segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Nobel da Paz: ‘O mundo continua ameaçado por 16 mil lideranças nucleares’

Os participantes da XIV Conferência Mundial de Prêmios Nobel da Paz, em Roma, Itália, expressaram, em um documento final, sua "profunda preocupação pelos riscos crescentes de uma guerra, também nuclear, entre as grandes potencias" do mundo.

Esse evento congregou, nos último fim de semana, na capital italiana, 12 Prêmios Nobel da Paz e diversas organizações internacionais e humanitárias em homenagem ao ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, falecido no ano passado.

Em um documento conjunto lido pela ativista liberiana Leymah Gbowee, no Campidoglio, sede do Ajuntamento romano, os participantes alertaram para os riscos bélicos existentes no âmbito internacional.

Assim, expressam sua "profunda preocupação pelos crescentes riscos de uma guerra, também nuclear, entre as grandes potências. Um risco provocado pela persistente convicção de que se possa alcançar um objetivo mediante a força militar", alertaram.

Nesse sentido, criticaram que "o mundo continua ameaçado por 16 mil lideranças nucleares", afirmaram, ao alertar que os gastos militares do ano passado alcançaram 1,7 bilhões de dólares.

Os galardoados com o Premio Nobel ratificaram a petição do Papa Francisco de "abolir totalmente as armas nucleares" e coincidiram com ele em exortar as potências a "empreenderem o quanto antes uma negociação para tal finalidade".

Também condenaram o uso das "novas armas robóticas" e pediram a "suspensão imediata do uso de 'novas' armas indiscriminadas".

Mostraram ainda sua preocupação pelos conflitos em diversas partes do mundo como Síria, Iraque, Israel e Palestina, Afeganistão, Sudão do Sul e Ucrânia.

Este último, ademais, "ameaça a estabilidade na Europa e mina sua capacidade de exercitar um papel positivo" no plano internacional.

Também alertaram para o fanatismo religioso, que supõe "outra ameaça para a paz".

Além dos conflitos bélicos, os signatários se disseram "convencidos" de que esses "não são a única ameaça à segurança humana" e também advertiram sobre as consequências do efeito estufa, da mudança climática, da degradação do ecossistema, do "drama" dos 10 milhões de apátridas e dos 50 milhões de refugiados ou "dos crescentes abusos contra as mulheres e crianças".

Por último, se referiram à "inaceitável pobreza" que há que 2 bilhões de pessoas tenham que sobreviver com menos de dois dólares por dia e lamentaram o "crescente e insustentável" desemprego, "especialmente entre os jovens".

Ante essa situação, os participantes da Conferência disseram que é preciso "fazer tudo o que seja necessário para inverter essa perigosa tendência".

"Necessitamos de novas e substanciais ideias e propostas que ajudem à atual geração de líderes políticos a interromper a severa crise nas relações internacionais, restaurar um diálogo normalizado e criar instituições e mecanismos que satisfaçam as necessidades atuais", recomendaram.

O encontro congregou o Dalai Lama; o último presidente da União Soviética, Mikail Gorbachov; o arcebispo e herói contra o apartheid na África do Sul, Desmond Tutu, e o ex-presidente do Timor Oriental José Ramos-Horta.

Também a advogada iraniana Shirin Ebadi, a jornalista iemenita Tawakkul Karman, o ex-presidente polonês Lech Walesa e as ativistas Leymah Gbowee (Libéria), Joddy Williams (EUA) e Mairead Maguire, David Trimble e Betty Williams (Irlanda do Norte).


Fonte: Adital

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