.

Em outros conflitos, os assassinatos e os deslocamentos forçados também golpearam dezenas de milhares de crianças, que também sofreram o recrutamento forçado como meninos soldados.

“Os menores representam as primeiras vítimas das crises, durante as quais são presos, maltratados e obrigados a combater, sem esquecer que perdem suas escolas”, condenou a enviada especial do Secretariado Geral para as Crianças e os Conflitos Armados, Leila Zerrougui.

Particular repúdio geraram em 2014 os reiterados ataques da milícia fundamentalista islâmica Boko Haram contra centros docentes no norte nigeriano, onde massacrou estudantes e sequestrou no estado de Borno 200 alunas, cujo paradeiro se desconhece desde abril.

Bloqueio contra Cuba

Na própria Terceira Comissão, órgão encarregado dos assuntos sociais e humanitários, Cuba denunciou o impacto na infância do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos à ilha.

As crianças estão entre as vítimas inocentes do cerco imposto por mais de meio século, uma medida unilateral com danos humanos impossíveis de calcular, precisou o diplomata Jairo Rodríguez.

De acordo com o funcionário da chancelaria, a saúde é um dos setores golpeados com severidade pelo bloqueio.

“Vários medicamentos antivirais para menores de idade não estão disponíveis, porque as companhias norte-americanas que os produzem não respondem às solicitações de nossas empresas ou alegam que não podem comercializar com elas”, sublinhou.

Rodríguez afirmou que a pior forma de violência contra as crianças é lhes negar o direito à vida. Além disso, recordou que apesar do bloqueio, o país caribenho mostra notáveis resultados na atenção à infância.

"Hoje em Cuba, a fome, o analfabetismo, a insalubridade e a discriminação dos meninos e das meninas, são apenas uma má recordação nas páginas de nossa história", afirmou.

Nesse sentido, destacou que antes de 1959 a taxa de mortalidade infantil era de 60 por cada mil nascidos vivos, reduzida na atualidade a 4,2, à altura de nações desenvolvidas, enquanto a totalidade dos pequenos são vacinados ao nascer contra 13 doenças transmissíveis.

Altos funcionários das Nações Unidas chamaram no ano que encerra a priorizar os direitos das crianças na agenda pós-2015 de desenvolvimento sustentável, que dará continuidade aos Objetivos do Milênio.

As metas fixadas em Nova York, durante a Cimeira do Milênio realizada em 2000, têm melhorado o panorama em vários aspectos.

Destacam-se a redução na mortalidade infantil, o aumento da incorporação às escolas e as 13 milhões de vidas salvas entre 2002 e 2012 pelas vacinas.

A partir de tais avanços, a ONU espera que a agenda pós-2015 ajude a consolidar os objetivos e sirva de plataforma para erradicar a pobreza e atenuar outros fenômenos que afetam os pequenos no planeta.


Fonte: Prensa Latina / Vermelho

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