terça-feira, 20 de setembro de 2016

Relatório Avaliativo apresenta balanço dos 25 anos do ECA


Os principais avanços e os desafios contemporâneos da política nacional dos direitos humanos de crianças e adolescentes constam no Relatório Avaliativo ECA 25 anos_ +direitos – redução, lançado nesta quarta-feira (14), em Brasília.

A obra apresenta o balanço dos últimos 25 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em sete eixos: a trajetória da política da criança e dos adolescentes no Brasil; os direitos da criança no âmbito internacional; vida e desenvolvimento; proteção contra todas as formas de violência, opinião e participação, sistema de justiça e atendimento socioeducativo; e não à discriminação.

Dados sobre as violações mais recorrentes registradas no Disque Direitos Humanos (Disque 100), entre 2011 e 2015, também fazem parte do relatório, que discute, ainda, a participação de crianças e adolescentes na construção da política e implementação do ECA; o empoderamento de meninas e a discriminação baseada em orientação sexual e/ou identidade de gênero.


Fonte: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR

Artigo - Não tinham alma. Não havia provas. Mas, por convicção, a escravidão se fez


Por: Douglas Belchior

Diziam que meu povo não tinha alma.

Não havia provas. Mas, por convicção, a escravidão se fez. Quase 400 anos!

Não havia provas mas havia convicção de que o Brasil seria tomado por comunistas, comedores de criancinhas. Resultado: duas ditaduras. A última durou quase 30 anos.

Sem provas e por convicção, o genocídio é promovido: Chacina do Carandiru, Candelária, Vigário Geral, Eldorado dos Carajás, Crimes de Maio de 2006 e tantos outros.

Sem provas, mas por convicção, 111 tiros num carro e o assassinato de 5 jovens negros; um tiro de fuzil seguido de arrastamento no asfalto, de Cláudia Ferreira no Rio de Janeiro; O espancamento e a morte de Luana dos Reis no interior de São Paulo. Sem provas e por convicção se deu também a chacina do Cabula, em Salvador.

Pela mais pura convicção e sem nenhuma prova, Rafael Braga continua preso.

Por convicção a polícia continua esculachando, desrespeitando cidadãos em suas abordagens em cada esquina de quebradas, periferias e favelas desse país. Quando não somem com corpos; Quando não assassinam sobretudo a juventude e as crianças negras país afora.

Sem provas, mas por convicção, depuseram uma presidenta eleita pelo voto direto.

Não podemos permitir que sem provas e por pura convicção a política se faça, como tem acontecido no Brasil. Sabemos que a convicção que não requer prova, é uma convicção de classe, uma convicção ideológica, política e a serviço das elites atrasadas desse país. Trata-se de uma convicção de explícito traço fascista, racista e autoritário.

Não podemos permitir que essa prática se dê contra quem quer que seja. Práticas autoritárias contra pessoas famosas, empoderadas ou lideranças políticas do campo progressista quase sempre servem para endossar, justificar, naturalizar e aprofundar ainda mais a violência e a negação de direitos na base da pirâmide, entre os trabalhadores pobres, moradores de periferias, negras e negros, jovens e crianças em todo o país.

Sem provas, apenas por convicção reacionária, nós não vamos permitir. Não vamos aceitar. Ao contrário, deste lado de cá há sim convicção. Mas há provas!

Provas de nossa resistência, de nossa ancestralidade, da resiliência de um povo que, apesar do massacre imposto desde a invasão europeia, se reinventa, se organiza e luta.

Nós vamos reagir, afinal, com a licença de Albert Camus: “A violência não é patrimônio dos exploradores. Os explorados, os pobres, os oprimidos também podem emprega-la!”

Vamos enfrentar o fascismo nas ruas, no judiciário, na política e nas urnas!


Fonte: Blog Negro Belchior / Jornal Carta Capital

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Por: Gabriela Loureiro

Preconceito mata – e muito – no Brasil. A discriminação por cor, gênero e orientação sexual ainda é um problema endêmico do país com dados que proporcionam um panorama triste.

O preconceito de cor, escancarado na semana passada com três casos relacionados à televisão, é tão sério que reduziu a expectativa de vida do brasileiro negro. A possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior do que um branco, segundo uma pesquisa divulgada em 2013 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Pelo levantamento, a expectativa de vida de um homem brasileiro negro é menos que a metade a de um branco.



Ser mulher também é perigoso. Somente em dois anos, entre 2009 e 2011, quase 17.000 mulheres morreram por conflitos de gênero, o chamado feminicídio, que acontece pelo fato de ser mulher. Ou seja, 5.664 mulheres são assassinadas de forma violentada por ano ou 15 a cada 90 minutos. Os dados também são da Ipea.



O relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB) de 2013-2014 também mostrou como a intolerância a homossexuais mata. Mais especificamente, um gay é morto a cada 28 horas no país. Foram documentados 312 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no Brasil em 2013. O Brasil continua sendo o campeão mundial de crimes homo-transfóbicos: segundo agências internacionais, 40% dos assassinatos de transexuais e travestis no ano passado foram cometidos aqui.

Com base em pesquisas do Mapa da Violência, do Ipea e do GGB, o Brasil Post fez um ranking dos estados mais perigosos para ser uma mulher, um negro ou um homossexual. Confira o resultado nas listas com os números absolutos discriminados abaixo:


Os 10 estados mais perigosos para ser negro no Brasil

Alagoas

Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 80,5

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Espírito Santo


Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 65

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Paraíba


Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 60,5

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Pará


Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 55,1

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Pernambuco

Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 54,6


Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Distrito Federal

Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 52,8


Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Bahia

Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 47,3


Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Goiás

Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 42,8


Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Amapá


Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 41,1 

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Rio de Janeiro

Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 41,0


Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher

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Os 10 piores estados do Brasil para ser mulher

Espírito Santo

Taxa de feminicídio– 11,24 por 100 mil mulheres


Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Bahia

Taxa de feminicídio – 9,08 por 100 mil mulheres


Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Alagoas

Taxa de feminicídio – 8,84 por 100 mil mulheres


Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher

Roraima

Taxa de feminicídio – 8,51 por por 100 mil mulheres


Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Pernambuco
Taxa de feminicídio – 7,81 por 100 mil mulheres

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher

Goiás

Taxa de feminicídio – 7,57 por 100 mil mulheres


Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher

Rondônia

Taxa de feminicídio – 7,42 por 100 mil mulheres


Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Paraíba

Taxa de feminicídio: 6,99 por 100 mil mulheres


Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Mato Grosso

Taxa de feminicídio – 6,95 por 100 mil mulheres


Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Pará


Taxa de feminicídio – 6,75 por 100 mil mulheres

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher

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Os 10 estados mais perigosos para ser gay no Brasil

Pernambuco

34 homicídios em 2013

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


São Paulo

29 homicídios em 2013

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Minas Gerais

25 homicídios em 2013

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Bahia


21 homicídios em 2013

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Rio de Janeiro

20 homicídios em 2013

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Paraíba


18 homicídios em 2013 

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher



Mato Grosso

16 homicídios em 2013

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Paraná

15 homicídios em 2013

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Rio Grande do Norte

15 homicídios em 2013

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Alagoas

14 homicídios em 2013

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Fonte: Portal Geledes

As meninas estão mudando a escola


No Rio de Janeiro, os meninos não deixam suas colegas de classe jogarem futebol com eles. Também na capital fluminense, meninas são assediadas nas ruas por usarem saia e meias três-quartos como uniforme. No interior da Bahia, um professor afirma que: “A Matemática sai naturalmente dos poros dos meninos, assim como a Saúde e a Educação são escolhas óbvias para as meninas”. Em São Paulo, as próprias meninas se xingam e se desrespeitam ao sinal do menor desentendimento. E há quem se pergunte se a escola ainda precisa do feminismo...

Enquanto alguns se questionam, muitas jovens – suas alunas – se mobilizam. Ao lado das ocupações secundaristas, as iniciativas feministas, sejam as organizadas em coletivos ou as espontâneas e individuais, são a grande novidade no hoje efervescente cenário da juventude estudantil. São casos nascidos com base em uma ocorrência concreta ou da simples necessidade de discutir o papel da mulher na escola, de proibições veladas ou interdições explícitas, de garotas prestes a entrar na faculdade ou de meninas de apenas 10 anos, o que diz muito sobre as gerações que vêm por aí (conheça essas histórias nos quadros que acompanham esta reportagem).

O feminismo, você sabe, não é de hoje. O movimento está presente de maneira organizada pelo menos desde o século 19, quando aconteceu sua primeira grande onda, que lutava pelo sufrágio, o direito ao voto, na Inglaterra. A segunda ocorreu nas décadas de 1960 e 1970 com a invenção da pílula anticoncepcional e a chamada revolução sexual nos Estados Unidos. Esse período ficou marcado pelas manifestações de rua, em que mulheres chegaram a queimar seus diplomas de Ensino Superior, revoltadas, por não terem aprendido nada sobre a história do gênero na universidade. Ao mesmo tempo, também reivindicavam maior liberdade sobre seus corpos, sua sexualidade e suas escolhas de vida.

“Hoje já dá para falar na existência de uma terceira onda, com um feminismo mais plural do que nunca”, afirma Maria Helena Vilela, educadora sexual e diretora executiva do Instituto Kaplan. O barulho dos movimentos no século 21 é considerável. O que chama a atenção é a grande aderência de jovens meninas tanto nas ruas, em protestos e marchas, quanto no ativismo virtual, em grupos de discussão e blogs. Nos dois casos, a capacidade de organização via redes sociais é um fator de impulso e novidade. “A internet trouxe a possibilidade de as pessoas falarem em primeira pessoa e conhecer ações em todo o mundo, o que unificou muitas lutas”, diz Maíra Kubík Mano, professora do departamento de Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia (UFBA).


O poder feminino de usar a quadra

Dez anos de idade é cedo demais para ser feminista? Não na Escola Edem, na capital fluminense. Por lá, os meninos ocupavam quadra e não gostavam quando as meninas pediam para jogar futebol – queriam que elas ficassem como chefes de torcida.

A situação revoltou a turma do 5º ano. “Um dia, invadimos a quadra e os meninos tentaram nos expulsar. Começamos a gritar ‘Poder feminino!’ e esse virou o nome do nosso time”, diz Gabriela Faria Machado Garcia, 10 anos. Foram além: resolveram desafiar os meninos para jogar!

Depois de muito treino, foram para o desafio... e perderam por 8 a 1. O que poderia ser um balde de água fria só serviu para que elas dedicassem mais. Na segunda partida, mais equilibrada, a desvantagem foi de apenas um gol. “Os meninos ganham só porque treinam mais do que a gente”, diz Gabriela. A amiga Catarina Goerdert Massari, 10 anos (no meio, na foto acima) se diverte: “Eles jogam futebol desde sempre. Mas, na queimada, quem ganha mais vezes é a gente.”

Essas jovens são as mesmas que estão na sua sala de aula. E os problemas começam quando elas não se reconhecem na escola em que são obrigadas a frequentar (leia texto sobre como discutir os padrões de beleza vigentes com a turma). Apesar de ser liderada majoritariamente por mulheres, é importante que se diga que a escola é um dos ambientes mais machistas da sociedade.

O roteiro de um currículo oculto, mas sempre reforçado nas trocas informais com colegas e educadores, é conhecido. “As meninas são incentivadas a ser quietas e reservadas, enquanto os rapazes devem ter mais iniciativa. As profissões de exatas são coisa de homem, e as voltadas para o cuidado, das mulheres. O tempo de quadra é maior para os meninos, que se movimentam mais, e assim por diante”, afirma Maria Helena. As mulheres sentem o peso desse enquadramento: 77% delas dizem que o machismo impacta diretamente em seu desenvolvimento, segundo pesquisa da agência e escola de jornalismo ÉNois com mais de 2 mil jovens de 14 a 24 anos, a maioria estudantes da Educação Básica ou Superior.


Dominação que parece natural

De tão reforçadas ao longo do tempo, as pequenas atitudes exemplificadas por Maria Helena dão a impressão de ser lógicas e aceitáveis, quase inevitáveis e parte do instinto de homens e mulheres. Esse processo – a naturalização – é justamente um dos mecanismos centrais das construções sociais mais poderosas. É por isso que é tão difícil acabar com o machismo. A ideia de que os homens podem fazer o que quiserem com as mulheres está tão enraizada que muitos até se sentem encorajados a encarnar esse padrão.

Talvez você reconheça na sua escola episódios como o do colégio Pentágono, escola de elite na capital paulista. No intervalo, os meninos do Ensino Médio costumavam fazer piadas e mexer com as meninas, que se sentiam ofendidas, mas não reagiam. Até que um dos rapazes deu um tapa na bunda de uma colega. “Aquela foi a gota d’água de um desconforto que vinha de muito tempo. Estávamos cansadas de sermos desrespeitadas. Por isso, decidimos criar um movimento feminista na escola”, conta Mirella Nucci Zanetti, estudante do 1º ano (a quarta da esquerda para a direita na foto que abre esta reportagem). A primeira ação foi na quadra, quando todas as meninas vestiram preto para reivindicar a necessidade de debater o ocorrido. Deu certo – e a discussão já envolveu a gestão, ampliando-se para outros temas polêmicos como o uso de short.


Contra o assédio por causa de meias e saias

No Pedro II, um dos mais tradicionais colégios do Rio de Janeiro, o coletivo Feminismo de ¾ faz referência às meias três-quartos no uniforme feminino – marca da escola e, também, motivo de assédio na rua.

O grupo ganhou força em 2015, na denúncia de um episódio de abuso sexual. A escola expulsou três garotos envolvidos e divulgou uma nota responsabilizando os pais pela educação de seus filhos.

O coletivo protestou. “A escola não tentou discutir esses episódios, eles apenas abafaram. Os meninos foram expulsos, mas o problema foi transferido de um lugar para outro. O machismo não é um caso isolado. É uma coisa estrutural, que atinge todos os homens”, reclama Morgana Côrtes, 18 anos (na foto acima, a terceira da esquerda para a direita).

A atitude da direção não mudou, mas o ativismo ajudou a colocar a pauta feminista na escola. Dividido em vários campi, o Pedro II conta hoje com frentes de alunas que se organizam para levar discussões feministas à escola, incluindo o questionamento ao uniforme. “Para a gente, valeu ter conquistado o espaço para fazer esse debate”, diz Morgana.

Casos como esses são uma excelente oportunidade para a escola. “O machismo se manifesta sobretudo nos comportamentos cotidianos. Quando essas situações ocorrem, a chance concreta para discutir está diante de todos”, afirma Maria Helena. Outro exemplo cada vez mais recorrente está no mundo virtual, com o vazamento de imagens íntimas via redes sociais. Em 2015, na capital paulista, vídeos denominados Top 10 do WhatsApp acabaram viralizando. “As vítimas da vez são sempre de uma mesma escola. Ao som de um funk pornográfico, os vídeos mostram fotos do Facebook de dez meninas, indicando por escrito características físicas ou comportamento sexual”, explica Tatiana Rodrigues, educadora social do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca) de Interlagos, zona sul da cidade de São Paulo. Ela e sua equipe precisaram entrar em ação para ajudar meninas expostas na periferia de São Paulo, pois as instituições não deram conta de dar uma resposta às queixas nem de fazer o debate sobre o tema.

A ação pedagógica, nesse tipo de caso, envolve discussões sobre padrões de beleza. É preciso explorar a contradição entre um ideal de mulher sexualmente desejada e uma pressão em sentido contrário, para que uma “moça de valor” seja recatada. “A cultura nos chama a tratar o corpo como objeto e, quando as meninas se comportam dessa maneira, são expostas e ridicularizadas. É algo enlouquecedor para as mulheres”, afirma Valeska Zanello, coordenadora do Grupo de Estudos sobre Saúde Mental e Gênero da Universidade de Brasília (UnB).

De fato, os efeitos psicológicos causados por essa exposição são violentos – vão do abandono escolar ao suicídio e podem afetar também meninos. “Há garotos gays expostos e intensamente discriminados por não corresponderem ao comportamento considerado padrão de masculinidade. Isso também é machismo”, diz Vanessa Cândida, comunicadora do Cedeca e membro do coletivo feminista Mulheres na Luta.


Quando é preciso convencer as meninas sobre o feminismo

As ocupações das escolas de Ensino Médio, em 2015, ampliaram o horizonte de muitas garotas. Na EE Fernão Dias Paes, na capital paulista, o debate sobre gênero era comum durante os protestos.

Com a volta às aulas, as meninas sentiram necessidade de prosseguir o diálogo e criaram um grupo feminista, o Minas de Luta. “Muitas meninas implicavam umas com as outras por causa de garotos e outros assuntos pessoais. O grupo foi criado para diminuir os comentários e promover a união”, diz Nathalia Rossi Roldan, 15 anos (a segunda da esquerda para a direita).

A primeira grande ação foi um jogral no dia das mulheres, 8 de março. “Usamos batom vermelho, demos as mãos no pátio e gritamos palavras de ordem. Algumas que nem sabiam o que era feminismo se interessaram pelo debate e participaram”, conta Lizandra Lima, 16 anos. O coletivo passa agora por um período de hibernação – algo relativamente comum entre os movimentos estudantis –, mas os impactos da discussão são comemorados. “É visível que a convivência entre nós melhorou e os xingamentos diminuíram”, diz Lizandra.


Mulher não serve para exatas?

Outro aspecto do sexismo diz respeito às expectativas de aprendizagem de garotos e garotas – e como isso se reflete em suas escolhas futuras. “Na Educação, permanecem desigualdades mais sutis, como a ausência de mulheres na área de exatas”, explica Kaká Verdade, coordenadora do Fundo Elas de Desenvolvimento Social. Novamente, não se trata de dado natural ou fruto do acaso. Ao longo da escolaridade, as meninas são estimuladas a desenvolver a afetividade, o cuidado e a sensibilidade. Enquanto os garotos desenvolvem habilidades de raciocínio lógico e precisão.

Paulo Blikstein, professor da Universidade de Stanford, uma das melhores do mundo, explica que todos são igualmente capazes de aprender, mas as mulheres acabam desestimuladas a seguir a área de exatas. Começa na família, que em geral compra a ideia de que há papéis sociais e profissões típicas de homens e de mulheres. Segue ao longo da escolarização, com as opções do currículo e as ações do dia a dia. “As meninas passam a acreditar em sua fictícia falta de capacidade por não verem exemplos de sucesso na área que estão estudando e por ouvirem afirmações aparentemente inocentes, como ‘Tudo bem, esse exercício estava muito difícil para você’.”


Elas querem, podem e sabem programar

No Colégio Estadual da Cachoeira, na Bahia, a ideia do projeto #NativasDigitais era oferecer oficinas sobre programação e webdesign apenas para meninas. Mas o interesse foi pífio: apenas três alunas se matricularam. “Havia tanto uma resistência das meninas, por não acharem que o curso seria de seu interesse, quanto preconceito dos meninos, que falavam mal de quem entrasse no curso”, conta Eva Bahia, educadora do projeto e ex-aluna da escola.

Foi preciso discutir a participação das mulheres nas profissões de exatas e uma palestra de uma técnica em robótica para vencer a barreira: as inscrições saltaram para 57 interessadas. “Sempre gostei de Matemática e Física, adorei conhecer o universo da programação. Quero trabalhar com isso no futuro”, afirma Naiana Lima de Oliveira Sampaio da Silva, 16 anos (a terceira da esquerda para a direita). Ela ecoa o propósito do curso: mostrar que, se as garotas quiserem, podem ter a possibilidade de cursar uma faculdade na área de exatas.

Com o passar dos anos, as garotas que no início do Fundamental amavam Matemática saem da escola tendo a certeza de que a área não é para elas. Para Paulo, isso só reforça a importância de trabalhar, na escola, as referências e possibilidades que as meninas podem não encontrar nem na mídia nem na família. Bons exemplos ainda são raros, mas já aparecem em trabalhos pioneiros como o da professora Gina Vieira Ponte, que traz biografias de mulheres de sucesso para o currículo (veja quadro abaixo), ou o edital Elas nas Exatas, que selecionou dez projetos, como o #NativasDigitais, que estimulam alunas de escolas públicas a conhecerem conteúdos e profissões da área de tecnologia.


Mudança que a lei não pode conter

Ao mesmo tempo que a escola é uma instituição que historicamente tem colaborado para que o machismo sobreviva, ela também tem o potencial de desconstruir essa cultura. “É um dos ambientes mais eficazes para promover o respeito e a valorização mútuos”, defende Maria Helena.

A solução sempre vai passar, de alguma maneira, pela coragem de debater gênero e sexualidade. “Terá falhado a escola que consegue ensinar a ler e escrever, mas que não estimula a reflexão sobre as relações entre homens e mulheres. Se a escola corrige quando se trata de ensinar a norma culta da escrita, por exemplo, também deve corrigir quando há algum ataque à igualdade e à democracia”, defende Daniela Auad, professora do departamento de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e autora do livro Feminismo: Que História É Essa?

O trabalho se torna mais necessário num momento em que a legislação se coloca na direção oposta ao avanço da sociedade. “Na votação do Plano Nacional de Educação (PNE), a palavra ‘gênero’ saiu das diretrizes. A mobilização das meninas mostra como essa decisão foi equivocada. A escola está mudando de uma maneira que a legislação não consegue conter”, diz Maíra, da UFBA. As meninas respondem – e de muitas maneiras. No Rio de Janeiro, criam times de futebol feminino e desafiam os garotos. Ou exigem uma discussão sobre os uniformes. No interior da Bahia, participam de um curso de Matemática e programação só para garotas. E, em São Paulo, aprendem que a união pode superar as desavenças. Elas mantêm a braveza das feministas clássicas, mas apenas quando têm direitos negados ou reduzidos pelo fato de serem mulheres. Bem-vinda e bem-vindo ao feminismo do século 21.

Por um currículo com mulheres incríveis

O feminismo vem cheio de estereótipos. Gina Vieira Ponte mostra que existem vários jeitos de ser feminista. Evangélica e militante negra, a professora de Língua Portuguesa da rede pública do Distrito Federal apresentou dez biografias de mulheres às turma do 9º ano. “Busquei mais novas, como Anne Frank e Malala, idosas, como Madre Teresa, da academia, das artes, com pouca escolaridade, brancas e negras. Quis montar um time diverso”, conta a educadora.

Os alunos também conheceram a história de mulheres da própria comunidade de Ceilândia. Gina pediu que cada aluno escrevesse uma redação sobre a mulher inspiradora de sua vida. O que recebeu foi uma série de relatos emocionantes. Mulheres que tiveram seus direitos violados, que foram expulsas de casa porque engravidaram, que tinham uma vida de liderança na comunidade, representando algum grupo. “Vejo que essa atividade gerou duas consequências igualmente proveitosas. De um lado, as próprias mulheres que foram tema das redações se sentiram valorizadas. Muitas ficaram surpresas ao descobrir que serviam de inspiração. De outro, os alunos viram desafios que as mulheres enfrentam pelo simples fato de serem mulheres”, reflete.


Fonte: Portal Nova Escola

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Professor no Brasil ganha menos e trabalha mais que os de outros países


Saiu uma pesquisa internacional mostrando que o professor no Brasil ganha muito menos e trabalha mais do que em outros países. O resultado disso são professores desmotivados, o que reflete nos alunos que acabam abandonando a escola cedo demais.

Quem fica na profissão, muitas vezes é levado a trabalhar dobrado para complementar a renda. Os dados foram divulgados pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE.

É uma responsabilidade e tanto. Ensinar, educar crianças e jovens, preparar o futuro. A profissão de professor deveria ser valorizada. Isso todo mundo diz, mas a realidade não é bem essa.

No Brasil, os professores além de enfrentar salas de aulas cheias e falta de condições adequadas de trabalho, ganham mal. Menos da metade da média salarial paga aos professores de 46 países. Foi o que mostrou um estudo divulgado pela OCDE, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Fonte: Revista Exame | 2012


Para fazer uma comparação entre os salários dos professores da rede pública de outros países, os valores foram convertidos para o dólar. A média entre os professores da educação básica, no Brasil, é de US$ 12.337 por ano. Nos outros países, US$ 28.700.

O piso salarial nacional do professor está em R$ 2.135, mas de acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, mais de dez estados brasileiros não pagam nem o piso.

Barbara Giordani dá aula de Biologia em Brasília, onde os salários dos professores são maiores que a média nacional. Ela ganha quase R$ 5 mil por 40 horas de trabalho, mas não se sente valorizada. Primeiro porque o custo de vida em Brasília é um dos mais altos do país e também porque diz que muitas outras categorias de servidores são mais bem pagas.

“Infelizmente eu lamento, mas a Secretaria de Educação vai acabar me perdendo mais cedo ou mais tarde, porque eu pretendo fazer doutorado e me especializar mais. Agora, e se você não tem o reconhecimento, com certeza você vai procurar outros concursos a procura de um salário melhor”, afirmou a professora.

Eles ganham menos, mas estão entre os que mais trabalham. Nos países pesquisados, o professor passa, em média, 40 semanas em sala de aula por ano. Isso inclui o tempo que eles levam para preparar as aulas e corrigir as provas. No Brasil, são duas semanas a mais de trabalho.

O especialista em educação Cleyton Gontijo, da Universidade de Brasilia, diz que a desvalorização do professor é um problema histórico no país e que isso, além de afastar muitos professores da profissão, também exige que alguns tenham mais de um emprego, com prejuízo para eles e para os alunos.

“Esse professor sai de uma escola, onde ele trabalha pela manhã, corre para uma outra escola para trabalhar à tarde e, às vezes, corre para uma outra escola para trabalhar à noite. A qualidade do trabalho desse professor, sem dúvida alguma, não vai ser boa porque, do ponto de vista físico, mesmo intelectual e mental, ele já está esgotado”, declarou.

Outro problema revelado pela pesquisa é o afastamento dos jovens da escola. No Brasil, 75% dos que têm entre 20 e 24 anos, não estão na escola. Nos outros países, esse índice é menor. Pouco mais da metade não frequentam escola ou faculdade.

“O trabalho e a universidade é impossível, ainda mais para quem trabalha no varejo, sábado, de segunda a segunda”, afirmou Rafael Rocha, de 20 anos.

O Ministério da Educação informou que a reforma do ensino médio é prioridade e que houve um crescimento do salário dos professores nos últimos anos, mas que os reajustes dependem dos estados e municípios.


Fonte: Portal G1

Mamaço em Brasília incentiva aleitamento e doação de leite materno

Brasília - Mães fazem mamaço na Estação do Metrô de Samambaia para superar o preconceito contra amamentar em público e incentivar a doação de leite materno


Com o intuito de sensibilizar a sociedade sobre a importância da amamentação e incentivar a doação de leite materno, bem como demonstrar que não há vergonha em amamentar em público, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, em parceria com bancos de Leite, Posto de Coleta e a Companhia Metropolitana do DF (Metrô-DF), realizou hoje (19), um mamaço na estação terminal do Metrô em Samambaia.

O ato também abriu a campanha Incentive a Vida, que vai arrecadar, até o dia 30 de setembro, frascos de vidros com tampa de plástico (maionese, café solúvel etc) para os bancos de leite do DF.

Para a lactante Hellen Aparecida Lopes, a doação é importante porque o leite materno é fundamental para a saúde da criança nos primeiros meses de vida. “Eu nasci prematura, meu esposo também e precisávamos de leite materno e não tivemos a oportunidade. Com essa iniciativa, as crianças que nascem prematuras tem a oportunidade de ter o leite materno. Eu participo por amor, minha filha é saudável graças ao leite materno e é o que eu espero para as crianças que recebem o leite”, disse.

Brasília - Hellen Aparecida Lopes e sua filha participam do mamaço que ocorreu na Estação do Metrô de Samambaia, como forma de superação ao que ainda resta de preconceito contra um gesto natural


Doadora desde o nascimento do filho, Lorrayne Paiva fala da importância de incentivar a amamentação. “Eu faço doação de leite desde que o neném nasceu. Graças a Deus tenho quantidade de leite suficiente para ele e para doar para outras crianças. O aleitamento materno é muito importante, algumas pessoas optam por mamadeira ou alimentos artificias pela comodidade e procuramos incentivar que o leite materno é o melhor pra criança”, ressalta.

A chefe do Posto de Coleta de Samambaia, Débora Ribeiro Vieira, descreve o funcionamento do posto e explica como incentivam a doação. “O Posto de Coleta existe há 12 anos. Como nós ficamos ao lado da maternidade do hospital da Samambaia conseguimos captar muitas mães. Muitas não sabem da importância de tirar o leite, até para não causar problemas futuros, então ali mesmo orientamos e as convidamos para serem doadoras”, disse.

Brasília - Diretora do posto de Arrecadação de Samambaia, Débora Ribeiro Vieira dá entrevista sobre a importância do aleitamento materno


Débora Vieira contou que, ao longo do ano, há campanhas tanto de incentivo tanto ao aleitamento quanto à doação de leite materno. “Nós fazemos uma semana para as doadoras, em agosto fazemos uma semana de amamentação e agora estamos tendo mais essa oportunidade. Nós tentamos ao máximo mimar essas mães, porque o ato delas é um ato de amor. Sabemos que amamentar não é fácil, dói. E com esse atos sensibilizamos para chamar novas doadoras”, disse.

A coleta de leite humano pode ser feita em casa e doada às unidades de Banco de Leite do DF. A mãe doadora deve efetuar a coleta de acordo com a técnica descrita no site da Secretária de Saúde e em seguida entrar em contato com o Banco de Leite mais próximo de sua casa. Caso a doadora não possa levar, também pode solicitar e agendar a coleta do leita pelo Disque 160, opção 4.


Fotos: Elza Fiuza (Agência Brasil)


Fonte: Portal Agência Brasil

Cinco motivos - bons e ruins - que explicam sucesso do Brasil no esporte paralímpico

Talentos como Daniel Dias foram descobertos por associações de amparo ao deficiente


Se na Olimpíada do Rio o Brasil lamentou não ter conseguido um inédito lugar entre as 10 nações mais ganhadoras de medalha, esse cenário é impensável no esporte para pessoas com deficiência. Nas últimas duas Paralimpíadas, a delegação brasileira não apenas marcou presença no Top 10 como deixou para trás países como a Alemanha, que nos Jogos Olímpicos invariavelmente fica à frente do Brasil.

Mas o que explica esse sucesso, que o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) sonha ver expressado por um quinto lugar na Rio 2016?

É comum atribuí-lo à maior distribuição de medalhas pela Paralimpíada, que realiza diversas versões da mesma prova para atender aos atletas de diferentes tipos de deficiência. Tal argumento, porém, esbarra no fato de que países com mais tradição e recursos poderiam simplesmente dominar o excedente de pódios.

Os fatores determinantes do sucesso brasileiro são positivos - e alguns, tristes: passam tanto por políticas esportivas acertadas como por uma espécie de efeito colateral de problemas enfrentados pelos setores da população com alguma deficiência, passando até pela violência no trânsito.


1. Oferta populacional

Se não é garantia imediata de que vai ganhar jogo - basta ver a história modesta da Índia em Jogos Olímpicos e Paralímpicos -, um país com uma população grande tem, em tese, mais chance de encontrar talentos.

De acordo com as mais recentes estatísticas do IBGE, o Brasil tem mais de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, o que representa mais, por exemplo, que a população inteira de países como o Canadá e a Argentina.

"Estamos falando mais do que de um manancial de possíveis talentos, mas da importância que o esporte paralímpico pode ter para esse segmento significativo da população brasileira", explica o presidente do CPB, Andrew Parsons.

Desemprego no Brasil é assustador entre pessoas com deficiência


2. Desemprego

Mais de 50% da população deficiente ativa do Brasil está fora do mercado de trabalho formal, de acordo com informações do Ministério do Trabalho. Isso tornou o esporte ainda mais atraente para as pessoas com deficiência como alternativa de carreira viável. Ainda mais a partir de 2009, quando o Rio foi escolhido sede olímpica e paralímpica para 2016.

De acordo com números do CPB, 67% dos atletas paralímpicos brasileiros vivem exclusivamente do esporte, ainda que quase 60% do contingente receba até dois salários mínimos.


3. Investimento

Embora não chegue perto das verbas destinadas ao esporte olímpico, o esporte paralímpico brasileiro registrou um aumento considerável de investimentos nos últimos ciclos - para os Jogos do Rio por exemplo, o investimento beirou R$ 400 milhões. Não coincidentemente, a participação brasileira nas Paralimpíadas melhorou na mesma proporção.

Depois de obterem 21 medalhas em Atlanta 1996, os brasileiros terminaram os Jogos Paralímpicos de Londres, há quatro anos, com 43, sendo que o número de ouros pulou de dois para 21. A Lei Piva, que destina recursos da loteria para o esporte olímpico, hoje dá ao CPB uma fatia mais de duas vezes maior que a previsto em 2000, quando entrou em vigor.

Anteriormente, o esporte olímpico recebia 85% da verba. Hoje, recebe 63%.


4. Preparação

O CPB apostou na ciência para buscar o aumento de pódios obtidos pelos atletas brasileiros. Equipamentos de alta tecnologia desenvolvidos em parceria com laboratórios especializados e novos métodos de treinamento têm feito cada vez mais parte da preparação dos talentos paralímpicos, em áreas que incluem a nutrição e a psicologia.

Em 2012, quando o velocista sul-africano Oscar Pistorius insinou que o brasileiro Alan Fonteles teria usado próteses longas demais para vencê-lo nos 200 m livres para amputados na Paralimpíada de Londres, o corpo técnico da delegação brasileira forneceu um verdadeiro tratado científico desmontando o argumento de Pistorius.

Acidentes de trânsito afetam a maioria dos jogadores das equipes de vôlei sentado do Brasil


A realização de competições paralímpicas escolares tem ajudado o CPB a revelar talentos. Mas o trabalho pioneiro de associações para dificientes no Brasil, como a Andef, em Niterói (RJ), e a ADD, em São Paulo, ainda é muito importante para a descoberta de potenciais campeões.

Foram instrutores de natação da ADD, por exemplo, que enxergaram potencial em um jovem com má formação nos braços. Daniel Dias hoje é o mais vitorioso paratleta brasileiro - sem contar com a Rio 2016, conta com 10 ouros, quatro pratas e um bronze em Paralimpíadas.


5. Tragédias no trânsito

No pedágio da Ponte Rio-Niterói, um imenso cartaz celebra, durante o período olímpico, o patrocínio da Ecorodovias, o grupo que administra um dos cartões postais do Rio, à Confederação Brasileira de Vôlei para Deficientes (CBVD).

Para alguns observadores, há uma triste ironia neste patrocínio, já que a maioria dos 24 atletas masculinos e femininos de vôlei levados pelo Brasil para a Rio 2016 são vítimas de acidentes de trânsito. No geral, praticamente um em cada cinco atletas da delegação brasileira ficou deficiente por causa de colisões ou atropelamentos. O Brasil é um dos cinco países que mais matam no trânsito, tendo registrado mais de 43 mil mortes em 2014.

"Em 12 anos de trabalho com o vôlei sentado, vi que o esporte foi a melhor ferramenta de reinserção dessas pessoas em uma vida normal após o acidente. Jogar acelera bastante a recuperação dessas pessoas, inclusive no resgate da autoestima", explica o presidente da CBVD, Amauri Ribeiro.


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

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