quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Mulheres Brasileiras na Conexão Ibérica: um estudo comparado sobre migração irregular e tráfico

MULHERES BRASILEIRAS NA CONEXÃO IBÉRICA: UM ESTUDO COMPARADO SOBRE MIGRAÇÃO IRREGULAR E TRÁFICO
06 e 07 de Abril - Brasília - Brasil

Pela primeira vez no Brasil, um estudo traçará diagnóstico sobre os problemas de saúde, as condições sociais e econômicas das vítimas do tráfico internacional de mulheres. A pesquisa será realizada pela Universidade de Brasília, em parceria com a Universidade Complutense, na Espanha, e a Universidade de Coimbra, em Portugal. As duas cidades européias são os principais pontos de entrada de brasileiras ilegais na Europa.

O projeto será concluído até o fim de 2009, com um investimento inicial de R$ 50 mil feito pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico."Este é um problema grave, agudo. Resgatar essa dimensão do humano é o principal sentido desse programa que estamos desenvolvendo", ressaltou o reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Jr., que assinou o protocolo de intenções para a parceria na terça-feira, 7 de abril.

Os pesquisadores da UnB entrevistarão mulheres que retornaram ao Brasil depois de viverem como prostitutas na Europa. As outras duas instituições buscarão informações sobre as brasileiras que moram na Espanha e em Portugal. O levantamento detalhará como elas vivem, o que as motivou para a viagem e a interferência das condições socioeconômicas para a decisão.

“Queremos entender a situação real de vulnerabilidade delas, na perspectiva de promover o debate sobre políticas de proteção e de cidadania”, afirma a coordenadora do estudo no país e professora do Departamento de Serviço Social da UnB, Maria Lúcia Pinto Leal.

BOLSA-PESQUISA

Outra novidade no procedimento da pesquisa é a participação direta de três prostitutas de Goiânia (GO). Elas ajudarão a encontrar outras mulheres que viveram situações de exploração. Para tanto, receberão bolsa de pesquisa no valor de R$ 500. Uma destas mulheres é G., de 29 anos. “Conheço onde elas estão. Queremos saber quanto receberam, se foram exploradas, se sentiram ou passaram medo”, diz.

Os números sobre o tráfico internacional não são precisos, mas estimativas dão conta de que pelo menos 2,4 milhões de pessoas são traficadas por ano. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), as redes criminosas lucram até R$ 20 mil por ano com cada imigrante ilegal.

Diferente da realidade dos demais países, as redes brasileiras de tráfico não se assemelham a grandes organizações criminosas. O aliciamento ocorre por meio de amigas, parentes ou vizinhas. De acordo com Maria Lúcia Pinto Leal, isso torna quase invisível a figura do traficante e dificulta a responsabilização dos criminosos.

A pesquisadora explica que, em geral, as meninas estão cientes de que trabalharão como prostitutas, mas nem sempre são informadas das condições em que a atividade vai se realizar. “Fui na esperança de buscar dinheiro, sabendo que eu ia me prostituir. A exploração é muita. Se numa noite a menina faz 500 euros, metade fica lá, a gente não consegue trazer para o Brasil”, diz I., uma das bolsistas que ajudará nas entrevistas.
OFICINA

Os aspectos social e econômico associados ao tráfico de pessoas foram abordados pelos especialistas em oficina realizada na UnB na segunda-feira, dia 6. O procurador de Justiça Wanderlino Nogueira, do Estado da Bahia, considera essencial conscientizar as mulheres.  “Só falamos de repressão e criminalização e deixamos de fora a ideia de que devemos empoderar as mulheres para que elas sejam suas advogadas e lutem por si mesmas”, diz Nogueira Neto. “É insuficiente a repressão, se não fizermos o trabalho de empoderamento das vítimas”, reforçou.
Na visão do ex-deputado federal Babá (PSOL/PA), que também participou do encontro, o aumento dos postos de trabalho evita o exôdo para o exterior. “Todas essas crises ao longo dos anos levaram a processos de empobrecimento e, por conseguinte, à tentativa de salvação e busca de emprego em outros países.”

Já o secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr., defende a necessidade de ações coercitivas para os que usam serviços sexuais. “Se não tiver aquele que consome, não vai ter como acontecer o tráfico de pessoas”, afirma.

Maiores informações sobre o evento através do telefone: (61) 3307-2290 (R. 204) ou através dos e-mails: violes.unb@gmail.comEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ou mlucia@unb.brEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

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