segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Organizações lançam Aliança pela Água e estudo sobre a crise hídrica em São Paulo

O Instituto Socioambiental (ISA) e a organização Cidade Democrática lançaram, nesta quarta-feira, 29 de outubro, em São Paulo, o estudo Agua@SP e a Aliança pela Água. O objetivo das duas ações é contribuir para o enfrentamento do desabastecimento de água em São Paulo, o estado mais populoso do Brasil. São Paulo vive a maior crise hídrica de sua história. Mais de 60 municípios enfrentam a falta de água e o racionamento já atinge milhões de pessoas. Reservatórios e rios encontram-se em níveis críticos nas bacias dos rios Tietê e Piracicaba e as previsões climáticas para os próximos meses não são animadoras.

A crise da água no Estado de São Paulo pode ser atribuída a um conjunto de fatores: a) ênfase dos governos na retirada de mais água de rios e mananciais, e não no uso racional do recurso; b) desmatamento nas áreas de mananciais e poluição das fontes de água em quase todo o Estado; c) seca extrema, em especial no Sistema Cantareira; e d) pouco espaço para participação e falta de transparência quanto à gestão da água. Agravados por um outro fator: a resistência dos governos em tomar medidas mais firmes no ano eleitoral.

Em setembro de 2014, o Instituto Socioambiental (ISA) deu início ao projeto Agua@SP, com o objetivo de mapear atores e propostas que possam contribuir para lidar com a crise da água em São Paulo. O mapeamento foi realizado em parceria com a organização Cidade Democrática e contou com o apoio de 23 instituições, incluindo associações comunitárias, ONGs locais e algumas das maiores organizações ambientais do mundo.

Especialistas propõem 196 ações

A pesquisa contou com a adesão de mais de 280 especialistas de 60 municípios, que propuseram 196 ações de curto prazo e 191 de longo prazo, além de apontarem mais de 300. A ideia é que elas sejam discutidas com a sociedade, nos dois meses seguintes, e possam se desdobrar em um conjunto de ações concretas.

A Aliança pela Água é uma coalizão de organizações da sociedade civil para contribuir com a construção de segurança hídrica em São Paulo, por meio da coordenação das várias iniciativas já em curso e da potencialização da capacidade da sociedade de debater e executar novas medidas.

A Aliança propõe um jeito diferente de lidar com a crise: de forma compartilhada, com responsabilidades específicas, baseado no engajamento e no diálogo entre diferentes segmentos da sociedade e de governo. A finalidade é alcançar duas metas e cumprir uma agenda de ações.
  1. A primeira meta é de curto prazo: chegar a abril de 2015 em situação segura para enfrentar mais um período de estiagem.
  2. A segunda, de longo prazo, pretende implantar um novo modelo de gestão da água, que garanta um futuro seguro e sustentável para os moradores de São Paulo (estabilidade social, econômica e ambiental).
Além disso, a Aliança apresenta 10 ações de curto prazo e 10 de médio e longo prazos com recomendações para o governo federal, estadual e os municípios.

Durante o evento, foram também apresentadas iniciativas da sociedade civil como: Campanha Cisternas Já, o Movimento Água para São Paulo (The Nature Conservancy), ações de restauração florestal na Cantareira (desenvolvidas pelo IPÊ) e o filme Volume Vivo, que trata da crise da água de 2014.


Fonte: Instituto Socioambiental - ISA / Adital

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