segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Comunidade quilombola recebe certificado da Fundação Cultural Palmares

Foram 160 anos de luta por reconhecimento até que, neste ano — pouco mais de um século após a criação da Lei Áurea —, 120 famílias formadas por filhos, netos, bisnetos e tataranetos de escravos passaram a existir oficialmente para o Brasil. A comunidade remanescente de quilombo (CRQ) Sumidoro, distante 12km do município goiano de Padre Bernardo, foi um dos últimos grupos a receber o certificado da Fundação Cultural Palmares.

O documento é uma espécie de Carteira de Identidade e comprova que, naquela região, vivem descendentes de negros, cujas vidas foram marcadas pela escravidão. O título é o primeiro passo para que, finalmente, a colônia tenha acesso a políticas públicas e saia do esquecimento e do abismo social. A comunidade sabe que é apenas o início de uma grande jornada para que as tradições de seus antepassados se perpetuem.

Dona Benedita Pereira da Silva Rocha faz parte das primeiras gerações do povoado. Aos 101 anos, ela é a mais velha quilombola da região, mas prefere esconder quantas primaveras viveu. Diz ter 90 e poucos anos. Bita Toca, como é conhecida, traz na pele os sinais dos longos anos que passou sob o sol arando o solo com uma enxada. Hoje, longe da terra, ela sente saudades de roçar. Ao recontar as histórias da época, o olhar da nativa mira ao longe. “A nossa terra é fértil. Plantei arroz, feijão, algodão, açafrão, cana caiana. Nos ‘enfarturamos’ muito. Fazia farinhada grande e beiju”, relembrou.

Senzalas

Apesar da idade avançada, a centenária mantém frescos parte dos relatos que ouviu dos antepassados. A descendente de escravos guarda na memória um dos momentos mais assustadores presenciados por ela. Aos 13 anos, lembra-se de uma revolta que derramou sangue pelo território quilombola. “Em 1925, eu avistei gente armada andando a cavalo. Nós não nos mexíamos. Se a gente abrisse o bico, eles atiravam em nós. Eles matavam à toa. Eu vi gente morta, ué. Tiravam a vida de vacas também para comer e iam embora. Era um povo bonito, estrangeiro e até bom de prosa. Tinham carros cheios de fuzis. Tive muito medo”, relatou a remanescente.

Mais informações no site do jornal.


Fonte: Correio Braziliense

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