segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Americanos voltam às ruas em protesto contra assassinatos de negros pela polícia

Os nova-iorquinos voltaram às ruas nesse sábado (6) para denunciar uma série de assassinatos de homens negros desarmados por policiais brancos. Apesar da chuva forte, dezenas de manifestantes reuniram-se em Times Square e na Union Square, onde a multidão gritava "não consigo respirar".

"Não consigo respirar" foram as palavras finais, ditas repetidamente, por Eric Garner, de 43 anos e pai de seis filhos, que morreu em julho depois de ser estrangulado pela polícia.

Os protestos de sábado em duas praças centrais de Nova York ocorreram no momento em que a família e os amigos fizeram o funeral de Akai Gurley, de 28 anos, morto a tiro pela polícia nas escadas de um prédio em Brooklyn, onde estava com a namorada, no dia 20 de novembro. Dezenas de pessoas estiveram na Igreja Batista Brown Memorial, onde o caixão estava coberto por flores brancas e vermelhas.

O jovem de 28 anos, cuja mãe vivia na Flórida, estava planejando uma viagem-surpresa para o dia de Ação de Graças, para lhe apresentar a filha, quando foi morto.

Séculos de racismo motivam violência policial, diz prefeito de Nova York

O prefeito democrata de Nova York afirmou, neste domingo, que os recentes erros policiais que resultaram na morte de cidadãos negros nos Estados Unidos têm suas raízes em "séculos de racismo" no país.

"O problema é sistêmico e devemos falar com franqueza das dinâmicas raciais da nossa história", disse Bill de Blasio à emissora ABC. "Nossa polícia nos protege e, embora constatemos problemas há décadas, há uma história de séculos de racismo que explica esta realidade".

"Podemos deixar isso para trás. Em Nova York, uma nova formação para o conjunto das polícias fará diferença", destacou.

O prefeito, que é branco e cuja esposa e filho são negros, foi criticado por um sindicato de policiais de Nova York após ter explicado que instruiu seu filho, Dante, sobre os "perigos" potenciais em caso de interação com a polícia.

"Nós dissemos a ele: 'Olha, se um policial detém você, faça tudo o que ele pedir, não faça gestos bruscos, não tente pegar seu celular'. Porque sabíamos, infelizmente, que estes gestos têm mais riscos de ser mal-interpretados quando feitos por um jovem negro", afirmou o prefeito.

"É diferente com um jovem branco, é a realidade deste país", insistiu.

Nova York e outras grandes cidades americanas têm sido palco de manifestações desde a quarta-feira, em reação à decisão de um júri popular de não levar a julgamento um policial branco, acusado de matar um afro-americano em Staten Island, ao sul de Manhattan, por asfixia. O fato, ocorrido em julho, foi filmado.

O ex-presidente americano, George W. Bush, qualificou este vídeo de "muito preocupante": "avançamos muito sobre as questões raciais, mas estes incidentes mostram que é preciso fazer mais", declarou à emissora CNN.


Fonte: Agência Brasil / Correio Braziliense

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