segunda-feira, 30 de junho de 2014

Comitê Local Integrado Pró-Copa de Manaus/AM apresenta resultados parciais das ações no Mundial

O Comitê Local Integrado Pró-Copa 2014 realizou 108 atendimentos em 11 dias de jogos da Copa do Mundo em Manaus. O comitê reúne órgãos municipais, estaduais, do poder judiciário, conselhos tutelares, representantes da sociedade civil organizada e foi criado em função da Agenda de Convergência da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR).

Em Manaus, o conselho é coordenado pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) e tem atuado no combate ao trabalho infantil, à exploração sexual de crianças e adolescentes e contra todas as violações de direitos, independente de gênero, etnia, orientação sexual, idade ou local de origem. Dentro das ações do comitê está também a conscientização da população sobre a importância de ajudar na defesa dos direitos humanos durante os grandes eventos que ocorrem em Manaus.

Em coletiva à imprensa, durante a tarde desta terça-feira, 24, a secretaria da Semasdh, Goreth Garcia Ribeiro, apresentou um balanço parcial das atividades realizadas pelo Comitê durante o Mundial. Das 108 ocorrências, a maioria dos casos está relacionada a crianças perdidas (41), trabalho infantil (31) e consumo de álcool ou drogas (11).

“A cidade, felizmente, tem dado uma resposta muito positiva. O que tem para corrigir está sendo visualizado agora. Por exemplo, as questões que envolvem bebidas alcoólicas não chegaram junto com a Copa. Elas já existiam, mas agora passamos a olhar de uma forma diferente, como uma questão de saúde pública”, afirmou Goreth Garcia Ribeiro.

Outra ação destacada pelo Comitê Pró-Copa está relacionada à ação de catadores de materiais recicláveis nas áreas da FIFA Fan Fest e no entorno da Arena da Amazônia. A iniciativa tem impedido que crianças sejam usadas no recolhimento de latas de alumínio. “Reduziu e bastante. Hoje quem vem para a Ponta Negra não visualiza mais as crianças catando lixo. A Associação de Catadores e a Semulsp (Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos) estão fazendo todo o trabalho de recolhimento dos materiais que podem ser reciclados e dando-lhes a destinação correta”, declarou o subsecretário da Semulsp, José Rebouças.

A secretária da Semasdh lembrou que os pais têm papel fundamental para evitar que crianças e adolescentes sejam vítimas de algum tipo de violação de direitos. Durante os jogos da Copa do Mundo, o comitê estará atuando em todas as áreas onde possa existir trabalho infantil, abuso e exploração sexual infanto-juvenil.

“Os pais precisam ter a consciência, as vezes até uma mudança de mentalidade desses pais. Trazer os filhos pra Ponta Negra e beber de forma descontrolada é uma atitude errada. É melhor deixar a bebida pra um dia que a acriança esteja protegida em casa. Nós temos relatos de pais que vieram pra Fan Fest trazendo uma criança com apenas 29 dias de nascida. Em casos assim, nós chamamos o pai à responsabilidade”, afirmou a secretaria da Semasdh.

Desde o início dos jogos da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014™, equipes do comitê estão em todos os locais onde existe aglomeração de torcedores e possíveis violações de direitos, como o Complexo Turístico Ponta Negra, onde ocorre a FIFA Fan Fest™; a Avenida Itaúba, na zona Leste da Cidade, onde é realizada a transmissão pública de jogos do Brasil, além de bares, praças e ruas decoradas.

Qualquer situação de violação de direitos ou suspeita de abuso e exploração de crianças e adolescentes deve ser denunciada pelo telefone disque 100 (ligação gratuita 24h) ou pelo Disque direitos humanos da prefeitura de Manaus 0800 092 6644. Outra opção para denunciar é o aplicativo Proteja Brasil, criado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), para celulares nos sistemas Android ou IOS, para facilitar denúncias e informar sobre violência contra crianças e adolescentes.


Fonte: Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR

Copa do Mundo: Baianos e turistas se juntam contra a exploração sexual e trabalho infantil

É cada vez maior o número de pessoas que aderem à Campanha contra a Exploração Sexual e o Trabalho Infantil durante a Copa do Mundo. Em Salvador/BA, estão engajados na ação coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes) professores, enfermeiras, farmacêuticos, ambulantes, moradores e turistas.

“É mais que válida e altamente necessária para conscientizar a população, os pais, as famílias a ficarem atentos na ação preventiva e na denúncia imediata dos casos de violência”, declarava o casal Larissa e Henrique Costa, farmacêuticos paulistas que estavam no assistindo à partida entre Brasil e Chile, no último sábado (28), no Pelourinho, onde os mobilizadores do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca) distribuíam material informativo sobre a campanha.

Vendendo bonés, viseiras, óculos e outros artigos com as cores do Brasil, o ambulante baiano, Paulo Silva, fez questão de posar com o telefone-anúncio da campanha, que indica o número (Disque 100) para denunciar os casos de violação de direitos das crianças e adolescentes. “A gente tem que denunciar, sim! Não podemos aceitar atitudes criminosas contra nossas crianças e ver como algo normal!”, frisou.

Abordado pela equipe, o professor de Língua Portuguesa, Cremilson Santos, levando ao colo sua filha, comentava sobre a urgência de políticas públicas “que garantam a integridade e os direitos de pessoas indefesas e em situação de vulnerabilidade e uma campanha como essa, envolvendo, alertando e chamando a sociedade a atuar nos casos de violações de direitos, é de extrema importância”, salientou.

Plantão Integrado

Até o dia 28 deste mês, desde o início da Copa do Mundo, o Plantão Integrado, por meio do Observatório de Violações de Direitos de Crianças e Adolescentes - em parceria com vários órgãos e entidades que fazem parte da rede de proteção dos direitos da criança e do adolescente na Bahia - , registrou 489 atendimentos. Entre as maiores ocorrências estão o trabalho infantil, totalizando 173 atendimentos (35%) e a violência física 76 (16%).


Fonte: Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR

Referência na proteção de crianças e adolescentes, aplicativo Proteja Brasil será exportado

O Aplicativo Proteja Brasil recebeu destaques de importantes sites de tecnologia da informação e se torna referência mundial no auxílio e combate à violência contra crianças e adolescentes. O site Techtudo, do grupo Globo, avaliou com nota 10 os quesitos de interface, de usabilidade, de desempenho e de funcionalidade dele. O caráter inovador do aplicativo também levou à abertura de negociações para exportar a tecnologia a países como a Costa Rica, o Irã, a Jamaica e a República Dominicana.

Do lançamento em 18 de maio, Dia Nacional de Combate a Exploração Sexual de Crianças, até o dia 20 de junho, o Proteja Brasil registrou mais de 30 mil downloads. Além disso, foi utilizado para realizar mais de 3,8 mil ligações aos serviços da Rede de Proteção à Infância. Dessas, 2.959 denúncias foram realizadas ao Disque Direitos Humanos – Disque 100. As demais 857 ligações foram feitas para outras instituições, como delegacias especializadas e conselhos tutelares.

O Aplicativo é uma iniciativa da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), com a organização CEDECA/BA e foi desenvolvido de forma voluntária por uma empresa de jovens empreendedores digitais, a IlhaSoft.

A ferramenta desenvolvida para smartphones Android e iOS para denunciar qualquer violência e abuso contra meninos e meninas, tem gratuitamente um sistema de georreferenciamento que indica as estruturas de proteção mais próximas, como os Juizados da Infância e Juventude, o Ministério Público, os conselhos tutelares e as Delegacias de Proteção da Criança e do Adolescente.

O desenvolvimento do aplicativo integra as ações da chamada Agenda de Convergência Proteja Brasil – iniciativa intersetorial e interinstitucional constituída entre o poder público, sistema de justiça, segurança pública, terceiro setor e sociedade civil para proteção integral dos direitos da criança e do adolescente nos grandes eventos.


Fonte: Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR

As mãos migrantes invisíveis por trás da Copa Mundial de Futebol no Brasil

O mundo está agora desfrutando da atual Copa Mundial de Futebol, celebrada no Brasil de 12 junho a 13 de julho de 2014. No entanto, por trás da máxima festa do bola no pé ficam invisíveis as mãos migrantes que construíram, modernizaram e finalizaram estádios, hotéis e todo tipo de infraestruturas e serviços turísticos, que o Brasil tem requerido como anfitrião desse grande evento mundial. Mãos provenientes de países sul-americanos vizinhos, do Caribe e inclusive de outros continentes, como a África. Mãos de obra estrangeiras que seguem enfrentando momentos difícieis no Brasil.

Mas se nem sequer o momento tem sido favorável para que os diferentes movimentos sociais do Brasil façam escutar suas reivindicações através das ondas de protestos nas grandes cidades brasileiras; muito menos será para visibilizar a difícil situação dos trabalhadores estrangeiros no país. Tudo parece indicar que hoje em dia o mundo tem ouvidos e olhos somente para a atual Copa Mundial de Futebol.

Na continuação apresentamos uma crônica das mãos migrantes haitianas e o resumo de uma entrevista com Ernst Casséus, um jovem haitiano testemunha da recente migração de seus compatriotas para o Brasil.

A recente migração haitiana para o Brasil

Os migrantes haitianos começaram a chegar ao Brasil no início de 2010, imediatamente depois do terremoto que afetou seu, país em janeiro do mesmo ano. Em um primeiro momento, utilizaram o Brasil como país de trânsito para ir à Guiana Francesa, território de ultramar da França, onde, tradicionalmente (em parte, por afinidade lingüística), vêm emigrando os haitianos desde os anos 1970.

No fim de 2010, o governo do presidente francês de então, Nicolas Sarkozy, decidiu fechar a fronteira da Guiana Francesa com o Brasil; pelo que mais de 2 mil migrantes haitianos ficaram presos no território brasileiro. Desde então, a administração da presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, começou a controlar suas fronteiras e a endurecer também suas políticas migratórias para os migrantes haitianos.

Apesar desse endurecimento, a migração haitiana para o Brasil tem crescido; Tabatinga, localizada na Amazônia (na tríplice fronteira do Brasil com a Colômbia e o Peru) e o Acre (situado na tríplice fronteira do país com o Peru e a Bolívia) se converteram nas principais localidades receptoras dos haitianos.

2011, 2012 e 2013 foram três anos muito difíceis para os migrantes haitianos no Brasil, já que várias vezes se viram presos em Tabatinga e Acre, enfrentando sérias crises humanitárias ante a negativa do governo federal do Brasil de deixá-los ingressar no interior do território brasileiro. Em várias ocasiões as autoridades do Acre tiveram que declarar estado de emergência e solicitar o apoio de Brasília para atender em regime de urgência aos migrantes caribenhos.

Ante essa situação, o governo de Dilma Rousseff adotou uma estratégia ambivalente, que consiste em flexibilizar um pouco suas políticas migratórias para acolher parte da mão de obra migrante, a mesmo tempo em que reforçou o controle de suas fronteiras com os países vizinhos para combater o fluxo estrangeiro numeroso (cerca de 10 mil haitianos chegaram ao Brasil de 2010 até agora) e complexo (integrado por migrantes econômicos, solicitantes de refúgio, trabalhadores temporais, fluxos mistos) rumo a seu território.

No marco dessas políticas de "flexibilização”, o governo brasileiro anunciou, em meados de dezembro de 2013, a regularização migratória de 4.482 trabalhadores estrangeiros, reconhecendo que "a maioria deles busca emprego e consegue se integrar de forma satisfatória em nosso país”, segundo o presidente do Conselho Nacional de Imigração, Paulo Sérgio Almeida.

O governo brasileiro criou, desde 2012, um programa especial para conceder, a partir de seu Consulado, localizado na capital haitiana, Porto Príncipe, 1.200 vistos especiais por ano a trabalhadores haitianos, enquanto decidiu regularizar todos os haitianos que chegaram ao país até 11 de janeiro de 2012.

Contudo, um grande número de haitianos que querem emigrar para o Brasil alegam que é muito difícil para eles conseguirem o visto em seu país devido à grande quantidade de solicitantes que o pedem, além de toda uma série de dificuldades que enfrentam na hora da tramitação. Devido a essas razões, vários seguem utilizando os "serviços” de coiotes (traficantes de imigrantes) para empreender a longa viagem do Haiti até o Brasil, passando pelo Equador e Peru.

Por ocasião da Copa do Mundo, o governo brasileiro se reuniu, em dezembro de 2013, com o seu homólogo haitiano para realizar ações conjuntas a fim combater a imigração irregular, enquanto anunciou a realização de uma campanha de informação para sensibilizar os cidadãos haitianos sobre os perigos da migração irregular, disse Luiz Alberto Figueiredo chanceler no início de maio de 2014.

Tudo parece indicar que o Peru também está desempenhando um papel importante nessa área, de conter a migração ilegal até o Brasil, já que vem vigiando um pouco mais suas fronteiras (com Equador e Brasil) para apreender migrantes sem documentos.

Por exemplo, recentemente, a polícia peruana apreendeu 13 cidadãos haitianos sem documentos em Piurá e os encaminhou para a Embaixada do Brasil em Lima, para que esta os deportassem de volta ao seu país de origem, segundo o que informou a imprensa local.

Por sua vez, o Equador também está devolvendo ao Haiti imigrantes haitianos que chegam ao aeroporto de Quito. Por exemplo, 17 imigrantes haitianos foram devolvidos pelas autoridades equatorianas, entre 09 e 10 de Janeiro de 2014, para Bogotá e, em seguida, para o Haiti.

Paradoxalmente, o governo brasileiro e o setor privado do país reconheceram, em várias ocasiões, a grande contribuição dos migrantes haitianos no setor da construção, que vem crescendo nos últimos três anos (4,8% em 2011), devido, em grande parte, às obras de infraestrutura realizadas devido ao Mundial da FIFA. Por exemplo, o estádio de futebol de Manaus, no Estado do Amazonas, foi, em grande parte, construído pelas mãos hábeis, dóceis e incansáveis de operários haitianos.

Devido aos atrasos na construção dos estádios, os haitianos foram contratados, por exemplo, pela construtora Mendes Júnior para finalizar o estádio Arena Pantanal, em Cuiabá, Estado do Mato Grosso.

Ernst Casséus: "A situação dos haitianos no Brasil é muito difícil”

Tivemos a oportunidade de entrevistar Ernst Casséus, um haitiano que foi testemunha da recente migração haitiana para o Brasil e das dificuldades que muitos de seus companheiros enfrentam no país durante os últimos anos.

Este jovem haitiano, que vive há aproximadamente três anos en Brasil, explica que se esse país sul-americano oferece muitas oportunidades de emprego a seus compatriotas, sobretudo no setor da construção; no entanto, se queixa de que os salários que lhes pagam são baixos. Isso tem gerado muita desilusão e frustração, sobretudo para os jovens haitianos que vieram ao país com a ilusão de estudar uma profissão.

Ele narra como os haitianos têm feito grandes sacrifícios para chegar ao Brasil (passando pela República Dominicana, Equador, Peru e, em algumas ocasiões a Bolívia); vários deles pagam muito dinheiro (entre 3.000 e 5.000 dólares americanos) a traficantes ilegais de migrantes durante toda a travessia para alcançar o sonho brasileiro.

Os que utilizam a via legal compram muito caro os vistos brasileiros em Porto Príncipe (por culpa de redes de delinquência organizada que os enganam) ou são vítimas de algumas agências de viagem (algumas delas ilegais), que lhes vendem os tíquetes a um preço exorbitante.

Os migrantes haitianos chegam praticamente "com as mãos vazias” ao Brasil; a maioria deles se dirige até as grandes cidades do país, tais como Sao Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, onde há oportunidades de trabalho, mas onde existe também mais competição no mercado. Ademais, o custo de vida é muito caro em tais cidades; pelo que seus magros salários não lhes permitem cobrir todos os seus gastos e enviar dinheiro às suas famílias no Haiti.

Ernst Casséus, muito próximo da comunidade haitiana no Brasil, denuncia os abusos trabalhistas e as violações de direitos humanos dos quais são vítimas seus compatriotas, devido a que não falam português nem sabem como defender seus direitos. Por exemplo, recorda como uma jovem operária haitiana foi despedida sem justificativa de seu trabalho porque seu empregador se deu conta de que ela estava grávida.

Desconhecimento do português, discriminação racial, baixos salários, falta de assistência por parte das autoridades diplomáticas haitianas, dificuldades para regularizar sua situação migratória e integrar-se no Brasil figuram entre os principais problemas que os haitianos enfrentam no país sul-americano.

Ernst Casséus recomenda ao governo brasileiro que outorgue mais vistos aos haitianos a partir de seu Consulado em Porto Príncipe e facilite, de maneira mais ágil e transparente, os trâmites para consegui-las, de tal modo que mais compatriotas seus tenham a oportunidade de ingressar no país sul-americano.

Ele argumenta que essa decisão poderá contribuir eficazmente para prevenir a migração irregular, o tráfico ilegal de migrantes e as sucessivas crises humanitárias que os migrantes haitianos têm que viver nas fronteiras da Amazônia e do Acre.

Finalmente, critica a "indiferença” da representação diplomática haitiana no Brasil, que, segundo ele, tem feito muito pouco para ajudar a comunidade haitiana e, sobretudo, para assistir aos migrantes haitianos que tenham sido vítimas de abusos no país e em necessidade de proteção.


Fonte: Adital

Globo é denunciada no Ministério Público por crime de exploração sexual

Uma campanha promovida pelo apresentador Luciano Huck, da Globo, que incentiva mulheres brasileiras a conquistarem "gringos" que estão no País para a Copa do Mundo, causou grande polêmica nas redes sociais. Agora, o caso chegou à esfera judicial. Os blogs O Cafezinho, de Miguel do Rosário, e Megacidadania denunciaram a emissora por crime de exploração sexual.

"Ta no Rio? Solteira? Quer 1 principe encantado entre os 'gringos' q estão na cidade. Mande fotos e o pq; namoradaparagringo@globomail.com", tuitou Luciano Huck na última terça-feira 24. "Está claro que a Globo cometeu um crime grave", escreve Miguel do Rosário, em seu blog. "A campanha teria que ser feita para homem, mulher e homossexuais. Se se trata de 'amor', por que só mulheres com 'gringos'? Por que não homens com 'gringas'? É muito estranho!", acrescentou.

A campanha também foi motivo de críticas pela deputada Maria do Rosário (PT-RS), ex-ministra dos Direitos Humanos. "Espera-se da Globo o q Adidas teve q fazer: retratar-se pela absurda ideia d q toda mulher e menina do Br está disponível pra qquer gringo", escreveu no Twitter. "Tem q avisar comunicador da Globo q brasileiras sonham e realizam mais em suas vidas do q ele pensa:estudam, trabalham e até dirigem o país", criticou ainda.

Ao portal UOL, a Rede Globo, por intermédio de sua assessoria de imprensa, informou que é contra qualquer tipo de violência. "O apresentador Luciano Huck, assim como toda a equipe de seu programa, é contra qualquer tipo de violência e sempre apoiou campanhas contra a exploração sexual de mulheres. A mensagem postada nas redes sociais de Luciano Huck se refere a um quadro já produzido outras vezes pelo 'Caldeirão' e, por outros programas com o intuito de promover o encontro entre pessoas, sejam elas brasileiras ou não. A nova edição do quadro é um projeto em estudo, que sequer está em produção, assim como outras iniciativas internas do programa", disse a emissora em um comunicado.

Leia abaixo o post do Cafezinho sobre o assunto:

Globo é denunciada no Ministério Público por crime de exploração sexual

Os blogs O cafezinho e Megacidadania registraram denúncia no Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, contra a Globo, por crime de exploração sexual.

Clique aqui para você também fazer uma denúncia.

O crime é particularmente grave porque a Globo quis tirar proveito financeiro, de forma espúria, de um evento internacional, em que o Estado brasileiro mobilizou uma imensa estrutura pública para atrair estrangeiros de todo planeta.

Está claro que a Globo cometeu um crime grave.

O governo faz campanhas caríssimas para combater o tráfico internacional de mulheres, uma das maiores barbaridades do nosso século, e a Globo inicia uma campanha obscura, sinistra, para que jovens do Rio mandem um email com fotos de seus corpos para conhecer "gringos"?

Uma coisa assim teria que ser muito transparente. E jamais poderia ser feita por uma empresa que aufere a maior parte de seus lucros de uma concessão pública.

E que tem o direito exclusivo de transmissão dos jogos da Copa do Mundo!

A campanha teria que ser feita para homem, mulher e homossexuais. Se se trata de "amor", por que só mulheres com "gringos"? Por que não homens com "gringas"?

É muito estranho!

Texto da nossa denúncia:

Descrição:
Devassidão de Huck [TvGlobo] vulgariza o Brasil. Diante de campanha divulgada por Luciano Huck da Rede Globo em redes sociais (facebook e twitter), e no site da própria empresa e que tinha nítido caráter de incentivar, estimular, tirar proveito, induzir, atrair, facilitar, a lascívia da mulher, é momento de mostrar ao mundo que o Brasil recrimina o turismo sexual. Demais argumentos bem como comprovação da divulgação (cópia da mensagem nas redes sociais e site) é só acessar aqui.

Solicitação:
QUE A LEI SEJA APLICADA O Ministério Público tem a obrigação constitucional de abrir imediatamente procedimento contra a Rede Globo. TIPIFICAÇÃO: Do Lenocínio e do Tráfico de Pessoa para Fim de Prostituição ou Outra Forma de Exploração Sexual

Abaixo, a foto do cadastro de nossa denúncia no Ministério Público.


Fonte: 247 Brasil

Documentário mostra vida de meninas exploradas sexualmente

“Se a esmola é demais, o santo desconfia” é a frase de alerta em campanha da organização não governamental (ONG) contra o tráfico de pessoas 27 Brasil. Para mostrar a realidade das vítimas nas cidades-sedes da Copa do Mundo, a ONG produziu o documentário R$ 1 – O Outro Lado da Moeda, com depoimentos de mulheres e meninas enganadas por falsas promessas. De acordo com a organização, a maioria dos 27 milhões de escravizados no mundo, é crianças ou jovens.

“O tráfico de pessoas tem várias faces, mas na questão sexual, o início da cadeia é a exploração sexual de crianças e adolescentes”, disse a diretora-executiva da 27 Brasil, Tatiane Rapini. “Há casos em que o pai vende a própria filha ou a menina é enganada com falsas promessas, como a de que vai ser modelo”, completou. Pessoas também podem ser traficadas para o trabalho forçado e para a retirada de órgãos, atividades que movimentam US$ 32 bilhões por ano.

A falta de informação sobre a exploração de crianças e adolescentes, que é crime hediondo, aumenta a vulnerabilidade de vítimas. Somadas a falta de acesso a políticas públicas, faz com que “acreditem que podem melhorar de vida”. No Brasil, a maioria das vezes, as meninas acabam traficadas para outras regiões do país, não necessariamente para o exterior. O fluxo é maior do Norte e Nordeste para o Sudeste, mas há também do Sul para o Norte.

“Manaus tem um histórico de muitas questões [de exploração], inclusive, nas populações ribeirinhas. Nossas organizações parceiras lá, reportam casos de meninas indígenas que sofrem, são levadas e vendidas, é complicado”, acrescenta Tatiane. Em entrevista à Agência Brasil, a liderança Maria Alice da Silva Paulino, da etnia Karapãnam confirmou o problema nas aldeias.

Com a exibição do R$ 1 – O Outro Lado da Moeda em áreas públicas, a 27 Brasil quer alertas as possíveis vítimas e estimular a sociedade a denunciar às polícias, ao Conselho Tutelar ou ao Disque 100. A entidade indica que são os próprios brasileiros o público-alvo da exploração. “É duro dizer isso, mas quem procura essas meninas menores de idade são homens casados, atrás de uma aventura. Ou seja, pessoas normais”, esclareceu Tatiane.

O documentário faz referência a meninas que acabaram exploradas sexualmente por apenas R$ 1, por um pacote de biscoito ou por ofertas como a de uma casa. Já foi exibido em Brasília, no Lixão da Estrutural, em Belo Horizonte, na Fifa Fan Fest e segue em direção à Fortaleza. Chega na cidade-sede da final do campeonato, o Rio, em 11 de julho.


Fonte: Revista Exame

Turistas da Copa são alertados sobre tráfico de pessoas

Neste domingo (29), a partir das 13h, agentes multiplicadores do projeto Mercadores de Ilusões receberão turistas no Terminal Integrado de Passageiros (TIP) para alertar sobre os riscos e perigos do tráfico de pessoas no Brasil. Todos os anos milhares de homens e mulheres caem nas mãos de traficantes em seus próprios países ou no exterior, e todo mundo é afetado. A ideia é sensibilizar a população em geral para este crime. A iniciativa é da ONG Grupo de Trabalhos em Prevenção Posithivo (GTP+), em parceria com o Ministério da Justiça do Governo Federal.

Segundo relatório do Sistema Nacional de Estatísticas de Segurança Pública e Justiça Criminal (SINESPJC) da Polícia Militar, houve 1.735 vítimas de tráfico interno de pessoas para fins de exploração sexual, entre 2006 e 2011. O estudo aponta ainda que a maior incidência do tráfico internacional de brasileiros ou brasileiras é para fins de exploração sexual. De 475 vítimas identificadas pelo Ministério das Relações Exteriores, 337 sofreram exploração sexual e 135 foram submetidas a trabalho escravo.

Após a Copa, as atividades continuam, dessa vez com os profissionais do sexo, que terão informações de como se prevenir contra o tráfico de pessoas. A abordagem acontecerá nos locais de trabalho destes profissionais, como as saunas, cinemas pornôs e locais de aglomeração da população LGBT.

O projeto Mercadores de Ilusões prevê a formação de 15 profissionais do sexo (homens, travestis e mulheres transexuais) como agentes multiplicadores de informações em direitos humanos com ênfase na questão do tráfico de pessoas.


Fonte: Boa Informação.com.br

Violência faz aumentar migração infantil rumo aos Estados Unidos

Enquanto grande parte do Planeta volta seus olhos para a Copa do Mundo de Futebol 2014, no Brasil, crianças e adolescentes hondurenhos tentam fugir de seu país em direção aos Estados Unidos, para escapar das condições precárias de vida. Muitos são os motivos para tal migração, porém, segundo a Organização Fraternal Negra Hondurenha (Ofraneh), a violência contra essas pessoas é a principal razão para a fuga rumo a outros países, e em especial aos EUA. "A guerra, a perseguição por criminosos, a insegurança e os conflitos em geral, são as principais causas da existência de refugiados no mundo e, em Honduras, essas situações estão conseguindo expulsar, de forma alarmante, a população mais jovem”, informa a OFNH em um comunicado.

De acordo com as autoridades estadunidenses, foram detidas, nos últimos oito meses, mais de 47 mil meninos e meninas na fronteira sudoeste do país. Alison Sutton, chefe de Proteção à Infância do escritório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no México, manifestou publicamente que, após entrevistas realizadas pelas Nações Unidas com essas crianças, foi constatado que a maior parte delas estava fugindo das situações de grave violência em seus países de origem. "Em geral, são pessoas entre 12 e 17 anos, mas é possível ver até crianças que não podem sequer caminhar ainda e já estão tentando chegar aos Estados Unidos”, afirmou Sutton.

Em seu comunicado, a Ofraneh afirma que o governo hondurenho é incapaz de atender à infância de seu país e assegurar sua proteção. "Os governos não estão sendo protetores, mas sim expulsando, e seguem sendo os únicos responsáveis pelas cifras alarmantes de crianças que diariamente estão saindo do país em busca de melhores condições de vida”.

De fato, os números são preocupantes. Até o momento, este ano, cerca de 13 mil crianças hondurenhas foram capturadas pelas autoridades dos EUA tentando atravessar a fronteira entre o país e o México. O número é muito superior aos 968 detidos em 2009 e já é mais que o dobro do registrado em 2013.

De acordo com a Casa Alianza, organização não governamental que cuida de pessoas refugiadas, somente no último mês de maio, em Honduras, foram assassinadas 287 pessoas, das quais, 104 eram jovens abaixo de 23 anos. Além disso, segundo a Ofraneh, de 2010 a 2013, mais de 27 mil pessoas foram mortas em Honduras, das quais, cerca de 450 eram menores de 14 anos.]

"O governo põe a culpa dos números somente no narcotráfico, porém, se esquecem de que essa catástrofe também é causada pelo conluio entre políticos, empresários, forças de segurança do Estado e organizações criminais ligadas ao tráfico de entorpecentes. O governo viu a situação piorar durante os anos e não fez nada para mudar o quadro, muito menos para evitá-lo.”, afirma a Ofraneh em seu informe.

Segundo a Casa Alianza, as estatísticas sobre a criminalidade apontam Honduras como sendo mais violenta que muitos países em conflitos bélicos. O chefe do Comando Sul dos EUA, general John Kelly, em uma coletiva de imprensa, categorizou que "Honduras está mais perigosa que o Afeganistão”.

De fato, tanto as autoridades dos EUA e as hondurenhas culpam o narcotráfico por serem a raiz do problema, mas esquecem das longas décadas em que a rota de migração centro-americana ultrapassou a do Caribe, sem que nenhuma atitude tenha sido tomada por nenhum dos dois governos.

Denúncia

As várias publicações referentes aos assassinatos e a migração de jovens causaram um enorme mal estar no Governo de Honduras. Tais publicações serviram para colocar grande parte da sociedade contra o governo, expondo suas insatisfações com a situação.

De acordo com o informe da Ofraneh, os diversos comunicados sobre os assuntos por parte da Casa Alianza causou a ira da administração governamental, até ao ponto em que o diretor da ONG, José Guadalupe Ruelas, foi covardemente espancado por elementos da polícia militar, responsáveis por proteger o palácio presidencial. A ação foi justificada alegando que Ruelas tentou subornar os policiais após ser pego embriagado conduzindo um automóvel.


Fonte: Adital

Lei da Palmada entra em vigor com desafio de mudança cultural na educação

Especialista diz acreditar no potencial da lei para mudar cultura da violência contra as crianças: "É bom que as pessoas sejam informadas sobre coisas que achavam normais, mas que não são".
O banimento do castigo físico da educação dos filhos ganhou base legal na sexta-feira passada (27/06) com a sanção, pela presidente Dilma Rousseff, da chamada Lei Menino Bernardo em referência ao assassinato de Bernardo, de 11 anos, supostamente por seus pais no Rio Grande do Sul.

Com a nova lei, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) passa a definir com mais precisão os castigos proibidos. Castigo físico é a "ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da força física sobre a criança ou o adolescente" que tenha como resultado sofrimento físico, lesão, tratamento cruel ou degradante. Também está prevista "conduta ou forma cruel de tratamento em relação à criança ou ao adolescente" que tenha efeito humilhante, de grave ameaça ou que ridicularize o jovem.

"A educação pelo emprego de violência é incompatível com a construção de uma cultura de paz, e os processos de evolução da sociedade, existindo métodos pedagógicos pacíficos, isentos de qualquer ofensa à integridade", escreve a senadora Ana Rita, relatora da proposta.

A oficial de proteção do Unicef Fabiana Gorenstein diz acreditar no potencial da lei para mudar a "sociedade de violência hoje predominante". "Essa lei traz uma mudança cultural que diz que, assim como um adulto não pode agredir a integridade de outro, um adulto também não pode agredir a integridade de uma criança", argumenta. "Acho que, em sã consciência, ninguém pode ser contra isso."

Para Gorenstein, a lei transforma comportamentos antes considerados aceitáveis em concretas violações dos direitos da criança e a coloca num patamar de proteção que os adultos já têm e que as mulheres, em particular, passaram a ter com a Lei Maria da Penha. O próximo passo é a informação. "É bom que as pessoas sejam informadas sobre coisas que achavam que eram normais e integrantes do processo educativo, mas que não são."

Medidas adicionais

A lei não altera as punições já previstas em outras leis para abusos e violações dos direitos da criança, mas adiciona medidas a serem adotadas conforme a gravidade do caso. Entre elas está o encaminhamento das crianças a programa oficial ou comunitário de proteção a família e de tratamento psicológico ou psiquiátrico. Para os pais, a lei prevê cursos ou programas de orientação, a obrigação de encaminhar a criança a tratamento especializado, além de advertência.

Para Gorenstein, a lei é um avanço, também, ao tornar obrigatória a notificação de casos de violência por parte dos agentes de saúde e educação, além de prever formação continuada para esses profissionais, que lidam com a violência doméstica no dia a dia.

"As pessoas estão muito acostumadas, no Brasil, a leis que estabelecem penas. Essa lei traz uma pauta positiva, que é a alteração de uma cultura violenta e que tolera comportamentos de violência contra crianças, comportamentos desiguais porque você não pode comparar o poder de um adulto com o de uma criança", avalia.

Mas há quem defenda a palmada como instrumento legítimo de educação e imposição de regras. "O pai já tentou todos os castigos possíveis, e o filho continua tendo mau comportamento. O que sobra? Sobra o tapa na bunda", argumenta a terapeuta infantil Denise Dias, que também é autora do livro Tapa na Bunda Como impor limites e estabelecer um relacionamento sadio com as crianças em tempos politicamente corretos.

Dias defende que a palmada é diferente de outros castigos físicos considerados por ela mais graves, como puxões de orelha e surra. Ela se declara contra o castigo físico severo, mas a favor de "uma palmada bem dada na bunda, mesmo". "Um adulto sensato, centrado, em equilíbrio sabe muito bem a diferença entre a palmada e a surra."

Monitoramento dos casos

A lei prevê que os Conselhos Tutelares serão o ponto inicial de contato em casos de violação, mas também exige uma integração entre o Poder Judiciário, o Ministério Público e a Defensoria Pública, além de ONGs, no monitoramento dos casos.

Além de denúncias feitas pessoalmente nos Conselhos Tutelares locais, outras ferramentas também auxiliam no monitoramento, como o Disque Direitos Humanos, ou Disque 100 inicialmente restrito a denúncias de exploração sexual e que passou a incluir casos de violações de direitos mais amplas.

Também nesse sentido, em maio deste ano, o Unicef lançou um aplicativo para smartphones e tablets chamado Proteja Brasil. O app utiliza a localização do usuário para indicar telefones e endereços de delegacias, Conselhos Tutelares e outras organizações que podem ajudar em casos de violação de direitos da criança e do adolescente.

Disponível em português, inglês e espanhol, o aplicativo foi lançado no âmbito da campanha de proteção de menores durante a Copa do Mundo e prevê oito tipos de violações: trabalho infantil, violência física, violência psicológica, violência sexual, discriminação, tortura, tráfico de pessoas, além de negligência e abandono.


Fonte: O Povo online / Deutsche Welle

Mobilização nacional previne violação de direitos da população de rua durante Copa

A articulação em defesa dos direitos humanos durante a Copa do Mundo Fifa 2014 tem rendido frutos. Duas semanas após o início dos jogos no Brasil, não foram registrados, formalmente, casos de violação de direitos da população em situação de rua. Mobilização nacional de entidades de defesa, órgãos públicos, organizações governamentais e não governamentais têm acompanhado de perto o tratamento dado a essa parcela de brasileiros e continua alerta a qualquer desrespeito a crianças, jovens, adultos e idosos que vivem nas ruas do país.

Diante de arbitrariedades cometidas pela Federação Internacional de Futebol (Fifa), respaldadas pelos governos federal, estaduais e municipais, havia preocupação relativa ao tratamento dessa população durante o megaevento. Temia-se a remoção forçada dessas pessoas, sem encaminhamento e acolhimento adequado.

No entanto, a assistente social Karina Alves, coordenadora do Centro Nacional de Defesa dos Direitos Humanos da População em Situação de Rua e dos Catadores de Materiais Recicláveis (CNDDH), em entrevista à Adital, indica que os casos registrados até o momento se situam em período anterior à abertura dos jogos, imediatamente nos meses antecedentes. Os casos, segundo ela, foram registrados nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte (Minas Gerais), Salvador (Bahia) e Porto Alegre (Rio Grande do Sul).

Em sua maioria, foram casos de violência institucional cometida pelo Poder Público. "Ações de caráter higienista que, por essa natureza, podem ter relação com a preparação da Copa do Mundo. Por exemplo, casos de remoção forçada de pessoas de espaços públicos próximos aos estádios ou em outros locais centrais ou com valor turístico, bem como ações de retirada de pertences”, aponta Karina.

A coordenadora explica que, diante de denúncias de violações, o CNDDH representa aos Ministérios Públicos dos estados e defensorias para fins de investigação e providências e solicita informações às polícias, ao Poder Público local responsável, que têm o dever de efetivar as políticas públicas. "É importante ressaltar que o Conselho Nacional do Ministério Público elaborou diretrizes de atuação específicas para a guarda e a promoção dos direitos da população em situação de rua durante a Copa do Mundo de 2014. Sobre as violações já registradas, o CNDDH segue acompanhando e monitorando diligências realizadas”, destacou Karina.

Ela enfatiza ainda que, em relação à Copa das Confederações, realizada em 2013 no Brasil, este ano houve uma articulação mais forte entre as entidades de defesa de direitos humanos, em função de experiência acumulada do evento anterior, e, atualmente, são mobilizados plantões para acompanharem possíveis casos. "É importante manter a população em situação de rua informada sobre os seus direitos mais amplos de cidadania, mas, no contexto da Copa do Mundo, ressaltamos o direito de ir, vir e de estar no espaço público”, ressalta Karina.

No último dia 24 de junho, reportagem publicada pela Agência Pública apontou diversas irregularidades no tratamento da população em situação de rua em Belo Horizonte. A matéria indicava que pessoas eram vítimas de repressão e práticas de "higienização” da cidade, com pertences recolhidos pela Prefeitura Municipal e abrigo em condições precárias. A situação, porém, não é reconhecida por Karina como responsabilidade da organização da Copa do Mundo. Ela afirma que essa é uma realidade anterior ao Mundial no município e uma luta antiga dos movimentos sociais.

Denúncia na cidade-sede Fortaleza

Em Fortaleza, Estado do Ceará, houve denúncia, por parte de um jornal local, de remoção forçada sem acolhimento e encaminhamento adequado. Segundo a matéria, publicada no último dia 14 de junho, pessoas em situação de rua seriam submetidas a ações de "higienização” por órgãos do Estado, que teriam interesse em ocultar essa realidade social local.

O vereador de Fortaleza, Ronivaldo Maia, do Partido dos Trabalhadores (PT), disse em entrevista à Adital considerar a situação um flagrante do abandono de políticas públicas de proteção a essa população na cidade. "Já é uma agressão contra eles, que são higienizados o ano todo. Agora têm de ser colocados num local durante os eventos. Isso não é política pública porque não é abrigo, é uma solução improvisada”, criticou o parlamentar.

Já para o vereador João Alfredo (Psol), também de Fortaleza, o caso chegou a alarmar quando veio a público pela imprensa. Porém, após visitar locais para os quais a população tem sido deslocada, ele afirma à Adital que não tem havido condução forçada. Ainda assim, questiona o método adotado pelo Estado para atender a esse grupo. "O que é certo é que a cidade vive uma realidade completamente diferente durante a Copa do Mundo”, avalia.

Entidades de defesa também negam que esteja havendo violação de direitos relacionada à população de rua nesse sentido. A coordenadora da Pastoral de Rua no Ceará, Fernanda Gonçalves, afirmou àAditalque, até o momento, não há registros de casos, não reconhecendo o fato publicado pelo jornal.

"Não reconhecemos como higienização. (...) Foi um equívoco. Acho que o ou a jornalista não tinha conhecimento do trabalho de convergência”, disse Fernanda, referindo-se à Agenda de Convergência liderada pela Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República, programada para orientar o trabalho de defesa de direitos durante o Mundial e megaeventos posteriores. Ela considera as ações um trabalho de proteção aos mais vulneráveis a casos de trabalho infantil ou exploração sexual. "A população permanece nos espaços públicos, participando de festas ou trabalhando”, assegura.

Coordenador do núcleo do Ceará do CNDDH, Nailson Neo, também desconsidera a ação como violação e afirma que os locais de acolhimento foram, inclusive, demanda dos próprios movimentos sociais, que reivindicavam a necessidade de um ponto de apoio para essa parcela da população durante os jogos do Mundial. "Houve um mal entendido da mídia. Os equipamentos são uma retaguarda”, explicou à Adital.

Para denunciar

Casos de violações contra a população em situação de rua em todo o Brasil podem ser denunciados pelo Disque 100 ou diretamente para o CNDDH, pelo telefone (31) 3250-6291, inclusive através de chamadas a cobrar.


Fonte: Adital

Para turistas estrangeiros na Copa, o povo é o que há de melhor no Brasil

Os atrasos na entrega dos estádios e dos projetos de infraestrutura - muitos que ainda não ficaram prontos -, os problemas dos aeroportos e a ameaça de greves e protestos acabaram fazendo com que o Brasil ficasse em evidência mundo afora às vésperas do Mundial e chegaram até a 'assustar' alguns visitantes que estavam prestes a embarcar para o país.

Mas, passados os primeiros dias de euforia, o que os turistas de fora - popularmente chamados de 'gringos' - estão achando do Brasil? A BBC Brasil passou as duas últimas semanas ouvindo dezenas de estrangeiros que passaram pelas cidades-sede da Copa para saber quais eram as impressões deles sobre a organização do país para receber o Mundial, a infraestrutura, a hospitalidade dos brasileiros e tudo o que foge dos estereótipos conhecidos de "país do futebol, samba e carnaval".

Nas duas primeiras semanas de Copa, ao menos as previsões mais pessimistas não se confirmaram. Não houve caos aéreo - apesar de alguns aeroportos terem apresentado problemas de atraso, como é comum em períodos de muita demanda -, não houve grandes greves, os protestos foram contidos - alguns com certa violência, que acabou em confronto entre policiais e manifestantes - e a organização dos jogos também foi considerada satisfatória.

"Falaram tanto que o Brasil era violento, que seríamos assaltados, que os estádios não estavam prontos e tudo mais, mas não tivemos nenhum problema, está tudo muito tranquilo até aqui", relatou Neftalí Barría, um chileno que chegou ao Brasil no dia 10 de junho e passou por Cuiabá, Curitiba e São Paulo.

Mas nem tudo foram "flores" para os turistas que desembarcaram no Brasil neste mês de junho. Para outro chileno, por exemplo, a experiência no país já havia tido algumas intempéries, como um assalto a 25 companheiros em um albergue nos arredores da capital mato-grossense. O canadense Steven quase passou pela mesma experiência, mas foi mais esperto que os “ladrões” da Vila Madalena, bairro boêmio da zona oeste de São Paulo.

“Eles pegaram minha carteira, mas era minha carteira falsa”, explicou. Carteira falsa? “É, eu tenho essa carteira aqui com cartões de crédito vencidos e até carteira de motorista antiga para enganar os ladrões. Quando eles se deram conta, largaram na rua de novo. Sou mais esperto que eles”, festejou.

Um outro holandês relatou a falta de infraestrutura de algumas cidades e as obras que atrasaram e ainda estão em curso durante o Mundial.

Chilenos tiveram colegas roubados em Cuiabá, mas dizem que estão gostando do Brasil

"Fiquei impressionado com as obras que não ficaram prontas, muita coisa por fazer. Acho que a Fifa tinha que ter pressionado mais para as coisas saírem", contou à BBC Siegfried Mulder.

“Os estádios não estão prontos. Estão funcionando, mas não estão prontos”, disse o sul-coreano Sangnin, que passou por Cuiabá, Porto Alegre e São Paulo indo aos jogos da Coreia.

Em 100% das respostas, o principal elogio era sempre o mesmo: "As pessoas são incríveis aqui." A hospitalidade do povo brasileiro foi o que sobressaiu aos olhos de todos os estrangeiros que conversaram com a reportagem. Holandeses, croatas, chineses, uruguaios, ingleses, chilenos, mexicanos, alemães, coreanos, belgas, canadenses, americanos, todos, sem exceção, citaram “as pessoas” como o melhor do Brasil até agora.

"Os estádios são muito bonitos, mas acho que o mais especial é o povo. As pessoas são muito alegres, fantásticas, isso colore a Copa do Mundo", disse o colombiano Elkin.

Entre as críticas, a mais recorrente foi com relação à língua, pelo fato de, principalmente os turistas que não falam português - ou pelo menos espanhol -, terem um pouco de dificuldade para se comunicarem no país.

Unanimidade

Seja em São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Manaus ou Cuiabá, em todas as regiões do país pelas quais os gringos passaram, não houve um que não destacasse o povo brasileiro com o a principal atração de cada lugar. A acolhida dos nativos foi o que chamou bastante a atenção, principalmente dos europeus, que se disseram "não acostumados" com tamanha simpatia.

"Os brasileiros são extremamente prestativos, sempre querendo ajudar. É incrível", disse a irlandesa Enya. "Passei por Foz do Iguaçu, Curitiba, agora São Paulo. Em São Paulo, assim que desci do metrô e abri o mapa para procurar o hostel, já veio uma pessoa para me ajudar a achar, me explicar o que tinha que fazer. Fiquei impressionada, porque na Irlanda não é assim."

"Nós ficamos muito surpresos, todos os brasileiros estão sendo incríveis com a gente, muito solidários, qualquer lugar que vamos eles perguntam 'vocês precisam de ajuda?', por enquanto não houve nenhum problema', sentenciaram os amigos britânicos Sam e Adam.

Holandeses elogiam clima de "festa do futebol" e dizem que Brasil está se saindo bem na organização

A solicitude dos brasileiros é tanta que, segundo os torcedores de fora, falar português já nem se torna tão essencial.

"As pessoas aqui são muito simpáticas. A língua é um problema pequeno, um inglês bem simples é o suficiente, porque as pessoas fazem de tudo para ajudar", contou o chinês Rocky.
Organização e protestos

Por causa da onde enorme de protestos durante a Copa das Confederações no ano passado, a expectativa por mais demonstrações grandes contra a Copa do Mundo cresceu para o período do Mundial

Nessas duas semanas de Copa, porém, ainda não aconteceu nenhum protesto na escala daqueles de 2013, o que minimizou o "medo" por parte dos torcedores de fora quanto a elas. Ainda assim, alguns deles disseram que foram capazes de “entender os motivos das insatisfações” após alguns dias no Brasil.

"Estamos conseguindo entender melhor por que as pessoas estavam reclamando dessa Copa, por que dos protestos e tudo mais”, pontuou o alemão Jan Menke, que veio para o Brasil com quatro amigos para curtir a Copa, mas sem ir aos estádios - "os ingressos estão muito caros", explica ele.

"Conversando com as pessoas em todos os lugares, a gente começa a ter uma noção melhor sobre o que acontece no país. Porque nós somos apenas visitantes, estamos aqui de passagem, está tudo certo, mas as pessoas que vivem aqui têm inúmeros problemas", prosseguiu. Ele e os amigos passaram por Curitiba, São Paulo e Rio.

A organização e infraestrutura das cidades-sede para essa Copa foram pontos bastantes questionados durante toda a conturbada preparação do Brasil para o Mundial por causa, princpalmente, dos atrasos. E alguns torcedores contaram à BBC que sentiram esses problemas na pele durante o torneio.

"O que eu criticaria um pouco seria a infraestrutura. Os estádios estão bons, mas as estradas estão ruins. Em Cuiabá, a única coisa que está pronta é o estádio. Há muitos desvios, muita coisa para fazer", reclamou o chileno Raúl Castro, que está na caravana de mais de mil carros que veio de Santiago ao Brasil para acompanhar o Chile no Mundial. Viajando de carro de lá até aqui e passando por Cuiabá, Rio de Janeiro e São Paulo, ele relata problemas nas estradas e falta de sinalização.

Já o holandês Siegfried se disse impressionado principalmente com o Rio de Janeiro. Mas ao contrário da maioria dos turistas ouvidos pela BBC, que se mostraram encantados com a beleza da Cidade Maravilhosa, este separou algumas críticas para a futura sede da Olimpíada em 2016.

Para os venezuelanos, o melhor do Brasil são as pessoas: "Fantásticas"

"O Rio vai sediar os Jogos Olímpicos daqui dois anos e ninguém fala inglês – comércio, restaurantes, nada", disse. "Eu achava que, além de São Paulo, o Rio também era uma metrópole. Mas não é. Você já foi ao Cristo Redentor? O que achou? É muito desorganizado!", reclamou. Siegfried passou por Salvador, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo.

Mas, apesar de alguns problemas, a percepção da grande maioria dos turistas a respeito a Copa do Mundo no Brasil é de que ela está sendo uma "grande festa”. E, segundo eles, “os brasileiros sabem como fazer uma festa.”

“Tudo está bom para esse tempo de festa do futebol.É muito difícil organizar uma Copa, mas você pode ver que tudo está bem organizado, o estádio é bom, seguro, então o Brasil está provando que está pronto para isso", sentenciou o holandês Oscar.


Fonte: BBC Brasil

Brasil lidera racha polêmico sobre novos objetivos do milênio da ONU

Os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio foram firmados em 2000 com a finalidade principal de reduzir a pobreza mundial. Eles vão desde a eliminação da fome à universalização da educação primária, e se desdobram em metas concretas, como reduzir em dois terços a mortalidade de crianças menores de cinco anos.

O prazo para o cumprimento das metas é 2015 e, por isso, os países já vêm debatendo quais serão os novos objetivos que irão substituí-los.

Dentro desse processo, o Brasil lidera a oposição a um objetivo relacionado à governança, justiça e paz - e conta com o apoio de boa parte dos países em desenvolvimento. Recentemente, a Rússia também se manifestou duramente contra.

Do outro lado, defendendo a inclusão deste objetivo, há um bloco formado, principalmente, por países ricos como as nações da Europa Ocidental, Estados Unidos, Japão e Austrália.

Um oficial da ONU que acompanha de perto o debate disse à BBC Brasil que essa está sendo a discussão mais difícil dentro das negociações para estabelecer os chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Argumentos brasileiros

No início deste mês, chegou-se a um esboço inicial em que foram estabelecidos 17 objetivos, mas a intenção é diminuir esse número, para facilitar a divulgação.

Os temas de governança, justiça e paz compõem, por hora, o 16º. Ele inclui metas como a redução dos homicídios e do tráfico de armas; garantia de acesso à justiça e liberdade de expressão; e ampliação da transparência governamental.

Em nota enviada para a reportagem, o Itamaraty explicou que a adoção de "objetivos independentes sobre governança poderia tirar o foco dos esforços centrais que os ODS devem promover - em particular, a erradicação da pobreza".

Outro argumento reiterado pelo país é que houve um acordo dentro da ONU de que a base para a definição dos novos objetivos seria o documento final da Rio+20, conferência realizada em 2012 no Rio de Janeiro.

O texto foi aprovado por consenso pelos 190 países presentes, resultado atribuído à liderança do diplomata brasileiro Luiz Alberto Figueiredo, atual Ministro das Relações Exteriores.

A relevância desse documento acaba valorizando o papel do Brasil nas atuais negociações. A importância da boa governança e da paz para o desenvolvimento sustentável é citada no texto, mas isso não é previsto como um objetivo específico.

"O Brasil e os países em desenvolvimento, em particular, têm defendido que os ODS devem ser voltados aos grandes desafios para o desenvolvimento sustentável, nos campos econômico, social e ambiental. Isso significa que se deveria dar prioridade aos temas já acordados em 2012 na Rio+20", acrescenta a nota do Itamaraty enviada à BBC Brasil.

Reação

Diversas organizações da sociedade civil têm se mobilizado em reação à posição do Brasil. Elas contestam que essa seja uma “agenda” dos países ricos e lembram que mesmo em nações como Estados Unidos e Reino Unido há problemas, como o acesso limitado dos mais pobres à justiça.

Países pobres marcados por intensos conflitos também têm defendido a importância desses temas. Em um documento conjunto, os 54 países africanos defenderam que paz e segurança deve ser um dos seis pilares das negociações, mas não está claro se o continente ficaria contra a posição do Brasil caso ela predomine entre as nações em desenvolvimento.

A Article 19, organização baseada em Londres que promove a liberdade de expressão e a transparência governamental, está liderando uma campanha internacional para defender que os temas de governança sejam confirmados como ODS.

Já a Open Society Foundations, do multimilionário George Soros, convidou o ministro do Supremo Tribunal Federal Roberto Barroso para um debate sobre o assunto dentro da ONU. Na ocasião, Barroso afirmou que é "difícil conceber a ideia de desenvolvimento sustentável, em qualquer de suas três dimensões – econômico, social e ambiental –, sem incorporar a justiça como um elemento essencial”.

Para Betsy Apple, da Open Society Foundations, o Brasil está defendendo uma visão limitada do que é desenvolvimento. A avaliação é a mesma do Instituto Igarapé, organização brasileira que trabalha para integrar as agendas de segurança e desenvolvimento.

"Uma coisa não existe sem a outra. É uma visão estreita separá-las", afirma Eduarda Hamann, uma das coordenadoras do instituto.

A BBC Brasil apurou, porém que existe dentro da ONU certa compreensão em relação ao posicionamento do Brasil de que assuntos de segurança poderiam ser uma "distração", devido a sua complexidade. O país argumenta que não seria possível falar de paz sem discutir, por exemplo, o conflito Israel-Palestina ou a política externa americana.
Políticas e receio

O Brasil não nega a importância da paz e da governança para o desenvolvimento sustentável e tem proposto que algumas metas relacionadas e essas questões sejam incluídas dentro de outros objetivos, como os que tratam de redução da desigualdade e promoção da educação.

Os críticos dessa proposta dizem que diluir as questões de governança, justiça e paz em outros objetivos não daria a devida visibilidade aos temas.

Historicamente, o Brasil muitas vezes defendeu que as duas coisas – segurança e desenvolvimento - são inseparáveis. Para Hamann, a posição da delegação brasileira na ONU hoje parece reflexo da circunstância política atual.

Por um lado, o país quer fortalecer o documento da Rio + 20, que é considerado "um filho" do Brasil. Por outro lado, quer valorizar mais os tópicos em que tem mais poder de influência – o que aumenta seu papel de liderança nos processos de implementação dos ODS.

"O país é uma referência na questão social e ambiental, mas não na questão de segurança", destaca Hamann.

Haveria ainda um receio do Brasil de que a adoção de um ODS específico para questões relacionadas à paz daria um papel central ao Conselho de Segurança da ONU dentro do processo de implementação dos objetivos – e este órgão, que reúne as grandes potências militares, não é considerado democrático por muitos por não refletir a geopolítica atual em sua representação.

Outra preocupação explicitada pelo país nas negociações é que ações internacionais de redução à pobreza fiquem condicionadas a questões de segurança.

Na avaliação do Instituto Igarapé, a posição do Brasil também pode refletir um temor de intervenções externas em assuntos delicados internamente, como os altos índices de violência.

Em declaração neste mês na ONU, a Rússia disse que se o 16º objetivo proposto for aprovado "uma porta se abrirá para a interferência nos assuntos internos dos Estados".
'Risco alto'

As negociações seguem em andamento em grupos de trabalho formados por alguns países. Em setembro, uma proposta será apresentada na Assembleia Geral da ONU.

As discussões sobre quais serão os ODS e como sua implementação será feita e financiada devem estar concluídas um ano depois, para a assembleia de 2015.

Betsy Apple, da Open Society Foundations, vê um risco alto de que o objetivo de governança, paz e justiça seja eliminado. "O Brasil é muito influente nesse processo e por isso muitos países o acompanham".

"Se o Brasil não apoiar esse objetivo por causa de uma agenda política de curto prazo, pode acabar eliminando-o, pois outros países importantes são de fato contra [esses princípios], como Rússia, China e Índia. Isso coloca Brasil em uma posição muito poderosa", afirma o consultor jurídico da Article 19, Dave Banisar.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

17 propostas que ainda estão em negociação:
1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas em todos os lugares.
2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e nutrição adequada para todos, e promover a agricultura sustentável.
3. Alcançar saúde para todos em todas as idades.
4. Fornecer educação equitativa, inclusiva e de qualidade e oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
5. Atingir a igualdade de gênero e a autonomia para mulheres e meninas em todos os lugares.
6. Garantir água limpa e saneamento para todos.
7. Garantir serviços de energia modernos, confiáveis, sustentáveis e a preços acessíveis para todos.
8. Promover o crescimento econômico forte, sustentável e inclusivo e trabalho digno para todos.
9. Promover a industrialização sustentável.
10. Reduzir as desigualdades dentro dos países e entre eles.
11. Construir cidades e assentamentos humanos inclusivos, seguros e sustentáveis.
12. Promover padrões de produção e consumo sustentáveis.
13. Promover ações em todos os níveis para combater as mudanças climáticas.
14. Alcançar a conservação e o uso sustentável dos recursos marinhos.
15. Proteger e restaurar os ecossistemas terrestres e interromper toda a perda de biodiversidade.
16. Alcançar sociedades pacíficas e inclusivas, o Estado de direito, e instituições eficazes e capazes.
17. Fortalecer e melhorar os meios de implementação [desses objetivos] e a parceria global para o desenvolvimento sustentável.

Fonte: BBC Brasil

Sete aspectos da vida no Brasil que mudaram com o Real

Nos supermercados, era comum ver os clientes se apressando para pegar as mercadorias antes que os temidos remarcadores passassem mudando as etiquetas.

Despensas e freezers eram itens essenciais para muitas famílias e se uma alta da gasolina era anunciada, em minutos os postos de combustível se tornavam o ponto final de uma peregrinação de carros a perder de vista.

Há exatos 20 anos, o real colocou um ponto final nessa luta diária dos brasileiros para garantir o poder de compra do seu dinheiro.

Lançado em 1º de julho de 1994, a atual moeda brasileira marcou o fim de um longo período em que o país teve de conviver, primeiro, com o descontrole de preços. Foram três décadas de inflação alta, que culminaram em taxas anuais de mais de 2.000% na primeira metade dos anos 90.

Segundo, com uma sucessão de planos econômicos, mudanças de moeda e medidas anti-inflacionárias hoje inimagináveis, como o confisco do Plano Collor.

Em uma tentativa de colocar essa trajetória em perspectiva, a BBC Brasil fez, com a ajuda de economistas, um levantamento dos sete aspectos da vida dos brasileiros que mudaram com o real e a estabilização da economia.

A lista inclui desde mudanças no dia a dia das famílias até aquelas que contribuíram para transformar o quadro econômico e social do país.

Confira aqui o resultado:

Fim da compra para estoque

Em seu auge, nos anos 90, a inflação chegou a 80% ao mês. Ou seja, em trinta dias, o poder de compra dos salários caía quase pela metade.

Isso explica por que muitos brasileiros corriam para os supermercados ao receber seu pagamento. Era como se todo início do mês fosse véspera de Natal, com filas intermináveis e carrinhos abarrotados.

"Para os supermercados, era um desafio logístico: imagine só ter de fazer a maior parte das vendas do mês em um ou dois dias", diz Clemens Nunes, professor de economia da FGV.

"Cheguei a ouvir de um fazendeiro de São Carlos que seus funcionários lhe pediam que os pagasse em dias aleatórios e sem aviso prévio, porque se o comércio local ficasse sabendo quando recebiam, subia os preços na véspera", lembra o economista Edmar Bacha, um dos arquitetos do Plano Real.

Com a estabilidade da moeda, as famílias brasileiras puderam parar de estocar alimentos e as compras semanais se tornaram mais comuns.

Despensas e freezers deixaram de ser essenciais – e muitos brasileiros se livraram dos últimos na crise energética de 2001 e 2002, quando o governo estabeleceu punições para quem não economizasse energia.

Possibilidade de planejar o futuro

No final dos anos 80 e início dos 90, se já era difícil prever os preços da semana seguinte, quem dirá do mês ou ano seguintes.

Por isso, as famílias não tinham muito como fazer planos, fosse para uma viagem de estudos ou a compra de um imóvel.

Planejar férias em família era um exercício de futurologia: Quanto custará um almoço? Quanto será a passagem de ônibus?

Também havia pouco estímulo para poupar. Temia-se que o valor poupado fosse corroído pela inflação ou que as regras para as correções das aplicações bancárias fossem mudadas.

Com a estabilidade, os brasileiros ampliaram sua capacidade de planejar o futuro.

"Em parte esse costume brasileiro de deixar tudo para a última hora também pode ser considerado um legado desses anos de inflação alta", diz Rubens Ricúpero, ministro da Fazenda na implantação do real.

Redução da pobreza

A inflação tende a ser concentradora de renda por uma questão simples.

Em meio a alta de preços, os ricos e a classe média protegem seu dinheiro com aplicações financeiras.

"O overnight, por exemplo, chegou a render 1% ao dia", lembra Marcelo Moura, do Insper.

Outra alternativa era comprar imóveis ou enviar dinheiro para o exterior.

"Já a população pobre e desbancarizada não tem muita saída e acaba tendo seu poder de compra bastante prejudicado", diz Moura.

Ele explica que é por isso que o fim da inflação alta e consolidação do real são vistos como um dos motores do processo de redução da pobreza que o Brasil assistiu nos últimos anos, juntamente com os aumentos reais do salário mínimo e a expansão dos programas sociais.

Para mais informações, clique aqui.


Fonte: BBC Brasil

Sábado foi o Dia Internacional do Orgulho LGBT

Neste sábado (28) foi comemorado o Dia Internacional do Orgulho LGBT. A data é marcada pelo episódio conhecido como Stonewall Inn, ocorrido em 1969, em Nova Iorque, quando a populaçãoLGBT uniu-se em uma manifestação contra constantes agressões policiais.

A violência contra a população LGBT que despontou em Stonewall se perpetua até hoje. Dados do 2° Relatório Sobre Violência Homofóbica 2012, realizado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), apontam que o número de denúncias de violações de direitos humanos contra a população LGBT cresceu 166% de 2011 para 2012, saltando de 1.159 para 3.084 registros. As fontes são o Disque 100, em conjunto com o ligue 180, da Secretaria de políticas para Mulheres (SPM), e a Ouvidoria do Sistema único de Saúde (SUS).

Para tanto, a SDH/PR lançou em 2013 o Sistema Nacional LGBT. O Sistema tem o objetivo de promover a articulação entre os governos federal, estaduais e municipais, além da sociedade civil, para a efetivação políticas afirmativas e de combate à homofobia.

A Secretaria também construiu em 2011, em parceria com o Ministério da Justiça, um Termo de Cooperação Técnica para o Enfrentamento às Homofobias. O termo foi assinado com 17 estados, e foram criados grupos de trabalho de Segurança Pública LGBT nos estados do Amazonas, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Também foram implementadas alas específicas para gays, travestis e transexuais nos presídios dos estados de Mato Grosso, Paraíba e Rio Grande do Sul, além de Minas Gerais que já possuía a ala desde 2009. Foram criadas unidades de polícia especializadas em crimes de ódio e delitos de intolerância nos estados do Pará, Pernambuco e Paraíba. Quanto a capacitação de policiais no atendimento a populaçãoLGBT foram realizadas nos estados do Pará, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

Ainda fazem parte das ações a criação de oito Comitês de Enfrentamento a Homo-Lesbo-Transfobia no AC, PA, PI, AM, DF, AL, RS e SP, espaços de controle social e acompanhamento das denúncias de violação dos direitos humanos de LGBT reportadas ao Disque 100.

Stonewall Inn

Na década de 60 nos Estados Unidos, a comunidade LGBT era constantemente reprimida e até presa sem razão. Na noite do dia 28 de junho de 1969, contudo, algo diferente ocorreu: os usuários de um bar LGBT em New York, Stonewall Inn, resistiram à prisão, e a polícia perdeu o controle da batida. Uma multidão se reuniu na rua, na frente do bar, encurralando a polícia dentro do mesmo. A tropa de choque foi convocada, e o cenário virou uma praça de guerra, com confrontos violentos que duraram por seis dias.


Fonte: Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR

Governo libera mais R$ 3,5 milhões para vítimas da chuva no Paraná

A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, do Ministério da Integração Nacional, liberou R$ 3,5 milhões e 11.106 kits de assistência humanitária para as vítimas da forte chuva que atingiu o Paraná. A portaria foi publicada na edição de hoje (30) do Diário Oficial da União.

Este é o quarto repasse de recursos este mês para o estado. No dia 16, o governo destinou mais de R$ 2,1 milhões para a execução de ações de socorro, assistência às vítimas e restabelecimento de serviços essenciais. Nos dias 10 e 11 de junho, o ministério havia liberado mais de R$ 346 mil.

Na semana passada, o governo federal reconheceu estado de calamidade pública em Bituruna e União da Vitória, e a Previdência Social autorizou a antecipação dos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para os moradores desses municípios.

A Defesa Civil Estadual estima um prejuízo de cerca de R$ 613 milhões. O estado tem 161 municípios atingidos pela chuva, dos quais 152 estão em situação de emergência. Quase 23 mil residências foram danificadas.

Segundo a Defesa Civil, mais de 828 mil pessoas foram afetadas pelos temporais. Onze morreram e 231 ficaram feridas. Mais de 16 mil pessoas permanecem desalojadas e cerca de 1,3 mil estão em abrigos.

De acordo com o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), esta segunda-feira tem tempo estável em todas as regiões do estado. O céu fica com muitas nuvens de manhã, mas há tendência de o sol aparecer a partir da tarde. O dia será de temperaturas bastante baixas na maior parte do estado.


Fonte: Agência Brasil

Estoque de sangue do Inca baixou desde o início da Copa do Mundo

O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) registrou queda de 50% nos estoques de sangue, devido ao baixo comparecimento de doadores ao hospital no período da Copa do Mundo. O instituto faz a partir de hoje (30) e vai até sábado (5), uma campanha para normalizar os níveis de doação de sangue durante o Mundial de Futebol.

A chefe do Serviço de Hemoterapia do Inca, Iara Motta destacou que é grande a dificuldade para conseguir doadores em períodos de grandes eventos no Brasil. Segundo ela, 50 pessoas doam sangue diariamente – quando o ideal seria 80. Na Copa este número caiu para 25.

“As pessoas estão envolvidas em participar, assistir aos jogos da Copa e deixam de comparecer para as doações. As atividades hospitalares continuam da mesma forma. Os pacientes continuam sendo submetidos as transfusões. Antes dos eventos a gente sensibiliza, chama a população e alerta. Mas nem sempre temos o retorno esperado”, disse.

Iara observou que no mês de julho aumenta a necessidade de doações de sangue. “Nós aproveitamos este [momento] para fazer a chamada. A nossa preocupação é também com o feriado na sexta-feira (4) [feriado municipal no Rio], próximo ao fim de semana. Já pensou o Brasil na final? Aí que as pessoas vão surtar mesmo. Vão ficar mais envolvidas”.

O Inca faz, anualmente, cerca de 90 transplantes de medula óssea, 8.500 cirurgias, 42 mil atendimentos em quimioterapia e 73 mil atendimentos em radioterapia. Para que estes procedimentos sejam efetuados, o Instituto precisa de fazer mais de 3 mil transfusões de sangue por mês.

A dona de casa Dalva da Costa, de 63 anos, disse que, normalmente, doa sangue no Instituto estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti (Hemorio), mas desta vez foi ao Inca para ajudar um amigo que precisa de doação de sangue.

“ Acho que é muito importante para a vida de qualquer pessoa. A gente tem que pensar no semelhante. A doação é importante para salvar a vida de uma pessoa. Às vezes salva até três pacientes. Você não sabe se vai precisar alguma vez também”, concluiu.

Podem doar sangue as pessoas entre 16 e 69 anos com mais de 50 quilos, menores de 18 anos de idade precisam de consentimento do responsável legal; não é necessário estar em jejum; evitar alimentos gordurosos nas três horas que antecedem a doação. Pessoas com febre, gripe, resfriado, grávidas e com tatuagens não podem doar sangue temporariamente.


Fonte: Agência Brasil

Caism conclama doadores de leite para o Banco de Leite Humano

A Secretaria de Saúde, por meio do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism), conclama doadoras de leite para o Banco de Leite Humano BLH, com urgência, para suprir a demanda das UTI’s Neonatal. 

O secretário de Saúde, Fahim Sawan, explica que o leite humano é de suma importância para o desenvolvimento do bebê prematuro, recém-nascido abaixo do peso, imunodeprimido e desnutrido. “Doar leite humano é um ato de amor e pode salvar vidas. Uma equipe do Caism vai até a casa da mãe, faz a coleta da amostra do leite para análise. Também é feito coleta de sangue para ver se está tudo bem com a saúde da mulher. A partir disso, se estiver tudo certo, ela pode virar doadora, deixando o nome e endereço no Caism. Um motorista e uma enfermeira deixarão o vidro esterilizado, periodicamente na casa da doadora e depois voltarão para recolher, quando o vidro estiver cheio. A quantidade de leite doada é definida de acordo com o tanto de leite que está sobrando da mulher”, explicou Fahim.

Procedimentos

Sawan lembra que a doação é feita das 7h às 17h e as mães que têm interesse e disponibilidade de doar, devem entrar em contato com o Caism pelo telefone (34) 3332-0559, para agendar um horário. Todos os leites recolhidos são doados para as UTI’s Neonatal dos hospitais: São Domingos, Hospital de Clínicas da UFTM e Hospital Universitário Mário Palmério. No mês de Maio, o Banco de Leite Humano contou com 31 doadoras.


Fonte: Jornal de Uberaba

Prática abusiva de partos cesarianos

40% dos nascimentos na América Latina e Caribe são realizados por cesárea, segundo o Estado Mundial da Infância 2014, publicado em janeiro pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Essa cifra mais que duplica a recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de que as cesáreas não devem exceder 15%.

O Brasil é o país com maior número de cesáreas no mundo, com 50% dos nascimentos mediante essa prática, seguido pelo México, com 46%. Em clínicas privadas, no entanto, os nascimentos por cesárea podem alcançar até 90%.

Especialistas têm advertido sobre os riscos dessa prática para a mãe e o bebê, ademais de que a maioria é desnecessária.

De acordo com a OMS, a cesárea se justifica quando o parto não pode ser realizado de maneira normal e há risco para a vida da mãe e do bebê, como são os casos de hemorragia por placenta desprendida ou placenta prévia, pré-eclampsia, ruptura prematura de membrana, excessivo tamanho do bebê ou em gravidezes múltiplas.

Entre os motivos para o incremento das cesáreas estão os estéticos, medo da dor e comodidade ao planejar a intervenção. Além disso, nas clínicas privadas, se abusa desse procedimento porque seu custo é muito mais elevado que o de um parto normal.

O caso do Brasil

De acordo com a Pesquisa Nacional sobre Parto e Nascimento "Nascer no Brasil”, realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), vinculada ao Ministério da Saúde, entre fevereiro de 2011 e outubro de 2012, existe a ideia entre muitas mulheres que com um parto normal a vagina se alargará e por esse motivo a cesárea surge como alternativa.

Os resultados da pesquisa, dados a conhecer no último dia 29 de maio, revelaram que de 23.940 partos, 52% foram por cesárea e em clínicas privadas o número cresceu para 88%.

Maria do Carmo Leal, coordenadora da pesquisa, assinalou que "a elevada taxa de cesáreas se deve a uma cultura arraigada no Brasil de que esse procedimento é a melhor maneira de ter um filho. Ademais disso, muitas mulheres têm medo da dor”.

Um dado curioso do estudo é que quase 70% das mulheres desejavam um parto normal no início da gravidez, mas finalmente ao redor de 60% deram à luz por cesárea.

"Há certamente uma influência dos serviços médicos pré-natais na decisão das mulheres pelo tipo de parto, mas também as amigas e familiares influem. Não se pode, portanto, deixar de destacar que é uma visão equivocada a crença de que a cesárea é a forma mais segura de parir”, acrescentou Leal. "Para os médicos, são mais convenientes as cesáreas porque podem organizar suas vidas e não estar à disposição de um momento que não se pode controlar, como é o nascimento de cada bebê. É certo que os médicos podem induzir a mulher a submeter-se a uma cesárea, mas é certo também que todo o sistema está organizado para promovê-la”.

Para Leal, "são necessárias políticas públicas, mas também que as mulheres se mobilizem, se informem mais sobre o parto e sobre o risco da cesárea. Deve haver uma mudança de atitude [nas mulheres] e na cultura médica”.



Fonte: Adital

Mulheres são vistas como propriedades dos homens no Líbano

A reportagem especial deste domingo (29) investiga uma violência contra a mulher: por que, em alguns lugares do mundo, as mulheres ainda são tratadas como cidadãs de segunda classe e sofrem todo o tipo de abuso?

O Líbano, por exemplo, uma sociedade moderna convive com costumes medievais. Lá, as mulheres, depois do casamento, passam a ser propriedade dos maridos e podem ser agredidas, presas e até estupradas sem ter a quem recorrer.

Será que voltamos dois mil anos no tempo? Não exatamente. É 2014, estamos no Oriente Médio e muitos homens ainda agem como sultões, em um mundo que eles acreditam que mulheres existem para servi-los.

Segregação, maus tratos, mutilação de órgãos genitais, estupros, tortura dentro de casa, divórcios desejados pelas mulheres, mas dificilmente alcançados e crimes de honra em que o marido assassino sai praticamente impune.

O Fantástico vai mostrar mundos que não mudam. Homens que mandam. E mulheres que não querem mais obedecer.

À primeira vista, pelo menos no primeiro encontro, Beirute, a capital do Líbano, parece um paraíso da modernidade. Para os padrões do Oriente Médio, a noite pegando fogo é muita ousadia.

A primeira vista, a noite de Beirute é muito parecida com a de São Paulo, Rio, Porto Alegre, Belo Horizonte, qualquer grande cidade brasileira. Mas ao entrar na sociedade libanesa, entendendo um pouquinho melhor, percebe-se logo que as mulheres não andam nada satisfeitas.

ONU lista países muçulmanos que mais desrespeitam direitos das mulheres

Um estudo da ONU, de março deste ano, fez um ranking dos países muçulmanos que mais desrespeitam os direitos das mulheres. O Líbano aparece na posição 14 entre 47 países. No Egito, segundo a ONU, mais de 27 milhões de mulheres tiveram os órgãos genitais mutilados. No Iraque, mulheres são vendidas e estupradas.

Naíma Yazbek é brasileira, descendente de libaneses por parte de mãe. Se fosse por parte de pai, teria cidadania e não seria tratada oficialmente como uma prostituta, o que acontece com as estrangeiras que trabalham como dançarinas no Líbano.

“Eu tenho que fazer exame de sangue, porque eu sou dançarina. Meu visto de trabalho aqui é como dançarina”, conta Naíma Yazbek, dançarina.

Fantástico: Mas que exame?
Naíma: Exame de AIDS, e de sífilis. A cada três meses eu tenho que pagar o exame, não pode ser qualquer laboratório, tem que ser o da imigração do Líbano.

A dança do ventre é tradição. Sensualidade permitida nos países árabes. Em sociedades onde a mulher, muito frequentemente, é vista como propriedade dos homens.

“A mulher tem um papel na sociedade. Ou ela é para casar ou ela é para ser, aquela mulher para ser usada”, explica Naíma.

Mulheres libanesas perdem inúmeros direitos após o casamento

Depois do casamento, a mulher libanesa perde inúmeros direitos. É quando alguns homens se sentem poderosos demais.

Fantástico: Te bateu, o que? Deu um soco na cara?
Naíma: Me bateu, deu soco, me empurrou.

Quando Naíma foi até à polícia denunciar o ex-namorado ninguém deu ouvidos.

“Quase riram da minha cara. Eles perguntaram: "você foi estuprada, não! Você foi machucada, não! Então eles: ‘Ah, então você, o que que você tá reclamando?’", lembra a dançarina.

Leis no Líbano concordam que homem deve ter poderes sobre as mulheres

Os casamentos no Líbano seguem leis religiosas, que não tem nada de parecido com o nosso Código Civil Brasileiro. As leis muçulmanas e cristãs, lá, concordam que o homem deve ter poderes sobre as mulheres.

Dados da ONU mostram que no Iêmen, no Kwait, no Sudão, no Barém, na Argélia e em Marrocos, o marido agredir a própria mulher não é crime. Na Faixa de Gaza, em 2011, 51% das mulheres sofreram com a violência doméstica. No Líbano, não existe punição para o marido que forçar a mulher a fazer sexo com ele.

Vítimas de agressões fotografaram o que representava o sofrimento

As fotografias foram resultado de um trabalho da ativista Dália Khamissy com dez mulheres que eram vítimas de violência extrema dentro de casa. Escondidas dos maridos, elas fotografaram aquilo que representava o sofrimento delas.

“Uma era casada com um ex-soldado, que usava nela e nos filhos os mesmos instrumentos de tortura que usava na guerra”, conta a fotógrafa e ativista Dália Khamissy.

A foto que mais impressionou Dália, foi a de um chuveiro. Depois de ser violentada pelo marido, a mulher desmaiava, e era arrastada até o chuveiro. Quando acordava, apanhava mais.

“Se um marido descobre que a mulher está tendo um caso, ele tem direito de matá-la. Mas se ela descobre que ele está tendo um caso e mata o marido, ela é condenada à prisão perpetua ou morte por enforcamento”, conta Tania Saleh, cantora.

Mulher perdeu virgindade após ser abusada por dois homens

Aisha não mostra o rosto porque tem vergonha. Foi abusada sexualmente por um amigo do pai e por estranhos.

“Eu dei talvez cinco, ou seis goles da bebida que me ofereceram e apaguei. Não lembro de nada. Acordei no dia seguinte, nua, com os dois homens do meu lado, também nus. Então eu descobri que tinha perdido a virgindade”, lembra Aisha.

Anos depois, Aisha foi atacada na saída do banheiro de um restaurante.

“Quanto mais eu gritava, mais ele me batia”, conta Aisha.

No fim, o estuprador ainda se sentiu no direito de dar uma lição de moral na vítima.

“Ele disse que se eu fosse irmã dele ele teria me matado, porque eu estava fora de casa àquela hora da noite”, diz Aisha.

Aisha não foi à polícia porque teve medo.

Vítimas de estupro podem ser presas por adultério

Na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes e no Sudão, vítimas de estupro que procuram a polícia podem ser presas, por adultério.

E, no Egito, dados da ONU mostram que desde a queda do ditador Hosni Mubarak em 2011, mais de 90% das mulheres foram expostas a algum tipo de assédio sexual.

Brasileira conviveu por dois anos com rotina de agressões no Líbano

A brasileira Sheila tem duas filhas com um libanês. Depois de dois anos vivendo em uma rotina de agressões no Líbano, voltou ao Brasil e se separou do marido.

“Quando você não sofre violência do seu marido, quem te agride fisicamente são cunhados, são primos, são outras pessoas da família que têm a liberdade de te corrigir”, explica a professora Sheila Ali Ghazzaoui.

Consulado brasileiro alerta mulheres brasileiras que pensam em se casar no Líbano

Problemas como esse têm sido tão frequentes, e graves, que o Consulado do Brasil em Beirute resolveu fazer uma cartilha, um alerta para as mulheres brasileiras que pensam em se casar com libaneses e se submeter às leis extremamente patriarcais do Líbano.

“É saber exatamente onde vai pisar. As diferenças culturais, as diferentes jurídicas. Se tem violência doméstica, com agressão física ou não”, conta o cônsul-geral adjunto em Beirute Luiz Eduardo Pedroso.

Com um simples telefonema às autoridades de imigração, o marido pode impedir a mulher de deixar o país. E frequentemente o consulado recebe brasileiras pedindo ajuda para voltar para casa.

“Se o marido não botou o nome no aeroporto, há uma maneira de tirá-la daqui, mas tem que ser feito de forma discreta, etc e tal. Se ficar jogando aos quatro ventos o marido fica sabendo, no dia seguinte põe o nome, e ela não sai”, explica Luiz Eduardo Pedroso.

Cônsul do Líbano em SP diz que país não trata mulheres de forma diferente

O cônsul-geral do Líbano em São Paulo diz que o país não trata as mulheres de forma diferente de outros países.

“Nós temos casos de violência doméstica, e até mesmo de estupros dentro e fora das famílias, mas não é nada alarmante. Neste ano, foi aprovada uma nova lei que protege as mulheres contra a violência doméstica que nós estamos implementando”, afirma cônsul-geral do Líbano em São Paulo Kabalan Frangie.

Libanesas se cansaram de ficar em silêncio

Mas as libanesas se cansaram de ficar em silêncio. Recentemente, mais de cinco mil mulheres, apoiadas por algumas centenas de homens, fizeram uma corrida pelas ruas de Beirute para reclamar mais espaço na sociedade.

E entre as corredoras-ativistas, a deputada que resolveu fazer da luta pelos direitos da mulher uma bandeira para concorrer à presidência do Líbano.

“Ainda vivemos em uma sociedade que tem uma mentalidade patriarcal, feudal e machista, com muita discriminação”, afirma a deputada Nadine Moussa.

Nadine lembra que ela é uma das quatro mulheres entre 124 homens no parlamento.

“Mulheres ainda não são levadas a sério nesse país”, diz a deputada.

Deputada promete insistir na luta pelos direitos da mulher no Líbano

Mas Nadine promete insistir nas próximas eleições. Aisha fala dos abusos sempre que pode, para expulsar o fantasma. Naíma dança com orgulho. E as ativistas correm contra as leis, contra o machismo e contra o tempo, fazendo o possível para chegar logo ao século XXI.


Fonte: Fantástico / G1

Portadores do HIV têm mais defesa contra a gripe A

Estudo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), publicado hoje (30) na revista científica Plos One, mostra que pessoas infectadas pelo vírus HIV são menos suscetíveis ao vírus H1N1, causador da gripe A. É como se o HIV se protegesse para que aquele organismo não fosse infectado por outro vírus, que iria competir com ele pela mesma célula, explicou à Agência Brasil o pesquisador Thiago Moreno.

“Durante a pandemia de 2009, foi surpreendente observar que indivíduos infectados pelo HIV não tiveram uma maior gravidade quando infectados pelo H1N1. É surpreendente porque, pela condição deles de imunocomprometimento devido à infecção pelo HIV, era esperado o contrário, que foi o que ocorreu com outros indivíduos imunocomprometidos, como os portadores de câncer e os transplantados”, disse o pesquisador.

Os estudos sugerem que o efeito da pandemia em indivíduos infectados pela aids não foi diferente do observado na população em geral. A explicação científica é que o HIV, ao responder à defesa da célula que ele ataca, usa uma proteína (IFITM3) capaz de inibir a replicação do vírus H1N1. Com isso, a capacidade do influenza de infectar as células é prejudicada.

Após constatarem o efeito do HIV sobre a replicação do vírus influenza, os pesquisadores querem agora detectar qual é o efeito do influenza sobre o vírus da aids. Testes são feitos no IOC. Thiago Moreno admitiu que a ideia, no futuro, é buscar novos tratamentos para a gripe.


Fonte: Agência Brasil

Lançamento da cartilha ‘Folhas e Raízes – Resgatando a medicina tradicional Tupi-Guarani’

Como colocou o pajé Guairá, a cartilha "Plantas e Raízes: Resgatando a medicina tradicional Tupi-Guarani” fala da "medicina do mato”, aquela que os indígenas Tupi-Guarani aprenderam com a natureza e Nhanderú e que vem sendo transmitida de geração em geração. Mas que, nos últimos tempos, anda meio esquecida especialmente pela geração mais jovem.

De acordo com a Comissão Pro Índio de São Paulo, a cartilha Ywyrá Rogwé/ Ywyrá Rapó: Djaroypy Djiwy Nhanémoã Nhanderekó, em Tupi Guarani, atende a um anseio colocado à pelos professores indígenas da aldeia Piaçaguera (também conhecida como Ywy Pyaú), Luan Elísio Apyká e Dhevan Pacheco: publicar o resultado do trabalho que realizaram com seus alunos com o apoio dos txeramoi e das txedjaryi (mais velhos).

"Há alguns anos uma das crianças de nossa escola sentiu dor de barriga durante uma das aulas. Não tínhamos remédios para ajudar e ninguém para ir buscá-los na cidade. Sem saber o que fazer lembramos que nhimbogwé wá regwá (Marcelinha) era usada antigamente para dor de barriga. Fizemos o chá com a planta e a criança melhorou. Depois disso pensamos: na nossa aldeia há uma ‘farmácia natural’, não há motivos para dependermos somente dos remédios dos brancos e sempre correr atrás da Sesai (Secretaria de Saúde). Ainda mais que nossos pais e os mais velhos sempre usaram as plantas medicinais. Começamos, então, um projeto na escola durante as aulas de Tupi para que esse conhecimento fosse ‘resgatado’. Fizemos um convite para os mais velhos – cada semana vir um mostrar aquilo que sabia aos alunos da escola, que não conheciam nada das plantas, e mesmo os seus pais estavam esquecendo. E ao invés de levarmos as plantas para a sala de aulas, organizamos para as crianças acompanharem os mais velhos até elas, assim elas saberiam onde estão essas plantas. É o primeiro material produzido por nós a ser publicado dessa forma” , Luan Apiká e Dhevan Pacheco.

A iniciativa visa a resgatar e valorizar o conhecimento tradicional dos indígenas. Lembrar os mais jovens da sabedoria dos Tupi-Guarani. E instigá-los a procurar os txeramoi e as txedjaryi e conhecer mais sobre a "medicina do mato”. De acordo com os organizadores, não se trata de um catálogo exaustivo das plantas conhecidas pelos Tupi-Guarani e, sim, uma pequena amostra de um vasto conhecimento, um ponto de partida para o aprendizado e reflexão.

O conteúdo da cartilha é produto de um trabalho coletivo dos professores, seus alunos, das pessoas mais velhas da aldeia Piaçaguera e da equipe da Comissão Pró-Índio de São Paulo. O papel da Comissão foi auxiliar na edição do material, promover o registro fotográfico das plantas e viabilizar o projeto gráfico construído pela equipe de designer juntamente com os índios, atividades realizadas com o apoio financeiro de Christian Aid, DKA Áustria e Size of Wales.

A Terra Indígena Piaçaguera

A Terra Indígena Piaçaguera, no litoral sul de São Paulo, é morada de cerca de 250 índios Tupi-Guarani. Distribuídos em cinco aldeias eles ocupam uma área de 2.790 hectares no município de Peruíbe. Piaçaguera foi declarada como terra indígena pela Funai em 2011, porém, até maio de 2014, o processo de demarcação ainda não havia sido concluído sendo necessária ainda a retirada dos ocupantes não – indígenas pela Funai (Fundação Nacional do Índio).

A demora na conclusão da demarcação é apenas um dos muitos problemas enfrentados pelos Tupi-Guarani em Piaçaguera. A terra é um território extremamente vulnerável pela proximidade da área urbana, pela existência de uma estrada de uso intenso, pelo fluxo de turistas e pelos impactos causados por mais de 50 anos de atividade minerária no interior de suas terras. Os Tupi-Guarani buscam alternativas para viver da forma que consideram ideal em um ambiente sujeito a muitas pressões e ameaças. A produção dessa cartilha faz parte dessa busca.


Fonte: Adital

Twitter Facebook Favoritos

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Facebook Themes