segunda-feira, 8 de julho de 2013

Os perigos de deixar a criança sozinha em casa

Pediatras e especialistas em comportamento infantil fazem seus alertas quanto aos graves riscos de se deixar um filho sozinho em casa. Por isso, recomendam o seu acompanhamento - bem de perto - até os 14 anos.

Apesar dessas indicações, muitas vezes a rotina dos pais não permite cuidados permanentes aos menores. Tais desatenções ou ausências são os fatores responsáveis por sérios acidentes domésticos e diversos tipos de lesões (mesmo que não-intencionais) que configuram o principal motivo de morte de crianças e pré-adolescentes na faixa de 1 a 14 anos.

É bom lembrar que, mesmo naqueles casos em que os pais acreditam que a criança "pode se virar sozinha", ela pode ser surpreendida por situações de risco que não consegue administrar.

Principais riscos

A pediatra Thatiane Mahet afirma que os principais perigos são: asfixia (sobretudo em crianças menores), intoxicação com produtos de limpeza ou drogas, queimaduras com forno e fogão e quedas.

Analisando esses riscos sob o aspecto comportamental, a psicóloga Cláudia Puntel - que atua, entre outros segmentos da área, como Terapeuta de família - explica: "O principal risco é atribuir a uma criança responsabilidades acima de sua capacidade". Segundo ela, essa sensação de não saber lidar com determinado perigo pode se tornar algo traumático para a criança.

Por sua vez, a também psicóloga Juliana Allegretti menciona os acidentes que podem se tornar fatais, como um traumatismo craniano causado, por exemplo, por um simples tropeção em piso molhado na hora do banho. Ela lembrou também os casos de intoxicação por ingestão de plantas venenosas.

Com qual idade a criança pode começar a ficar sozinha?

Thatiane Mahet - que fez residência médica em Pediatria pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e convive com vários casos bem de perto - acredita que "isso varia de criança para criança, dependendo do quão amadurecida é cada uma em particular". Ela mede o período: "Minha indicação é a partir dos 14 anos, levando em consideração, porém, que algumas crianças, mesmo nessa idade, ainda não têm responsabilidade e, portanto, não devem ainda ficar sozinhas".

Já Cláudia Puntel - que possui especializações na área pelo Instituto de Trieste - Itália - aconselha: "Isso pede um treinamento gradual de tomada de autonomia. Existem pais que, por volta dos 12 anos de seus filhos, ainda acham um absurdo a criança ir até uma padaria comprar sorvete; outros apoiam que, nessa mesma idade, façam uso do fogão! O fato é que na pré-adolescência esse treinamento precisa ser intensificado, com testes graduais".

Exigindo, em regra, menos idade para a suposta responsabilidade, Juliana Allegretti acredita que crianças a partir de 10 anos, em alguns casos, já podem ser deixadas sozinhas. Contudo, segundo ela, é importante avaliar essa maturidade individualmente, já que fica difícil generalizar essa "capacidade de independência".

Treinando o hábito da independência
Juliana Allegretti orienta, ainda, as mamães de plantão: "Uma dica, a propósito, é fazer um 'test drive': comece deixando seu filho meia hora sozinho; depois, por uma hora. E, ao retornar a casa, veja se ele seguiu suas orientações e conseguiu se virar bem. A partir disto, vá fazendo as adaptações que considerar necessárias e analise as habilidades que precisam ser trabalhadas e ele ainda não possui. Depois é só ir aumentando esse tempo".

Para identificar essas habilidades por parte da criança, a pediatra Thatiane Mahet é taxativa: "O ideal é que a criança seja educada antes de ficar sozinha, ou seja, ela precisa fazer tudo com supervisão inúmeras vezes até o estágio de ficar realmente só". A médica indica - nos primeiros meses de acompanhamento - uma verificação de no mínimo uma vez ao dia.

E nos casos de crianças que apresentem déficit de atenção e (hiper)atividade?
Cláudia Puntel acredita que alguns desses casos sejam realmente complexos, já que o DDA apontaria para "um nó na circunstância da autonomia", porque a criança quer fazer algo, mas muitas vezes se perde no meio da atividade, segundo ela. A psicóloga revela que, nesse sentido, já teve relatos perigosos de esquecimento, mas que, ainda assim, a criança precisa evoluir e não ser vista como incapaz.

Juliana Allegretti dá a sua visão: "É sempre perigoso manter uma criança sozinha; ela é naturalmente curiosa, independente de ter DDA ou não. Assim, em qualquer caso, além de orientar os filhos, é preciso que os pais não se descuidem de aspectos materiais que podem passar despercebidos". A psicóloga refere-se a elementos presentes na rotina que podem causar acidentes graves, como: tomadas e fios desencapados, medicações e produtos com fácil acesso, armas dentro de casa, gás ligado, etc.

Como garantir a segurança dos "pequenos"
Thatiane Mahet também é objetiva quanto a isso: "O principal cuidado é o não-uso de fogo e fogão, pois é aí que ocorre a maioria dos acidentes domésticos". A pediatra destaca outra medida preventiva: deixar tudo facilmente acessível para as crianças, a fim de que elas não precisem subir aqui e ali (evitando-se, assim, possíveis quedas). Ela lembra, ainda, que um cuidado decisivo é jamais deixar a criança trancada em casa; é preciso garantir a sua fácil movimentação, como no caso de um incêndio, por exemplo.

Para Juliana Allegretti, a possibilidade de se manter a criança "ocupada" com uma lista de atividades pode ser muito útil, pois isso evita a ociosidade e, em consequência, não permite que as crianças exercitem atividades cotidianas de maior risco. A psicóloga também dá dicas aos pais sobre o que fazerem no momento de deixarem seus filhos sozinhos pela primeira vez. Veja:

Além do carinho da mamãe, do papai e de toda a família, podem ser observadas estas regrinhas valiosas:

- Deixar comida pronta para que a criança não corra o risco de se queimar mexendo no fogão (como destacado também pela pediatra e por Cláudia Puntel). Desligar o gás pode ser interessante;

- Deixar uma lista de contatos telefônicos importantes: como o dos próprios pais, de um vizinho, de familiares, polícia e bombeiros;

- Avisar alguma pessoa de sua confiança e/ou familiar que a criança ficará sozinha;

- Orientar a criança para não abrir a porta caso alguém apareça e nunca dizer que está sozinha (isto serve também para os possíveis telefonemas que receber de pessoas estranhas);

- Providenciar proteção devida em escadas e janelas;

- Pedir para a criança repetir em voz alta as regras estabelecidas e orientações para certificar-se de que, realmente, entendeu tudo;

- Deixar uma lista de afazeres para que a criança se mantenha ocupada e saiba exatamente o que deve ser feito.


Fonte: Yahoo! Notícias

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