quinta-feira, 3 de novembro de 2011

II Colóquio sobre Tráfico de Seres Humanos

II COLÓQUIO SOBRE TRÁFICO DE SERES HUMANOS
19 de Agosto - Goiás - Brasil

O Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas de Goiás (NETP-GO) realizou, nesta quinta-feira (19), o II Colóquio sobre Tráfico de Seres Humanos, que terá foco no Tráfico para fins de remoção de órgãos e Tráfico para fins de trabalho escravo. O evento acontece no auditório da sede do Ministério Público do estado e reúne especialistas de todo o país.

"Quando se fala em tráfico de pessoas, pensa-se logo em exploração sexual, mas, é importante ressaltar que existem outras modalidades tão graves quanto essa, como é o caso do tráfico de órgãos, tráfico interno e tráfico para fins de trabalho escravo", explicou o coordenador do NETP-GO, Saulo de Castro Bezerra.
Para esclarecer a diferença de cada modalidade é que o Núcleo decidiu dividir o evento em duas edições. A primeira edição do Colóquio sobre tráfico de pessoas aconteceu em maio deste ano e abordou a temática da exploração sexual. Agora, este segundo Colóquio "é para diferenciar e evidenciar a existência destes tipos de tráfico", completou.
Para o debate sobre tráfico de pessoas com fins de remoção de órgãos, ele disse que foram convidados especialistas que darão um aspecto mais real sobre esse assunto, já que muitos vêem a questão apenas como uma fantasia, e não como realidade. "Queremos discutir sobre pessoas que compram órgãos de outros, sobre as pessoas que estão em necessidade (econômica) e vendem seus órgãos", esclareceu.

Segundo Saulo, durante todo o ano de 2009, 327 pessoas que trabalhavam em condições análogas à escravidão, foram resgatadas em Goiás. "Mas, apenas no primeiro semestre deste ano, o número de resgate já foi bem superior ao do ano passado", informou ele, refletindo sobre a aplicação das políticas de repressão à esta forma  de crime.

"Que legislação é essa que permite que um cidadão escravize outro, use dos instrumentos legais para se safar, continua com sua fazenda e fica tudo bem?", questionou. Ele comentou também sobre a dificuldade em dar assistência aos trabalhadores, vítimas da exploração laboral, que são resgatados, porque não existe um local de abrigo para atendê-los.

Saulo acrescentou que outro objetivo do evento é produzir material que sirva de base para a adoção de medidas de enfrentamento em todo o país, pois, a falta de políticas nacionais para tratar do tráfico de seres humanos, tem dificultado o enfrentamento e prevenção do crime. "Tentamos fazer um trabalho em nível nacional e não apenas ações pontuais. A articulação seria muito interessante", disse.

Um exemplo da falta de políticas nacionais, segundo Saulo, acontece quando é registrada a presença de garotas de estados do Nordeste, que são exploradas sexualmente em Goiás, e eles não conseguem entrar em contato com as autoridades destes estados de origem para resolver a questão.

A partir do conteúdo dos colóquios, que estão sendo gravados, serão elaboradas cartilhas, revistas, DVDs e outras mídias, a fim de servir de subsídio para as políticas e os programas de enfrentamento e prevenção ao tráfico e atendimento às vítimas. A revista já deve ser lançada em novembro deste ano.

Fonte: Adital

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