quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Metade dos meninos e meninas de rua já sofreu abuso sexual

TRAJETÓRIA SOCIAL DA CRIANÇA E DO(A) ADOLESCENTE EM SITUAÇÃO DE EXPLORAÇÃO SEXUAL
28 de Abril - Brasília - Brasil


Diversos pontos no coração da capital da República se transformaram em  vitrines da exploração sexual de crianças e adolescentes. Especialistas apresentaram, ontem pela manhã, durante audiência pública no Plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), uma pesquisa inédita sobre o tema, onde foi traçada a trajetória social de exploração sexual de meninos e meninas na Rodoviária do Plano Piloto e Setor Comercial Sul. Em um ano de estudo, o grupo de pesquisa sobre Violência, Exploração Sexual e Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes (Violes) da Universidade de Brasília (UnB) entrevistou pessoas entre 13 a 24 anos com indícios desses abusos e constatou que em mais de 50% dos casos as suspeitas foram confirmadas.

Debates e discussões sobre a questão, hora por parte de entidades engajadas, hora por autoridades e políticos, não faltam. Contudo, são encaradas como um lugar comum por boa parte da população. As soluções para o problema são conhecidas e apontam para uma mesma direção: a criação de políticas públicas de enfrentamento. Mas, enquanto isso não acontece, pessoas cada vez mais novas procuram abrigo nas ruas, onde o perigo é iminente.

Segundo a professora da UnB e coordenadora da pesquisa, Maria Lúcia Leal, as precárias relações sociais, de emprego, consumo nas famílias e a falta de proteção são pontos em comum entre esses jovens. "Observamos uma coisa interessante: a exploração sexual não foi permanente, isto é, notamos que não se tratava de uma questão cultural", esclarece. "Normalmente, a exploração sexual está aliada a outros problemas. O trabalho infantil é um deles, muito forte por sinal", completa.

A análise teve caráter qualitativo no sentido de subsidiar uma metodologia de intervenção eficiente. A iniciativa contou com o envolvimento de vários parceiros e terá continuidade por meio da criação de um Grupo de Trabalho (GT) para acompanhamento dos casos. Os integrantes estudam ainda a possibilidade de levar o documento ao conhecimento do Governo do Distrito Federal.

O coordenador de execução da pesquisa, Flávio Félix, revela que, no início do trabalho, a Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda do Distrito Federal (Sedest-DF) chegou a apontar a existência de cerca de cem crianças e adolescentes em "situação de rua" na Rodoviária e Setor Comercial juntos. "É provável que esse número seja três vezes maior hoje. Observamos também que ele só vem aumentando", afirma. "As políticas repressivas, em vez de ajudarem a inibir o problema, empurram mais indivíduos para essa situação", sinaliza.

Fonte: Clicabrasília

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