segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Tráfico de pessoas: aumento número de crianças vítimas desse tipo de escravidão moderna

Uma em cada três vítimas do tráfico de pessoas é um menor, alerta a Organização das Nações Unidas contra a Droga e o Delito (Unodc, por sua sigla em inglês) no informe global 2014 sobre o tema. O documento, que analisa a situação mundial do tráfico de pessoas de 2010 a 2012, aponta que o problema se apresenta de forma mais grave na África e Ásia Meridional e Oriental, onde a maior parte das pessoas objeto de tráfico são crianças. No continente americano, também houve aumento no número de menores vítimas dessa forma contemporânea de escravidão, principal nas regiões norte e central.

O Relatório Global 2014 sobre Tráfico de Pessoas mostra um aumento de 5% em comparação com o período 2007-2010. As meninas são duas em cada três crianças vitimadas e, em conjunto com as mulheres, representam 70% das vítimas do tráfico total no mundo inteiro. Além disso, mais de 2 bilhões de pessoas não estão devidamente protegidas contra o tráfico de seres humanos pela legislação de seus países, diz o relatório. Em algumas regiões – como a África e o Oriente Médio – o tráfico de crianças representa 62% das vítimas.

Não existe mais nenhum país isento desse crime. Pelos 152 são países de origem e 124 são receptores do tráfico de pessoas, afetando principalmente as nações industrializadas. Há variações regionais em relação aos trabalhos realizados pelas vítimas. Na Europa e Ásia Central, predomina a exploração sexual, enquanto que na Ásia Oriental e no Pacífico elas são usadas para o trabalho forçado. Este último tipo – incluindo os setores industrial e da construção, trabalho doméstico e produção têxtil – aumentou continuamente nos últimos cinco anos. Cerca de 35% das vítimas de tráfico detectadas para trabalhos forçados são mulheres.

A impunidade segue sendo um problema, com 40% dos países informando que pouco ou nada condenam os criminosos. O diretor executivo da Unodc, Yuri Fedotov, assinalou que a informação oficial recebida para a confecção do informe representa apenas o que foi detectado, indicando que a escala dessa forma de escravidão moderna é muito pior do que se supõe.

"Mesmo que a maioria dos países criminalize o tráfico, muitas pessoas vivem em países com leis que não estão em conformidade com as normas internacionais, que lhes proporcionariam proteção integral, como o Protocolo de Tráfico de Pessoas”, disse Fedotov. "Isso precisa mudar”, acrescentou. "Cada país precisa adotar a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional e o protocolo, e comprometer-se com a plena implementação das suas disposições.”

Para ter acesso ao relatório (em inglês), clique aqui.


Fonte: Adital

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