segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Artigo - Violência não é fruto da pobreza, mas colheita da desigualdade social


Por: Paulo Maurício Machado


LIMPE VOCÊ MESMO O SEU BANHEIRO

A sociedade holandesa tem dois pilares muito claros: liberdade de expressão e igualdade.

Claro, quando a teoria entra em prática, vários problemas acontecem. Há censura e desigualdade, em alguma medida, mas esses ideais servem como Norte na bússola social holandesa.

Um porteiro na Holanda não se acha inferior a um gerente. Um instalador de cortinas tem tanto valor quanto um professor “doutor”. Todos trabalham, levam suas vidas normalmente e cada profissão é tão digna quanto a outra.

Fora do expediente, nada impede de sentarem-se todos no mesmo bar e tomarem suas Heinekens juntos. Ninguém olha pra baixo e ninguém olha por cima.

A profissão não define o valor da pessoa – trabalho honesto e duro é trabalho honesto e duro, seja cavando fossas na rua, seja digitando numa planilha em um escritório com ar condicionado. Um precisa do outro e todos dependem de todos.

Claro que profissões mais especializadas pagam mais. A questão não é essa. A questão é “você ganhar mais porque tem uma profissão especializada não te torna melhor que ninguém”.


COXINHAS CONFUSOS

Profissões especializadas pagam mais, mas não muito mais. Igualdade social significa menor distância social: todos se encontram no meio. Não há muito baixo, mas também não há muito alto.

Um lixeiro não ganha muito menos do que um analista de sistemas. O salário mínimo é de 1.300 euros por mês. Um bom salário de profissão especializada fica de uns 3.500 a 4.000 euros mensais.

E ganhar mais do que alguém não torna esse alguém teu subalterno: o porteiro não toma ordens de você só porque você é gerente de RH. Aliás, ordens são muito mal vistas. Chegar dando ordens abreviará seu comando.

Todos ali estão em uma equipe, da qual você faz parte tanto quanto os outros, mesmo que a sua função dentro do time seja o de tomar decisões.

Esses conceitos são basicamente inversos aos conceitos da sociedade brasileira, fundada na profunda desigualdade.

Entre os brasileiros que aqui vêm para trabalhar e morar é comum – há exceções – estranharem serem olhados no nível dos olhos por todos. O chefe não te olha de cima e o garçom não te olha de baixo.

Brasileiros quando dão ordens ou ignoram socialmente quem tem profissão menos especializada do que a sua, ficam confusos ao encontrar de volta hostilidade em vez de subserviência. Ficam ainda mais confusos quando o chefe não dá ordens – o que fazer, agora?


DESCENDO DO PEDESTAL

Os salários pagos para profissões especializadas no Brasil conseguem tranquilamente contratar ao menos uma faxineira diarista, quando não uma empregada full time.

Os salários pagos à mesma profissão na Holanda não são suficientes pra esse luxo e é preciso limpar o banheiro sem ajuda – e mesmo que pague bem mais do que pagaria a um ajudante no Brasil, ele não ficará o dia todo a te seguir limpando cada poerinha sua, servindo cafezinho.

É assim: eles vêm, dão uma ajeitada e se mandam para cuidar de suas vidas fora do trabalho, tanto quanto você.

De repente, a ficha do que realmente significa igualdade cai: todos se encontram no meio e, pra quem estava no Brasil na parte de cima, encontrar-se no meio quer dizer descer de um pedestal que julgavam direito inquestionável – seja por mérito de ter “estudado mais” ou “meu pai trabalhou duro e saiu do nada” ou qualquer outra justificativa pra desigualdade.

Porém, a igualdade social holandesa tem um outro efeito que é muito atraente pra quem vem de uma sociedade profundamente desigual como a do Brasil: a relativa segurança.


IGUALDADE SOCIAL

É inquestionável que a sociedade holandesa é menos violenta do que a brasileira. Claro que aqui há violência – pessoas são assassinadas, há roubos. Nessa comparação, “menos violenta” não quer dizer “não violenta”.

O curioso é que aqueles brasileiros que queixam-se amargamente de limpar o próprio banheiro elogiam incansavelmente a possibilidade de andar à noite sem medo pelas ruas, sem enxergar a relação entre as duas coisas.

Violência social não é fruto de pobreza; violência social é colheita da desigualdade social.

A sociedade holandesa é relativamente pacífica não porque é rica, não porque é “primeiro mundo”, não porque os holandeses tenham alguma superioridade moral, cultural ou genética sobre os brasileiros, mas porque a sociedade deles tem pouca desigualdade.

Há uma relação direta entre a classe média holandesa limpar seu próprio banheiro e poder abrir um MacBook de 1.400 euros no ônibus sem medo.


VÁ LIMPAR SEU BANHEIRO!

Eu, pessoalmente, acho excelente os dois efeitos. Primeiro porque acredito firmemente que a profissão de alguém não tem qualquer relação com o valor pessoal. O fato de ter “estudado mais”, ter doutorado ou gerenciar uma equipe não te torna pessoalmente melhor que ninguém, sinto muito.

Não enxergo superioridade moral num trabalho honesto sobre outro, não importa qual. Por trabalho honesto não quero dizer “dentro da lei”, pois não considero honesto matar, roubar, espalhar veneno, explorar ingenuidade alheia, espalhar ódio e mentira, não me importa se seja legalizado ou não.

O quanto você estudou pode te dar direito a um salário maior mas não te torna superior a quem não tenha estudado – por opção, ou por falta dela. Quem seu pai é ou foi não quer dizer nada sobre quem você é. E nada, meu amigo, nada te dá o direito de ser o dono da cocada preta.

Um doutor que é arrogante e desonesto tem menos valor do que qualquer garçom que trata direito as pessoas e não trapaceia ninguém. Profissão não tem qualquer relação com valor pessoal.

Não gosto mais do que qualquer um de limpar banheiro. Ninguém gosta – nem as faxineiras no Brasil, obviamente. Também não gosto de ir ao médico fazer exames. Mas é parte da vida, e um preço que pago pela saúde.

Limpar o banheiro é um preço a ser pago pela saúde social. E um preço bastante barato, na verdade.


Fonte: Portal Matéria Incógnita

Foto de menino sírio é lembrete dos horrores inimagináveis da guerra, diz UNICEF


A foto de Omran Daqneesh, o menino sentado sozinho em uma ambulância com o rosto e o corpo coberto de sangue e sujeira após ter sido resgatado de um edifício destruído na Síria, é um lembrete para o mundo dos horrores inimagináveis da guerra que as crianças sírias enfrentam todos os dias, disse nesta sexta-feira (19) um porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

“Nenhuma criança na Síria estará segura enquanto o conflito continuar”, disse Christophe Boulierac, porta-voz do UNICEF, em coletiva de imprensa em Genebra, ao se referir à foto que ficou famosa nas redes sociais esta semana e chamou a atenção mundial para o sofrimento em Alepo, segunda maior cidade do país.

“Mais de 3,7 milhões de crianças sírias com menos de 5 anos não conhecem outra coisa a não ser o deslocamento, a violência e a incerteza”, acrescentou o porta-voz, descrevendo a situação desesperadora enfrentada pelas crianças e milhões de pessoas em necessidade de ajuda humanitária na Síria e nos países vizinhos.

De acordo com o UNICEF, a situação em Alepo continuou se deteriorando nas últimas duas semanas. Está particularmente crítica para civis vivendo no leste da cidade, onde as torneiras secaram e a população, incluindo aproximadamente 100 mil crianças, depende de água dos poços potencialmente contaminados por matéria fecal.

Graves confrontos e uma escalada da violência desde o início do mês também impedem técnicos de consertarem os sistemas de água e eletricidade severamente danificados.

Em meio a esse cenário, a agência da ONU entregou 300 mil litros de combustível para estações de bombeamento de água no oeste de Alepo, atendendo cerca de 1,2 milhão de pessoas. Também distribuiu tabletes de purificação de água e 4 milhões de litros de água potável via caminhões diariamente. No entanto, esses suprimentos “não foram suficientes nem são a solução”, disse Boulierac.

“É crítico para o UNICEF ser capaz de chegar a todas as partes atingidas pela guerra e fornecer o máximo de assistência necessária”, disse, reiterando o pedido da agência para que todos os lados no conflito autorizem imediatamente acesso seguro para que técnicos realizem consertos urgentes para retomar o fornecimento de água e eletricidade.

Na mesma coletiva de imprensa, Bettina Luescher, porta-voz do Programa Mundial de Alimentos (PMA), disse que a agência está profundamente preocupada com a situação em Alepo e que, durante a semana, conseguiu alimentar 20 mil pessoas no leste da cidade. Ela declarou que, em junho, 30% dos alimentos foram destinados a áreas controladas pela oposição.

O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, comemorou informações sobre a retirada de 39 pessoas, incluindo crianças, das áreas isoladas de Fouah, noroeste da Síria, e Madaya, sudoeste do país. As evacuações foram promovidas pelo Crescente Vermelho Árabe Sírio. “Apesar de ser um passo positivo, outras áreas permanecem isoladas, com pessoas precisando de comida e assistência médica”, declarou.

Ele reiterou que, em alguns lugares, comboios não foram autorizados a entrar por mais de 110 dias. O enviado da ONU acrescentou que também há informações de falta de comida e outros serviços em cidades como Darayya, subúrbio da capital, Damasco.


Fonte: Portal da ONU

“Quando eu morrer, vou contar tudo a Deus”, afirma criança vítima da guerra na Síria


No último mês a agência EFE informou que mais de 150 mil pessoas morreram desde o início da guerra que assola a Síria a cerca de três anos. Em meio a essa situação desoladora, um menino de 3 anos de idade chamou a atenção do mundo todo quando, pouco antes de morrer, afirmou que “contaria a Deus” sobre a guerra quando morresse.

– Eu vou contar tudo a Deus – teria afirmado a criança, que não foi identificada.

Segundo o Acontecer Cristiano, o menino estava muito ferido quando proferiu essas palavras, vítima dos confrontos no país, e morreu poucos dias depois. Essa afirmação chamou a atenção em todo o mundo, e o site Economy 2.0 comentou afirmando que isso serviu para aumentar a conscientização sobre tudo que está acontecendo no mundo.

– Morrem pessoas inocentes todos os dias por razões que não consigo nem explicar, uma vez que eles não são culpados de nada – afirma o site.

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), ONG responsável pelos dados da guerra divulgados pela EFE, dados informações recebidas de uma rede de ativistas e fontes médicas militares relatam 150.344 mortos pela guerra, entre os quais estão incluídos 51.212 civis, dos quais 7.985 são crianças.


Fonte: Portal Geledes

Brasil tem melhor desempenho da história, mas não atinge meta de medalhas


Foram 19 pódios para o Brasil nos Jogos Olímpicos, um recorde na história do país. Mas o número de medalhas não foi o necessário para se chegar à meta estabelecida pelo governo e pelo Comitê Olímpico do Brasil, de ficar entre os 10 primeiros países no ranking de total de medalhas.

Em 2012, quando foi estabelecido pelo governo o Plano Brasil Medalhas, a meta era investimento de R$ 1 bilhão de recursos públicos em bolsas para atletas, investimento em equipes técnicas e participação em torneios internacionais e também na construção de centros de treinamentos.

O Brasil terminou os Jogos do Rio em 13º no ranking com total de medalhas. Com sete ouros, o país bateu o recorde de Atenas 2004, quando foram conquistadas cinco medalhas. Ainda superou o número de medalhas de prata, com seis conquistas.


Incentivos aos atletas

Nos Jogos do Rio 2016, 358 dos 465 dos atletas brasileiros (77%) receberam apoios diretos do governo com o Bolsa Atleta. Para os esportistas, foram estabelecidas quatro tipo de bolsas: nacional (R$ 925 mensais), internacional (R$ 1.850), olímpica (R$ 3.100) e pódio (R$ 5 mil a R$ 15 mil). Cada bolsa é definida de acordo com os resultados dos atletas. Em 2016, está previsto o gasto de R$ 80 milhões para este benefício.

Além deste incentivo, 145 atletas que estiveram nos Jogos também eram apoiados pelo Programa Atletas de Alto Rendimento das Forças Armadas, que incorporou esportistas em destaques como 3º sargento temporário nas três forças, com soldo de R$ 3.200 reais. Esses atletas conquistaram 14 medalhas na Rio 2016. Em 2016, o programa tem previsão orçamentária de R$ 43 milhões.

Confira os investimentos públicos nos medalhistas brasileiros da Rio 2016 e nos seus respectivos esportes:


Canoagem de velocidade

A grande surpresa dos Jogos foi o canoísta de velocidade Isaquias Querioz com três medalhas (duas pratas e um bronze). Isaquias recebeu Bolsa Atleta durante todo o ciclo olímpico, não sendo atleta militar. Erlon Silva, companheiro de prata de Isaquias na C2 de 1000 metros, também recebeu a Bolsa Atleta durante os últimos cinco anos. Segundo o Ministério do Esporte, a a Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) recebeu R$ 2,1 milhões para estruturação de centros de treinamento pelo país, além de mais de R$ 6 milhões em bolsas para atletas da modalidade.


Judô

O esporte que mais medalhas trouxe ao país, o judô também foi apoiado ao longo do ciclo olímpico com mais de R$ 50 milhões em convênios com Ministério do Esporte. Todos os atletas da equipe que disputou os jogos ainda são apoiados pelas Forças Armadas, os homens pelo Exército e as mulheres pela Marinha. Rafaela Silva, medalha de ouro no Rio 2016, Mayra Aguiar e Rafael Silva, medalhas de bronze, receberam a Bolsa Atleta pódio durante todo o ciclo olímpico.


Ginástica Artística

A ginástica artística também trouxe três medalhas para o país. Diego Hypolito, prata no solo, também recebeu a Bolsa Atleta durante o ciclo olímpico. Arthur Zanetti, prata nas argolas, e Arthur Nory, bronze no solo, receberam o apoio de bolsa durante quase todo o ciclo, com exceção de 2013. Do total de recursos repassados pelo Ministério do Esporte, a Confederação de Ginástica, federações, clubes e atletas receberam cerca de R$ 29 milhões.


Atletismo

O atletismo foi um dos esporte que mais recursos recebeu do governo federal nos últimos anos. Só com criação e reformas de pistas oficiais foram investidos R$ 300 milhões. Além de mais de R$ 50 milhões em convênios para a manutenção de centros nacionais de atletismo, R$ 28 milhões foram para bolsas para atletas entre 2012 e 2015. Thiago Braz, ouro no salto com vara, além do apoio da Aeronáutica, recebeu o Bolsa Atleta durante todo o ciclo olímpico, com exceção de 2013.


Boxe

O boxe acabou sendo uma das categorias que menos recebeu recursos federais. Desde 2010, o esporte recebeu menos de R$ 1 milhão. Mas os atletas acabaram amparados pelo Bolsa Atleta, com R$ 9 milhões em bolsas. Robson Conceição, ouro na categoria até 60 kg, também é terceiro sargento da Marinha e recebeu apoio da bolsa em todo ciclo olímpico.


Vela

A dupla Kahena Kunze e Martine Grael, ouro na classe 49er FX da vela, terceiras sargentas da Marinha, receberam apoio durante quatro anos do último ciclo olímpico. A vela, segundo esporte que mais conquistou medalhas para o Brasil, recebeu investimento do Ministério dos Esporte apenas em bolsas para mais de 600 atletas, somando R$ 13 milhões.


Vôlei de quadra e de praia

O vôlei é um dos principais esportes do país, trazendo na história 23 medalhas olímpicas nas modalidades de quadra e de praia. Desde 2010, diversos convênios entre Ministério do Esporte e a Confederação Brasileira de Vôlei permitiram a estruturação da modalidade no país, com investimentos de R$ 48 milhões. Em bolsas atletas, foram desembolsados R$ 8 milhões para duplas de praia e R$15,5 milhões para os jogadores de quadra.

As duplas Alison e Bruno - ouro na praia - e Agatha e Bárbara - prata no feminino - além de sargentos da Marinha, recebem o bolsa atleta desde 2013. Dos 12 integrantes da equipe masculina que conquistou o ouro no vôlei de quadra, dez receberam apoio da bolsa atleta em algum momento do ciclo olímpico.


Tiro Esportivo

O primeiro medalhista brasileiro nos Jogos do Rio, o atirador Felipe Wu é sargento do Exército e apoiado pela bolsa atleta desde 2012. Cerca de R$ 9 milhões foram executados em convênios para o desenvolvimento da modalidade no país. Além do aporte de mais de R$ 13 milhões em bolsas atletas durante o período olímpico.


Maratonas Aquáticas

Poliana Okimoto, bronze na Rio 2016, é terceira sargenta do Exército e também apoiada pela Bolsa Atleta desde 2012. Para os atletas da maratona aquática, foram desembolsados mais de R$ 2 milhões. Não há especificações para convênios diretamente para a modalidade, o ministério informou que Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) recebeu, desde 2010, mais de R$ 15 milhões para investimentos na natação, maratonas aquáticas, nado sincronizado, saltos ornamentais e polo aquático.


Taekwondo

A Confederação Brasileira de Taekwondo recebeu em convênio com Ministério do Esporte R$ 3 milhões. Com o Bolsa Atleta, o aporte na modalidade foi de R$ 11,6 milhões. Maicon Andrade, bronze na categoria acima de 80 kg, recebe o benefício desde 2014, sendo ainda terceiro sargento da Aeronáutica.


Futebol

A seleção masculina ganhou pela primeira vez o ouro olímpico. O esporte que na categoria masculina é o mais profissional no país, ao contrário do feminino, que mesmo sofrendo do amadorismo, chegou em quarto lugar na Rio 2016. Somente a modalidade feminina recebe apoio do governo federal, recebendo recursos de patrocínio de estatais e de leis de incentivo ao esporte, além de R$ 9 milhões em bolsas atletas.


Fonte: Agência Brasil

Banco Mundial: serão necessários 3 planetas para manter atual estilo de vida da humanidade

Se a população global de fato chegar a 9,6 bilhões em 2050, serão necessários quase três planetas Terra para proporcionar os recursos naturais necessários a fim de manter o atual estilo de vida da humanidade, segundo o Banco Mundial. A voracidade com que se utiliza tais recursos fez as Nações Unidas incluírem o consumo em sua discussão sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para 2030.

A meta número 12 dos ODS não poupa os países desenvolvidos nem as nações em desenvolvimento. Insta todos a diminuir o desperdício de alimentos — um terço deles é jogado fora anualmente —, repensar os subsídios aos combustíveis fósseis e reduzir a quantidade de resíduos lançados sem tratamento no meio ambiente, entre outras tarefas urgentes.

A América Latina e o Caribe têm desafios importantes a cumprir em relação a esses e outros quesitos. Atualmente, a região joga fora 15% da comida que produz. Conseguiu diminuir de 1% para 0,68% o percentual do Produto Interno Bruto (PIB) gasto em subsídios para os combustíveis fósseis entre 2013 e 2015, mas alguns países ainda dedicam cerca de 10% do PIB a eles. Finalmente, cada latino-americano produz até 14kg de lixo por dia, dos quais 90% poderiam ser reciclados ou transformados em combustível caso fossem separados por origem.

Conheça a seguir quatro metas de consumo sustentável que valem para a região e para todo o mundo até 2030.


Reduzir à metade o desperdício mundial de alimentos per capita na venda a varejo

Estima-se que a cada ano cerca de um terço dos alimentos produzidos — o equivalente a 1,3 bilhão de toneladas, avaliadas em cerca de US$ 1 trilhão — acaba apodrecendo no lixo dos consumidores ou dos varejistas, ou estraga devido a métodos ineficientes de coleta e transporte.

A degradação e queda de fertilidade dos solos, o uso insustentável da água e a pesca excessiva estão reduzindo a quantidade de recursos naturais disponíveis para produção de alimentos. Por isso, é essencial não só pensar em formas de preservar e recuperar tais recursos, mas também de reduzir o desperdício para alimentar as 8,3 bilhões de pessoas que o planeta deverá ter até 2030.

Alcançar uma gestão sustentável e uso eficiente dos recursos naturais

A voracidade com que os recursos naturais estão sendo usados fica clara quando se observam alguns números relativos a consumo de energia. Em 2013, apenas um quinto da energia utilizada no mundo veio de fontes renováveis, como água, vento e luz solar. Todo o resto foi gerado com petróleo, carvão, gás natural e urânio.

E quais setores avançam mais rapidamente no consumo de energia? Em primeiro lugar, o de transportes: até 2020, o transporte aéreo global deve triplicar, enquanto as distâncias percorridas pelos carros aumentarão 40%. Já o uso de energia para comércios e residências fica em segundo. A boa notícia é que as medidas para poupar podem facilmente começar dentro de casa.

Segundo estimativas das Nações Unidas, se toda a população mundial começasse a usar lâmpadas de baixo consumo, seria possível economizar US$ 120 bilhões anualmente. Em 2013, apenas um quinto da energia utilizada no mundo veio de fontes renováveis, como água, vento e luz solar.

Racionalizar os subsídios aos combustíveis fósseis

Segundo o estudo Indicadores de Desenvolvimento Global (WDI), do Banco Mundial, os países mais ricos do mundo são os que mais gastam com subsídios ao petróleo, carvão e gás natural (quase 14% do PIB).

Depois, vêm as economias de renda média-baixa, que incluem países da América Central como Guatemala e Nicarágua e gastam em média 11% do PIB com subsídios. Para a ONU, os subsídios ineficientes incentivam o consumo perdulário. Para racionalizá-los — e estimular, portanto, o uso de fontes de energia que impactem menos o meio ambiente —, é preciso adotar medidas que removam as distorções do mercado, como reestruturar os sistemas tributários nacionais, segundo a instituição.

Alcançar uma gestão ambientalmente racional dos produtos químicos ao longo de seu ciclo de vida

Ao incluir essa meta no ODS 12, as Nações Unidas buscam minimizar o impacto dos resíduos químicos tanto na saúde quanto no meio ambiente. A geração de lixo tóxico per capita praticamente dobrou no mundo inteiro entre o fim dos anos 1990 e da década de 2000. Nos países de renda média, como o Brasil, a quantidade subiu de 17kg per capita entre 1996 e 2000 para 42kg entre 2006 e 2011. Mas nem de longe eles são os mais poluentes: os de alta renda, mas que ainda não se uniram à OCDE (a qual exige boas práticas nas políticas públicas), despejaram 981kg de lixo tóxico per capita entre 2006 e 2011.

Outro dado preocupante é que cerca de 200 milhões de pessoas podem ser afetadas pelos resíduos presentes em 3,000 locais em todo o mundo. Para reverter o quadro, a ONU destaca a importância de incentivar indústrias a buscar formas sustentáveis de gerenciar seus resíduos. E, ainda, de estimular os consumidores a reduzir o consumo e reciclar o lixo.

Como se vê, o conceito de consumo vai muito além do simples gesto diário de fazer compras, e torná-lo sustentável passa por uma série de desafios que envolvem toda a sociedade. É uma meta que precisará ser levada cada vez mais a sério para não causar novos danos aos limitados recursos do planeta.


Fonte: Portal da ONU

Maria da Penha: É difícil mudar a cultura machista do Brasil


Símbolo brasileiro da luta contra a violência doméstica e familiar contra as mulheres, a biofarmacêutica e ativista Maria da Penha afirmou em entrevista aEXAME.com que ainda há muito o que fazer para alterar o desafio da cultura da violência no Brasil.

“É difícil mudar a cultura machista do Brasil. A Lei Maria da Penha tem como objetivo reverter a mentalidade violenta que conduz a relação entre homens e mulheres no Brasil”, explicou.

A ativista foi agredida pelo marido, que tentou assassiná-la duas vezes, e ficou paraplégica na década de 1980. Ele só foi condenado pelos crimes quase 20 anos depois e, embora a pena tenha sido de oito anos de prisão, ele ficou apenas dois anos preso.

Sua história inspirou a criação da principal lei de proteção às mulheres contra a violência praticada por pais, irmãos e companheiros. Além das medidas protetivas, a lei aumentou a punição dos agressores.

Mesmo com os avanços conquistados com a lei – que foi implementada em agosto de 2006 -, Maria da Penha afirmou que ainda há muita resistência em relação a implementação de políticas públicas voltadas ao tema.

“Após a implementação de medidas, é preciso ficar de olho para que elas atinjam as mulheres com eficácia”, afirmou Maria da Penha.


Números alarmantes

Os números relacionados a violência doméstica ainda preocupam muito. De acordo com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, dos 67.962 relatos de violências registrados na Central de Atendimento à Mulher no primeiro semestre de 2016, 51,06% corresponderam à violência física; enquanto 31,10% representaram casos de violência psicológica. A lista é preenchida com casos de violência moral (6,51%), cárcere privado (4,86%), violência sexual (4,30%), violência patrimonial (1,93%) e tráfico de pessoas (0,24%).

Na comparação com os seis primeiros meses de 2015, os casos de estupro registraram um aumento de 147% entre janeiro e junho de 2016. Os relatos relacionados à violência doméstica e familiar subiram 133% na mesma base de comparação.

“O aumento das denúncias, porém, refletem que as pessoas estão mais conscientes sobre a lei e estão recorrendo à Justiça”, disse a biofarmacêutica.


Por que é importante a participação feminina na política?

A ativista destacou ainda que o nível de violência contra a mulher é proporcional à falta de participação política do sexo feminino. Segundo o ranking elaborado pelo IPU (Inter-Parliamentary Union), o país ocupa a 154ª posição no ranking de participação feminina na política. De acordo com o Mapa da Violência, o Brasil é o quinto país com maior índice de violência doméstica.

O Brasil ainda é o país sul-americano com menor número de mulheres no Congresso Nacional. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são 11 senadoras (13,6%) de 81 parlamentares e 51 deputadas (9,9%) de 513 congressistas.

No Espírito Santo, onde há uma taxa de representação feminina em cargos eletivos reduzida (8%), existe um persistente quadro de violência contra a mulher.

Para Maria da Penha, a presença de mulheres na política é essencial para que políticas públicas voltadas ao sexo feminino sejam levadas adiante.

Olhar no horizonte

Realizada com a possibilidade de ser indicada ao Prêmio Nobel da Paz, Maria da Penha promete “que continuará lutando para que mais políticas sejam estabelecidas para combater a violência doméstica”.

Após as eleições, a ativista pretende viajar em cidades que ficam no entorno de Fortaleza para poder cobrar os gestores que se comprometeram com a implementação de políticas públicas de combate a violência doméstica.

Se a experiência for positiva, ela pretende criar um acompanhamento em todo o Brasil por meio da equipe do instituto que leva o seu nome.

“Para conseguir concretizar esse projeto, preciso da ajuda do empresariado. Para realizar essas viagens, preciso do mínimo conforto. Entre as necessidades, um carro acessível para a instituição seria muito bem-vindo”, afirmou Maria da Penha, emocionada pela possibilidade de conseguir algo que amplie o alcance de seu trabalho.



Fonte: Revista Exame

Portal com dados sobre violência contra a mulher será lançado na quarta


O Senado lançará na quarta-feira (17) o portal Observatório da Mulher contra a Violência. A ferramenta vai reunir e sistematizar dados oficiais sobre a violência contra a mulher, funcionando como um banco de dados sobre o tema. A ação faz parte das celebrações dos dez anos da Lei Maria da Penha. O lançamento será durante sessão solene no Congresso Nacional para lembrar a data.

O observatório nasceu com a Resolução do Senado 7/2016, proposta pela senadora Simone Tebet (PMDB-MS), presidente da Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher. Segundo a senadora, apesar dos avanços da Lei Maria da Penha, ainda faltam bancos de dados oficiais que ajudem a entender a razão dos altos índices de violência.

— Para sermos eficientes, precisamos de informação. Quem é a mulher mais atingida? A mais jovem? A com menos condições financeiras demora mais a romper esse ciclo? Todas essas informações são preciosas para que a gente possa combater esse tipo de violência — argumentou a senadora.

A ideia, segundo a senadora, é que o observatório também promova estudos e coordene projetos de pesquisa sobre políticas de prevenção à violência e atendimento às vítimas. Para alimentar o portal, será necessário o apoio das secretarias estaduais de saúde, assistência social e segurança.

— Eles [órgãos públicos] vão colocar as informações no nosso sistema, de forma on-line, uma vez por mês — explicou Simone Tebet, ressaltando que esse trabalho depende, acima de tudo, de boa vontade por parte dos envolvidos.


DataSenado

O observatório conta com a estrutura do DataSenado, órgão da Secretaria de Transparência do Senado que realiza pesquisas de opinião para subsidiar a atividade legislativa. A Resolução 6/2016, também de autoria da senadora Simone Tebet, atribui ao instituto a função de auxiliar nas pesquisas e levantamentos sobre o tema.

— Não queremos sobrecarregar o DataSenado. Nosso objetivo é também contar com o suporte de outros grandes institutos de pesquisa — afirmou a senadora.

A diretora da Secretaria de Transparência, Elga Lopes, ressaltou a contribuição, para o observatório, da pesquisa de opinião nacional do DataSenado sobre a violência doméstica e familiar contra as mulheres e a Lei Maria da Penha. Já são seis edições da pesquisa, realizada a cada dois anos. Desde 2005, foram entrevistadas 6.141 mulheres sobre o tema.

— A série histórica do DataSenado sobre violência contra a mulher está nos dando a oportunidade de contribuir para a construção do observatório e para o combate da violência contra a mulher — disse a diretora.

Coordenadora do observatório, a consultora legislativa Roberta Viegas explica que os dados coletados vão subsidiar o trabalho da Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher e da Procuradoria Especial da Mulher do Senado.

— Nós queremos nos inserir no debate com a constatação de que os dados de violência contra a mulher são esparsos. Será uma espécie de acompanhamento da insuficiência desses dados — disse a coordenadora.

Para Roberta Viegas, o Brasil adotou, nos últimos anos, uma postura mais punitiva, mas a prevenção é fundamental.

— Os dados servem para nortear políticas públicas. Você não sabe quem é a vítima e quem é o agressor se não há dados a respeito dessa mulher que apanha e desse homem que bate — destacou.

O observatório atende às recomendações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investigou a violência contra a mulher no Brasil. Entre elas, está a criação, no âmbito nacional, de “observatórios de monitoramento para dar conta do controle social, necessário para a eficácia da legislação em vigor”.


Fonte: Portal Agência Senado

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