quinta-feira, 3 de novembro de 2011

UnB cria ferramenta contra exploração sexual de jovens

TRAJETÓRIA SOCIAL DA CRIANÇA E DO(A) ADOLESCENTE EM SITUAÇÃO DE EXPLORAÇÃO SEXUAL
28 de Abril - Brasília - Brasil 


Uma pesquisa da Universidade de Brasília propõe uma metodogia humanista para amparar crianças e adolescentes submetidos à exploração sexual. O projeto, coordenado pelo Grupo de Pesquisa sobre Violência, Exploração Sexual e Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes (Violes/UnB), tinha três objetivos principais: comprovar indícios de prostituição infantil entre meninos e meninas que vivem na Rodoviária do Plano Piloto e no Setor Comercial Sul, promover oficinas para melhorar a qualidade de vida dos jovens já durante o período de estudo de campo e criar um grupo de trabalho para ensinar o método de atendimento a assistentes sociais de todas as instituições ligadas à infância no Distrito Federal.

A pesquisa, iniciada em dezembro 2008, contou com a participação de 15 estudantes do curso de Serviço Social e os resultados foram apresentados nesta quarta-feira, dia 28, na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do DF. O grupo estudou a história de 23 meninos e meninas entre 13 e 24 anos, com indícios de exploração sexual. A prostituição infantil foi confirmada em 12 dos casos.

“Mas não queríamos apenas coletar dados. O mais importante é mudar a realidade deles”, explica a professora Maria Lúcia Leal, orientadora da pesquisa. A criação de oficinas de idiomas, informática e música é um dos pontos fortes da metodologia, que tem como foco a promoção de atividades que aumentem a confiança dos adolescentes no pesquisador e abram um leque de oportunidades para jovens no campo profissional.

Os alunos perceberam que os jovens explorados sexualmente tinham em comum a violência física sofrida em casa, uso de drogas por parte dos pais, temporadas em abrigos e família de origem rural. As crianças e adolescentes participantes passaram a receber bolsa de R$ 300 mensais concedida pelo Violes. Metade do grupo foi integrada no projeto Vira Vida, criado pelo Sistema S (Sesi, Senai, Senac, Sesc e Sebrae) para formação profissional e inclusão dos adolescentes no mercado de trabalho. Outra metade continua nas ruas. “Foi um trabalho de persistência, pois eles estavam muito descrentes que alguma mudança poderia ocorrer”, recorda a aluna do oitavo semestre de Serviço Social, Lorena Fernandes.

AUDIÊNCIA PÚBLICA –
Representantes de organizações não-governamentais e instituições públicas compareceram ao evento. “Essa pesquisa tem um ineditismo muito grande. As crianças e adolescentes pesquisadas deixaram de ser um simples número para se tornar sujeito. É preciso trabalhar para que as políticas públicas não esmaguem a individualidade”, afirma a presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputada Érika Kokay (PT), que pretende enviar os resultados do estudo ao governador Rogério Rosso. A ideia é tranformar a pesquisa em políticas públicas.

A maioria dos convidados do evento reclamou da falta de comunicação entre os institutos de apoio às crianças e aos adolescentes e da falta de incentivo público. “Nossa demanda é enorme e os Estado não se importa com as crianças e adolescentes que moram na rua. Ele se preocupa apenas em tirá-los da Rodoviária”, reclama Cláudia Brito, presidente da ONG Transforme, que lida com jovens dependentes químicos.

Durante o evento, alunos da UnB que participaram da pesquisa leram relatos de jovens que foram vítimas de violência e abuso sexual por parte de policiais. A delegada titular da Delegacia de Proteção a Criança e do Adolescente, Gláucia Cristina Ésper, lembrou a importância da denúncia. “Temos que ir nas ouvidorias e corregedorias para denunciar esses policiais. O anonimato está garantido”, enfatizou. A deputada Érika Kokay lembrou, no entanto, que várias denúncias já foram encaminhadas ao Ministério Público do DF e à Secretaria de Segurança, mas nada foi feito. “Muitos dos policiais nem sequer foram tranferidos da Rodoviária para outro local”, protesta.

Um dos encaminhamentos da audiência pública foi a criação de um grupo de trabalho para manter em prática a metodologia humanista de atendimento aos jovens criada pelo Violes. Em paralelo a isso, os resultados da pesquisa passarão a também ser apresentados em forma de peça teatral. A primeira apresentação de "A Trajetória X" está prevista para ocorrer dia 17 de maio, às 19h, no Museu da República.

Fonte: UnB Agência

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