segunda-feira, 23 de junho de 2014

Prêmio para feministas de destaque terá o nome da escritora Rose Marie Muraro

A ministra de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, informou que, na última semana deste mês de junho, 27, será lançado o Prêmio Feministas Históricas para contemplar as mulheres que se destacaram da luta pelos direitos das mulheres e hoje têm mais de 75 anos. O prêmio, uma parceria entre a Secretaria de Políticas para as Mulheres e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, receberá o nome da escritora e feminista brasileira Rose Marie Murado, falecida neste sábado, 21, em decorrência de câncer.

Na cerimônia em homenagem a Rose Marie, durante o enterro no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro, no domingo, 22, a ministra demonstrou tristeza pela perda da escritora, dizendo que ela se foi, mas deixou o exemplo de sua vida. "Estou triste porque perdi uma amiga, porque sou amiga dela há muito tempo, e uma companheira, pelas mulheres terem perdido, e pelo Brasil ter perdido esta grande mulher.” Eleonora ressaltou o legado de Rose Marie com a publicação do livro "Sexualidade da Mulher Brasileira - Corpo e Classe Social”, que considera um marco em uma questão fundamental, que é a relação de classe social e sexo.

"Foi uma pesquisa feita no Nordeste e no Sul e foi um marco. Como "O Segundo Sexo” (livro da escritora e feminista francesa Simone de Beauvoir), [a obra de Rose Marie] foi um marco. Aquele livro foi um marco também, porque cruza a discriminação de sexo, de gênero, com classe social, e ela mostra que as mulheres pobres e trabalhadoras deste país sofrem muito mais a discriminação sobre o corpo e a sexualidade”, ressaltou a ministra.

Para a ministra, uma forma de homenagear a escritora é lutar para que as mulheres tenham o mesmo direito dos homens em todas as esferas da sociedade, com trabalho e salários iguais. "Que a gente melhore a vida das mulheres dentro e fora de casa e, sobretudo, que a luta das mulheres seja uma luta junto com a consolidação da democracia brasileira. E não termos medo das escolhas que cada uma faz”, completou.

Rose Marie Muraro participou do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher desde a sua criação, em 1985, e só se afastou, em 2012, por causa do tratamento do câncer.


Fonte: Agência Brasil / Adital

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