segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Artigo - COP20: Brasil faz gol contra

Por Paulo Lima*

Dias antes de iniciar a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas em Lima, o Brasil, praticamente, marcou um gol contra e sai em desvantagem nas negociações que acontecem de 1º a 12 de dezembro de 2014.

No que se refere à matriz energética, por exemplo, no último dia 28 de novembro, foi realizado o último leilão de energia do ano, que contratou 4.936 megawatts (MW) de energia elétrica para abastecer o mercado a partir de 2019. Mais de 65% do total de energia à venda no leilão eram de solar, eólica e biomassa. No entanto, o resultado foi decepcionante, segundo avaliação do Greenpeace e outras organizações que atuam em defesa do desenvolvimento justo e sustentável. "De toda a energia contratada, somente 19% virá de fonte eólica e 12%, de biomassa. As fontes que tiveram destaque foram os poluentes carvão e gás natural, frustrando as expectativas de um horizonte renovável e sustentável”, diz Greenpeace em nota.

"O triste paradoxo é que, ao participar da COP no Peru, o governo brasileiro pretende referendar seu papel de líder global para a redução de emissões de gases de efeito estufa. Mas não faz sua própria lição de casa”, diz Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

Mais de dois terços de toda a energia contratada foram de usinas térmicas a gás natural e carvão (equivalente a 3.399 MW). Já a energia eólica, infelizmente, teve somente 926 MW contratados, de um total ofertado de 14.155 MW. A energia solar, por sua vez, não teve um megawatt sequer contratado, resultado pífio para a mais promissora das fontes energéticas. Parte desse resultado deve-se ao preço definido pelo governo ser pouco atraente para investidores.

Na avaliação de ambientalistas, a volta do carvão como energia "contratável” representa um grande retrocesso para o futuro energético do Brasil e revela a falta de visão e responsabilidade do setor com o futuro do planeta. O carvão é uma fonte de energia do século XVIII, com alto impacto socioambiental, além de ser o maior emissor de gases de efeito estufa. Assim como o gás natural, que também é uma fonte fóssil e poluente.

Outro ponto crítico e desfavorável ao Brasil é apontado pelos especialistas do Observatório do Clima, rede de organizações ambientalistas brasileiras. Como o Observatório do Clima apontou em seus recentes relatórios, a partir dos dados do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases do Efeito Estufa (SEEG), as emissões brasileiras aumentaram 7,8% em 2013, mesmo com o baixo crescimento apresentado pelo país no ano passado (2,6%).

E mais: entre 2012 e 2013, a Amazônia sofreu com o aumento da taxa de desmatamento em 29%, que interrompeu uma sequência de quase uma década de reduções significativas. No ano passado, as emissões associadas ao desmatamento subiram 16%, de acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases do Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima.

Nesse sentido, o Observatório do Clima "espera que o Brasil assuma uma posição condizente com aquilo que já apresentou em conferências passadas, alinhada com aquilo que se espera do país nesse momento importantíssimo das negociações climáticas”.


* Paulo Lima é Integrante da delegação brasileira na COP20


Fonte: Agência Jovem de Notícias / Adital

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