terça-feira, 15 de agosto de 2017

Escravidão é hoje 30 vezes mais lucrativa do que nos séculos 18 e 19, diz estudo


Um estudo realizado por um economista da Universidade de Harvard (EUA) indicou que a escravidão humana na atualidade é muito mais lucrativa do que àquela praticada nos séculos 18 e 19, com o uso de pessoas do Continente Africano.

Conduzido pelo norte-americano Siddharth Kara, o trabalho apontou que os exploradores de hoje do trabalho escravo lucram entre 25 e 30 vezes mais do que aqueles traficantes de pessoas dos séculos passados, em um negócio anual de US$ 150 bilhões.

Os detalhes do estudo foram publicados nesta segunda-feira pelo jornal britânico The Guardian e tomam por base o trabalho do economista para o livro Modern Slavery (Escravidão Moderna, em tradução livre), que será publicado nos EUA em outubro.

Kara buscou dados de 51 países e, ao longo de 15 anos, compilou a sua pesquisa. Ele ainda ouviu durante o trabalho mais de 5.000 vítimas do trabalho escravo.

“A escravidão hoje é mais rentável do que eu poderia ter imaginado”, afirmou o economista à publicação. Segundo os seus cálculos, o lucro gerado por um escravo ao seu explorador atinge US$ 3.978 (quase R$ 12,5 mil). Quando a exploração é sexual, o lucro é 10 vezes esse valor, podendo chegar a US$ 36 mil (R$ 112,6 mil).

O montante gerado com a escravidão moderna para fins sexuais corresponde à metade do total gerado pelo crime na atualidade, embora esse tipo de exploração responda por 5% das vítimas de trabalho escravo no século 21.

“A vida humana se tornou mais descartável do que nunca […]. A ineficiência da resposta global à escravidão moderna permite que essa prática continue existindo. A não ser que a escravidão humana seja entendida como uma forma cara e arriscada de exploração do trabalho alheio, essa realidade não vai mudar”, avaliou Kara.

De acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ao menos 21 milhões de pessoas pelo mundo são exploradas em algum modelo de escravidão moderna. Conflitos bélicos e fluxos migratórios possuem papel importante nesse processo, segundo especialistas.


Fonte: Jornal Sputnik News (Rússia)

Lucrativa, escravidão moderna está em crescendo na Europa, aponta pesquisa

Foto: Emilio Morenatti (AP Photo)

O risco da escravidão moderna cresceu em 20 dos 27 países que integram a União Europeia, segundo dados divulgados nesta semana por uma pesquisa intitulada Modern Slavery Index 2017 (Índice de Escravidão Moderna 2017, em tradução livre).

Produzido pela companhia de análise de risco Verisk Maplecroft, o levantamento apontou que os maiores riscos de aumento do trabalho escravo na Europa se encontram em cinco países: Itália, Romênia, Grécia, Bulgária e Chipre.

Coincidentemente, esses cinco países já são conhecidos como as principais rotas de entrada de imigrantes no Velho Continente. E esses fluxos migratórios são formados, majoritariamente, por pessoas vulneráveis e propensas a serem exploradas.
“A crise dos migrantes aumentou o risco de incidentes de escravidão aparecendo nas cadeias de fornecimento da empresa em toda a Europa”, afirmou Sam Haynes, analista sênior de direitos humanos da Verisk Maplecroft.

De acordo com Alexandra Channer, analista de Direitos Humanos da empresa responsável pela pesquisa, a vulnerabilidade dos imigrantes já começa do seu ponto de origem, “geralmente estão fugindo de países de violência e pobreza extrema”, disse ela à rede de TV norte-americana CNN.
“Geralmente eles [imigrantes] estão chegando nas mãos de contrabandistas de pessoas e, em seguida, rapidamente estão presos nas mãos de bandos de tráfico. As chances são de que, antes mesmo de entrar no local de trabalho, eles já estão em condições de escravidão moderna”, completou.

Fora da Europa, o pior cenário de queda no incide foi encontrado na Turquia, que recebe o maior contingente mundial de refugiados sírios. Na Ásia, países conhecidos pela farta oferta de mão de obra barata – Bangladesh, China, Índia, Indonésia, Malásia, Myanmar, Filipinas, e Tailândia também aparecem mal avaliados.

Já o top 10 do levantamento é liderado pela Coreia do Norte, nação que é seguida pelos seguintes países: Síria, Sudão do Sul, Iêmen, República Democrática do Congo, Sudão, Irã, Líbia, Eritréia e Turquemenistão.


O que é escravidão moderna

Definindo a escravidão moderna como um “termo guarda-chuva para escravidão, servidão, tráfico de pessoas e trabalho forçado ou compulsório”, o índice mede a força das leis, a eficácia da aplicação da lei e a gravidade das violações em 198 países pelo mundo.

O relatório apontou que 60% do total de países classificados na categoria “alto” ou “risco extremo”.

Segundo os responsáveis pelo trabalho, a ideia é que empresas usem o índice anual para identificar onde o risco da escravidão moderna é maior em suas operações comerciais e cadeias de suprimentos, para que eles possam orientar melhor seus recursos e esforços para evitar a exploração.

“Já não são apenas os hotspots de abastecimento tradicionais nas economias emergentes em que as empresas devem prestar atenção quando o risco avaliar seus fornecedores e as commodities que eles fornecem”, esclareceu Haynes.


Fonte: Jornal Sputnik News (Rússia)

Artigo - O brasileiro acha chique visitar Paris, Roma, Berlim, mas a Europa é, em essência, tudo o que a classe média odeia



Por: Ivana Ebel*


Tenho passado boas horas no Youtube, recentemente, acompanhando vídeos de brasileiros que foram morar em outros países. Tenho feito isso para entender mais da ferramenta, dos bordões, do que faz um canal ter sucesso ou não. Entenda como pesquisa de mercado, se quiser.

Nessa aventura pelo pensamento do brasileiro imigrante, todos falam de sua vida e, inevitavelmente, acabam comparando o que encontram quando voltam ao Brasil com o que vivenciam do lado de cá. Em todos os vídeos que abordam o tema, o principal espanto é o machismo, o racismo, a homofobia e o desrespeito pelo próximo no Brasil.

Viver em uma sociedade com valores diferentes faz com que brasileiros de todas as classes, credos e origens, que tiveram a chance de sair do país, consigam ver que os problemas do Brasil vão muito além da política e da economia, mas que têm uma direta conexão com ela. Aqui fora, fica mais evidente que o sonho de muito brasileiro de classe média pode ser morar na Europa, mas que o que a Europa representa (e se esforça para ser), em geral, é o resumo de tudo o que o brasileiro médio detesta. Não me ententa mal aqui: não se trata de colonialismo. Já explico.

Hoje, caí na besteira de ler os comentários em uma matéria que falava sobre a redução do bolsa família e teve quem chamou o momento político do país de “golpe de sorte”, por que “agora esses vagabundos vão ter que parar de fazer filho sustentados pelo dinheiro do cidadão de bem e terão que trabalhar”. No entanto, na Europa, os países com maior sucesso econômico são justo aqueles que têm os mais abrangentes planos de distribuição de renda.

Enquanto o brasileiro médio sonha com Paris, Roma, Berlim e o Bolsonaro, mais países europeus avançam em debates sobre a liberação das drogas e a regulamentação da prostituição, como já faz a Holanda. Aborto é um direito conquistado, debates de gênero são estimulados dentro das mais renomadas instituições de ensino. O estado é (quase sempre) laico. Ninguém tem armas e nem pensa em sua liberação. Serviços de limpeza doméstica tem que respeitar o valor mínimo por hora, assim como os profissionais que cuidam de crianças, dos jardins ou que trabalham em bares e restaurantes. Existe diferença social? Infelizmente existe, mas é muito, muito menor do que se vê no Brasil.

O ensino gratuito – ou financiado pelo governo em forma de empréstimo estudantil – permite que cada vez mais famílias tenham seus integrantes com diploma superior. No entanto, não é preciso ter uma profissão com formação universitária para conquistar uma vida digna. Mas é preciso saber que uma vida digna, por aqui, é para todos e não inclui escravos domésticos: cada um limpa seu banheiro, cuida do quintal e vai de transporte coletivo ou de bicicleta, usando ciclovias, de um lado para o outro. Por aqui, “piadas” racistas não são aceitas, igualdade de gênero é assunto sério, homofobia é crime. É perfeito? Não. E está longe de ser, especialmente em relação a etnias minoritárias, refugiados e parcelas mais vulneráveis da socidade. Mas não é tão ruim como no Brasil.

Foi isso que os youtubers perceberam. No geral, é isso que se sente: no velho mundo há uma certa maturidade de valores, há mais respeito, há acesso a renda mínima, saúde e educação. O estado é mais paternalista, quando se trata do bem estar social. E isso faz a diferança. A classe média brasileira, que chama bolsa família de bolsa esmola, que acredita no Bolsomito, aspira grandeza e acha chiquérrimo ir para Paris, Roma ou Berlim. Mas a “Europa Mágica” da viagem de férias é, em essência, tudo o que essa gente mais odeia dentro de casa.


* A autora é jornalista, doutora em Ciências Midiáticas e da Comunicação, professora universitária e pesquisadora.


Fonte: Blog Hoje Tem Textão

Obama enfrenta racistas da Virgínia com frase histórica de Mandela


Um grupo de supremacistas brancos se manifestou neste sábado em Charlottesville (Virgínia, Estados Unidos). Um dos racistas atropelou com seu carro um grupo de manifestantes antifascistas, matando uma mulher. Além disso, dois policiais que participavam das buscas ao agressor faleceram posteriormente na queda do seu helicóptero nos subúrbios da cidade.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu com uma condenação genérica da violência cometida por "muitas partes", além de equiparar os neonazistas ao resto dos manifestantes. Já seu antecessor no cargo, Barack Obama, abordou a situação de outra forma. Tuitou uma das frases mais famosas do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela. Em poucas horas, o tuíte principal com a citação já foi reproduzido mais de 450.000 vezes. Abaixo dos tuítes há a tradução ao português.



“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, por sua origem ou sua religião. As pessoas têm que aprender a odiar, e se elas podem aprender a odiar também se pode ensiná-las a amar. O amor chega mais naturalmente ao coração humano que o seu contrário.”

Essa frase de Mandela procede da sua autobiografia Long Walk to Freedom, traduzida ao português como Um Longo Caminho para a Liberdade (editora Planeta). Segundo o site da Fundação Nelson Mandela, o líder da luta contra o apartheid começou a escrever essas memórias na prisão de Robben Island em 1976, onde se encontrava preso por causa da sua atividade contra o regime de segregação racial que durou de 1949 a 1992. Ele redigiu essas memórias por sugestão do também ativista Ahmed Kathrada, com a intenção de que outro companheiro, Mac Maharaj, tirasse o texto da penitenciária.

Escrevia cerca de 10 páginas por noite, e as entregava a outros presos políticos para que as revisassem e escondessem. “Depois, foi transcrito com letras pequenas, para que ocupasse o menor espaço possível. Foi escondido em um compartimento secreto da prisão”, informa a Fundação Mandela. A versão original foi escondida na biblioteca, com a ajuda de outro prisioneiro.

Depois de muitas idas e vindas, Maharaj escapou das autoridades sul-africanas e levou o manuscrito a Londres. Enquanto isso, os funcionários de Robben Island encontraram uma versão escondida e complicaram ainda mais a situação do encarcerado Mandela. Só vários anos depois, já livre, ele terminaria o texto. Ao todo, Mandela esteve na prisão durante 27 anos, de 1963 a 1990. Em dezembro de 1994, publicou o livro que inclui a frase compartilhada por Obama no Twitter.


Mais reações em redes sociais

Além do tuíte de Obama, houve várias outras reações ao atentado de Charlottesville nas redes sociais. Uma das mais destacadas é outra citação, esta de John Fitzgerald Kennedy, relembrada pelo escritor Larry Sabato. Com as palavras do ex-presidente norte-americano ele aparentemente critica a equidistância de Trump em relação a todos os manifestantes. A frase de Kennedy, na verdade, parafraseava outra citação famosa, do italiano Dante Alighieri.

Essa série de postagens do Twitter, em que um usuário desmonta passo a passo os argumentos dos supremacistas brancos, também teve grande repercussão na rede social. “Ninguém tenta legislar para retirar seu próprio direito de se casar, nunca escravizaram seus avós, ninguém encarcerou seus pais, não são proibidos de viajar por causa da sua religião, e suas igrejas nunca foram queimadas....”, afirma Sabato.

Tudo isso vai depois da seguinte frase: “Imaginem se estas pessoas enfrentassem a opressão".

"Minha cita favorita de JFK: 'Os locais mais calorosos do inferno estão reservados para aqueles que, em tempos de grandes crises morais, se mantêm na neutralidade' "



Fonte: Jornal El País (Espanha)

Falta de Q.I.? Como 'quem indica' baixo trava ascensão de negros

Marisa Bastos Teixeira em reunião na agência governamental onde trabalha; ela entrou no mercado de trabalho graças às conexões iniciadas por uma tia costureira


Gerente de comunicação de uma agência governamental em Brasília, Marisa Bastos Teixeira costuma participar de reuniões de diretoria da empresa e ser a única executiva negra entre seus pares. Para ela, foi assim desde o início da carreira, nos anos 1990.

"Como executiva no Brasil tenho a impressão de estar trabalhando na Suécia ou Dinamarca. Nas empresas, os chefes e diretores costumam ser brancos, e diversidade, quando há, você só vê em escalões mais baixos", afirma.

Marisa é uma das exceções que compõem as estatísticas do mundo corporativo no Brasil. Pesquisa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Instituto Ethos lançada em 2016 aponta que somente 4,7% dos cargos executivos são ocupados por profissionais negros, contra 94,2% de brancos.

A disparidade existe em outros escalões. Entre funcionários acima apenas de estagiários e trainees, o número de brancos é de 62,8% e de negros, 35,7%. Já 72,2% dos cargos de supervisão são ocupados por profissionais brancosos, e 25,9% por negros.

Esses números estão distantes da realidade da sociedade brasileira, em que 55,4% das pessoas (ou 113 milhões de brasileiros) se declararam pretos ou pardos, segundo a mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

Muito se fala do papel do racismo ou da desigualdade na educação para justificar essa disparidade. Porém, especialistas apontam que a ausência de uma rede de contatos - formada principalmente por conhecidos em posição de influência - pode ser determinante para que uma pessoa negra consiga do primeiro emprego a uma promoção.

É o tio que indica para um estágio, o amigo da escola que hoje é chefe e ajuda seu filho ou a informação sobre uma vaga de diretor da multinacional que só chegou a você naquele bate-papo com um ex-colega de MBA. São relações de ajuda mútua que podem beneficiar gerações.

"Os negros têm menos acesso a redes de contato ou a um capital social influente para subirem na carreira. E em uma sociedade como a nossa isso é fundamental para uma indicação a um posto de comando", afirma Emerson Rocha, doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB).


Atalho para o topo

Na prática, significa dizer que negros e brancos com a mesma experiência podem ter desempenhos diferentes na hora de subir na carreira. Quem tem um bom capital social consegue mais rápido.

Foi assim com a gerente Marisa. Ela lembra que começou ainda na infância sua rede de contatos com pessoas que poderiam influenciar sua carreira de forma positiva.

Filha de mãe costureira e pai pintor de carros, ela cresceu entre Humaitá e Glória, bairros de classe média do Rio de Janeiro. Os pais optaram em morar na zona sul, em uma quitinete, para ficarem mais perto dos clientes.

Marisa passou a ter crianças de classe média como vizinhos e colegas de escola. "Sempre convivi com pessoas de nível social mais alto do que o meu. E o curioso é que eu tinha a exata dimensão do fosso que separava pessoas brancas de negras. Na zona sul, eu habitava um mundo branco. Mas ao subir o morro para os ensaios da escola de samba São Clemente, pertinho dali, eu me encontrava com muitas pessoas como eu", relembra. "E a realidade delas era muito diferente."

Formada em uma universidade privada em Botafogo, Marisa conseguiu o primeiro emprego como jornalista graças a uma tia costureira que tinha entre seus clientes pessoas influentes da alta sociedade carioca.

Um dia, a tia chamou Marisa para ir ao lançamento de um livro. Foi a contragosto, mas lá foi apresentada a várias personalidades, e disso surgiu a vaga de estágio em uma rádio. Marisa saiu de lá 13 anos depois, como repórter especial e coordenadora de cobertura de eventos especiais, como o carnaval na Sapucaí.

"Depois dessa experiência, saí com um networking poderoso. Fui indicada para trabalhar como jornalista e apresentadora de TV, dividi bancada com comunicadores famosos, fui gerente em várias empresas públicas e privadas, tive uma empresa de comunicação com uma vasta carteira de clientes, trabalhei no comitê de candidatura dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio e lá conheci o executivo que viria a me indicar para a vaga que ocupo hoje", conta.

"Com isso, já são vários anos como coordenadora, gestora ou gerente. Além de minha capacidade técnica, acredito que estar perto das pessoas certas e ser indicada por elas foi fundamental para que eu chegasse aqui."


Capital social

O sociólogo Emerson Rocha afirma que para ser bem-sucedido na carreira, o indivíduo depende de capitais pessoais, como o econômico, o cultural e o social.

"O econômico refere-se ao dinheiro que você dispõe para custear sua sobrevivência e educação. O cultural vem da origem da família e o quanto ela influencia o próprio indivíduo - por exemplo, o fato de os pais terem curso superior aumenta a chance de seu filho também vir a ter", diz.

"Conviver com colegas e parentes na mesma situação também favorece. Agora, quando se é pobre, é bem provável que você conheça mais pessoas pobres, fazendo seu capital social ficar restrito a esse grupo. Assim, ao não ter uma rede social de recursos para acessar, você acaba ficando distante de boas oportunidades, como ocupar um cargo de gerência."

Para incrementar o capital social, existem meios democráticos, como o ingresso em universidades públicas, onde é possível "travar contato e conhecimento com uma série de pessoas de classe média, média alta e até alta, e isso é uma boa oportunidade para formar capital social através dessas interações", afirma Rocha.

Capital social escasso afeta negros e brancos. A diferença, para Rocha, é que, em primeiro lugar, há muito mais negros entre os pobres. Numericamente, esses são mais afetados, pois representam três quartos da população menos favorecida, segundo o Instituto Econômico de Pesquisa Aplicada (Ipea). Ou seja, em cada quatro pobres, três são negros.

"Razões históricas como a escravidão explicam esse fosso. Os negros de hoje têm como antepassados gerações de pessoas que foram legal e institucionalmente discriminadas. Como se pode competir com o capital social de um branco que não passou por isso?", questiona.

Outro motivo, segundo o pesquisador, é que há fatores subjetivos cruciais para a formação de uma rede de capital social. Por exemplo, quando uma pessoa se aproxima de alguém, muitas vezes especula quais são as amizades - e oportunidades - que ela pode obter ao se conectar àquela pessoa.

"É a base da lógica do networking. E, por já chegar ao mercado de trabalho com pouco capital social, o negro fica em grande desvantagem para fortalecer sua rede. O preconceito sugere que, com um negro, se está diante de alguém com baixo capital social", afirma Rocha.


Inclusão

Para aumentar o número de executivos negros em seus quadros e, por consequência, ampliar o capital social de seus funcionários, cabe às empresas ficarem mais atentas à falta de diversidade, implantando políticas de maior inclusão de profissionais negros.

A pesquisa do BID e do Ethos mostra que as organizações entrevistadas buscam promover a inclusão de diversos grupos em desvantagem. Porém, enquanto 41% têm políticas para pessoas com deficiência, 28% incluem as mulheres e apenas 8% têm ações afirmativas para negros.

"A grande desculpa das empresas é dizer que não conseguem equilibrar a diversidade porque não se acha negros no LinkedIn formados nas melhores universidades do país ou que falem inglês", afirma Alexandra Loras, ex-consulesa da França e hoje CEO da Protagonizo, empresa de headhunting especializada em colocar no mercado profissionais negros com altas aptidões.

A Protagonizo reúne o cadastro de mais de 2 mil profissionais negros com nível superior e pós-graduação, formados nas melhores universidades do país e no exterior, e que falam até quatro idiomas.

"Percebi que esses talentos negros com alto potencial sempre existiram. Só que as empresas não conseguem acessá-los porque dentro de seus quadros de RH têm pessoas brancas que não conhecem as ações e movimentos de pessoas negras. E mais: as pesquisas mostram que é muito natural e visceral que um branco escolha outro branco que, por exemplo, tenha estudado na mesma universidade de prestígio. Daí a ideia de me tornar headhunter para aumentar a presença da participação de negros no mercado de trabalho no Brasil", afirma Loras.

"Até hoje as empresas só tiveram homens brancos vindos de universidades de elite exercendo cargos de executivos. É claro que eles não conseguem falar com o verdadeiro público brasileiro, que é formado em sua maioria por negros e mulheres. E isso é uma grande perda de dinheiro", explica.

A jornalista soteropolitana Monique Evelle, que aos 22 anos já foi eleita como uma das 25 mulheres negras mais influentes da internet, é outra empreendedora que viu na diversidade a chance de aumentar o número de profissionais negros altamente qualificados no mercado de trabalho.

Idealizadora do projeto Desabafo e dona da Evelle Consultoria, ela ajuda empresas que desejam não só diversificar seus quadros, como também implantar a cultura de direitos humanos. Para ela, é preciso desconstruir o imaginário social que acredita que apenas uma única vaga ocupada por um negro em algum lugar de destaque prova que o racismo no Brasil não existe.

"A gente não está no mercado apenas para brigar por inclusão, porque, ao falar só disso, a gente continuará exercendo cargos subalternos", opina.

"Nossa tentativa é fazer com que pessoas negras exerçam cargos de liderança e de gestão de forma proporcional às pessoas brancas. Não é porque uma organização tem entre seus executivos um único negro ou gay ou mulher que significa que esteja fazendo diversidade ou sendo amiga das minorias. É preciso haver proporcionalidade. Isso, sim, faz a grande diferença."

Emerson Rocha vai além. "É claro que abrir-se para a diversidade não é uma questão de contratar uma pessoa desqualificada só porque é negra. Não é isso. É você contratar uma pessoa negra qualificada para aquele cargo. Com certeza, ela virá com gana de vencer, de agregar e, melhor, de produzir novos capitais sociais que podem ajudar na entrada de mais profissionais negros entre cargos de gerência no Brasil."


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

Artigo - 5 jeitos de desconstruir a criação machista dos filhos

Jovens pais leem histórias para e com seus filhos.


Por: Vivian Jordão*


"A mulher pode ser definida como um homem inferior."

"Se o homem dissesse uma coisa e a mulher outra, a vida seria uma desgraça. Só o homem deve dizer algo, e a mulher se dispor a fazê-lo."

"Além de casar, o que a mulher mais gosta é de ser enganada de vez em quando."

Frases como essas são proferidas o tempo inteiro pelos homens da nossa sociedade. Você poderia dizer que são homens ignorantes, sem estudo, certo? Errado. A primeira frase foi proferida por Aristóteles, filósofo grego e um dos maiores pensadores de todos os tempos. Então você poderia dizer que são frases ditas por homens afastados da espiritualidade, certo? Errado. O autor da segunda frase é ninguém menos do que Mahatma Gandhi. Então são frases ditas apenas por homens, ponto. Certo? Errado. A última frase pertence à autora Jane Austen.

Comportamentos machistas são fruto da construção da identidade feminina e masculina ao longo da História da humanidade. Especialista em saúde da mulher, a professora da USP Rosa Maria Fonseca, explica em artigo esse processo:
"Ao que indicam os estudos sociológicos e antropológicos, foi na sociedade de caça aos grandes animais que se iniciou a supremacia masculina."

Isso porque enquanto os homens saíam para caçar, as mulheres ficavam "em casa" cuidando dos filhos.

Fonseca ainda destaca que "é provável que a dominação masculina tenha tido uma origem lenta e gradual e tenha transformado as relações entre homens e mulheres à medida que a divisão sexual do trabalho os separava cada vez mais".

Hoje em dia, muitos pais e mães reforçam comportamentos machistas na criação de seus filhos, repetindo o modo como foram educados. Estimulam hábitos e pronunciam frases que vão naturalizando nas crianças a repetição desse padrão.

"Isso é coisa de menininha", "esse aí vai dar trabalho, vai ser pegador", "menina tem que ajudar a mãe a cuidar da casa" e muitas outras frases que já estão enraizadas na nossa cultura, fazem parte do cotidiano de muitas crianças, que vão introjetando e repetindo essa conduta.

Em consequência dessas atitudes dos pais, muitos meninos crescem achando normal objetificar mulheres e muitas meninas crescem achando normal serem objetificadas. A naturalização desse comportamento machista, autorizado e ensinado pelos próprios pais, é um dos principais motivadores da violência contra a mulher. De acordo com o Mapa da Violência 2015, foram 4.762 mortes de mulheres no Brasil, em 2013, o que equivale a 13 homicídios diários, pelo simples fato de ser mulher.

A Organização Mundial da Saúde coloca o Brasil em 5°lugar entre os países que mais matam mulheres, com uma taxa de 4,8 homicídios por 100 mil mulheres. Para protegê-las dessas estatísticas, autoridades vêm desenvolvendo campanhas e políticas públicas. Em março de 2015 foi sancionada a Lei do Feminicídio. É considerado feminicídio o assassinato em que há violência doméstica e familiar ou quando há evidência de menosprezo ou discriminação à condição de mulher, caracterizando crime por razões de condição do sexo feminino.

A Plan Brasil, ONG que defende os direitos das crianças, jovens e adolescentes, realizou uma pesquisa com 1.771 meninas de seis a 14 anos em todas as regiões do Brasil e descobriu a disparidade entre a distribuição das tarefas domésticas entre meninos e meninas. Enquanto 81,4% das meninas arrumam suas camas, apenas 11,6% dos meninos realizam essa tarefa. Entre as meninas, 76,8% lavam a louça e 65,6% limpam a casa. Já entre os meninos, 12,5% lavam a louça e 11,4% limpam a casa. Outra tarefa predominantemente destinada às meninas é a de cuidar dos seus irmãos: 34,6% são responsáveis por essa função, contra 10% dos meninos.

Para confrontar esses padrões, o HuffPost Brasil lista para os pais cinco modos de desconstruir a criação machista das crianças:


1. Órgão genital não lava louça

A pedagoga e educadora sexual Caroline Arcari enfatiza que "não precisa do órgão genital para fazer tarefas domésticas". Ela desenvolve projetos para crianças e adolescentes com o objetivo de desconstruir o estereótipo da princesa submissa e do herói agressivo e dominador. Arcari enfatiza a importância de não segmentar atividades e brincadeiras entre "coisas de menino" e "coisas de menina". Segundo a pedagoga, é importante deixar que os meninos desenvolvam empatia, sensibilidade e permiti-los chorar, assim como deixar a menina jogar futebol, porque fortifica a personalidade delas em direção à igualdade.

2. Ele pode brincar de boneca, sim

Arcari ressalta que "muitas vezes, os meninos têm vontade de brincar com boneca, mas não brincam, porque isso seria reprovado pelo grupo de colegas da mesma faixa etária e também pelos adultos. Então, ao longo dos anos, eles vão tomando esses espaços, que não são espaços saudáveis".

Já a blogueira Pâmela Ghilardi, do blog Fofoca de Mãe, ensina seu filho Luca, de 5 anos, a brincar e realizar tarefas sem distinção de sexo. "O meu filho brinca de Barbie e de Hello Kitty, assim como ele brinca de super-herói e carrinho. Outro dia, ele queria uma cozinha de brinquedo e só tinha na cor rosa. O pai falou que não ia deixar e tive que convencê-lo", conta.

Conforme explica o psicólogo infantil Ricardo Gonzaga, "as crianças só vêem um brinquedo, os adultos que atribuem significado de diferenciação das brincadeiras por sexo. As crianças não vêem maldade nenhuma no brincar; elas não têm malícia". Por sua vez, os adultos estão o tempo todo repreendendo as crianças por explorarem brinquedos que não consideram apropriados para seu sexo.

Pâmela enfrenta situações do dia a dia em que precisa explicar para os adultos sobre o jeito de educar seu filho. Numa festa de aniversário, Luca juntou-se às amigas gêmeas para brincar de boneca, quando sua madrinha disse que não podia deixar, que menino tem que brincar de carrinho. "Eu disse: estou ensinando ele a cuidar de um bebê no futuro, a ser um bom pai, não tem nada de errado nisso".

3. A liberdade de experimentar o mundo

Pâmela é uma mãe na contramão da educação machista normalmente praticada pelos pais. Ela sempre se depara com situações em que seu filho quer fazer "coisa de menina". E ela deixa.

"Esses dias, eu estava me maquiando e ele me pediu para passar batom... Eu deixei, mas disse que só um pouquinho e só de vez em quando, porque não acho bacana criança usar maquiagem, mas não por achar que é coisa de menina".

Mas e se quando ele for adulto ele quiser passar batom? "Se quando ele for adulto, ele quiser usar batom ou maquiagem, não tem problema nenhum. O futuro dele, ele que vai decidir, quando ele for maior".

4. As 'coisas de menina' ou 'coisas de menino'

Muitos pais acreditam que permitir os meninos fazerem 'coisas de menina' ou meninas fazerem 'coisas de menino', pode tornar seus filhos homossexuais. O psicólogo Ricardo Gonzaga explica que isso não acontece: "As brincadeiras, tarefas ou estilo de roupa não influenciam em nada na sexualidade das crianças. Ou elas são homossexuais ou não são. E isso não é devido a nenhuma interferência externa".

Quando Pâmela não permite que Luca realize alguma atividade feminina, não é por motivo de machismo:
"Estava pintando as minhas unhas e ele pediu para pintar as dele. Ao invés de eu dizer 'não pode, porque isso é coisa de menina', eu disse 'não pode, porque isso não é coisa de criança'. Eu tirei do lado machista e coloquei para o lado de ser coisa de adulto, porque é nisso que acredito,"

5. Amor e violência não andam juntos

É preciso ficar atento à criação dos filhos, tanto em casa, quanto na escola. Por mais que os pais sejam bem intencionados, pode escapar o reforço de algum padrão machista, como aconteceu com a pedagoga Arcari: "Eu mesma já falei para uma aluna minha, que veio reclamar do colega, que quando o menino puxa o cabelo é porque está apaixonado. Quando a gente fala isso para a menina, a gente está ensinando que violência e amor podem andar juntos".

Menina pode brincar de luta, de carrinho e de super-herói. Menino pode brincar de boneca, pode colocar vestido e ver filme de princesa. Isso torna seus filhos humanos e lhes ensina a ter empatia com qualquer pessoa, independentemente do gênero dela.


* Vivian Jordão é Graduada em Letras, formanda em Jornalismo e estagiária do HuffPost Brasil.


Fonte: Jornal HuffPost Brasil - The Huffington Post (EUA)

A justiça fecha os olhos diante do drama do aborto na América Latina

Foto: Alberto Ortiz (EFE)
Manifestantes em Buenos Aires pedem a libertação de Belén, que em 2016 estava presa havia mais de dois anos por abortar.


O aborto continua sendo um dos grandes tabus na América Latina. A interrupção da gravidez é tipificada como crime em quase todas as legislações nacionais, e sua recente despenalização no Chile sob três hipóteses (risco de vida para a gestante, inviabilidade fetal e estupro) não reabriu o debate em outros países. Mas o abismo entre a lei e a realidade continua dramaticamente presente. Na região do mundo com maior percentagem de gestações não planejadas (56%), segundo a ONU, a cada ano centenas de milhares de mulheres abortam de forma clandestina, e as complicações decorrentes dessas intervenções representam uma das principais causas de mortalidade materna – 67 mortes por cada 100.000 nascidos vivos, segundo a CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, um órgão da ONU).

O número de abortos ilegais anuais só pode ser estimado a partir de dados extraoficiais, dada a ausência de estatísticas governamentais, mas claramente superam os dois milhões, somando apenas os dados do Brasil (um milhão de abortos, pelo menos), Argentina (500.000), Colômbia (400.000) e Chile (160.000).

A América Latina domina a lista mundial de países onde vigora a proibição absoluta de abortar em qualquer hipótese – casos da Nicarágua, Honduras, El Salvador e República Dominicana, além do Haiti e três pequenos Estados europeus (Malta, Andorra e o Vaticano). No extremo oposto se encontram aqueles onde a prática é legal: Uruguai, Cuba, Porto Rico e a capital do México. As demais nações proíbem a interrupção da gestação, mas com uma despenalização parcial. As três exceções mais generalizadas são as condições agora aprovadas no Chile e que equipararam o país a lei brasileira: se a gravidez colocar em risco a vida ou a saúde da mulher, se for fruto de violência sexual e se o feto for inviável. Entretanto, são frequentes os obstáculos burocráticos que levam a superar os prazos legais que todas as normativas estabelecem (o número de semanas de gestação) e impedem que as mulheres exerçam seu direito ao aborto legal. Um caso paradigmático é o da Colômbia, onde essas barreiras vão da recusa a prestar atendimento à prática de encaminhar a grávida para vários centros de saúde, a exigência do pronunciamento de juntas médicas e a possibilidade de os médicos alegarem objeção de consciência. O mesmo ocorre em partes do México, Brasil e Argentina.


Mãe aos 11 anos

A situação piora nos países onde o aborto só é permitido se a gravidez ameaçar a vida da mãe, como no Paraguai, uma das nações mais católicas do continente. Em 2015, o caso de Mainumby, de 10 anos, que ficou grávida ao ser estuprada por seu padrasto, desatou uma campanha internacional para que ela pudesse abortar. Foi em vão. A Justiça paraguaia rejeitou essa possibilidade, e a menina se tornou mãe aos 11 anos.

Nos países centro-americanos citados, o aborto não é uma opção nem sequer quando a mulher pode morrer ou foi estuprada. O castigo são elevadas penas de prisão. Em 2012, um tribunal salvadorenho condenou María Teresa Rivera a 40 anos de reclusão por homicídio qualificado, depois de ela abortar na 21ª semana de gestação. Sua sogra a encontrou quase inconsciente, com uma grande hemorragia. O hospital aonde foi levada a denunciou. Seu caso foi muito criticado por organismos de direitos humanos, e em 2016 um tribunal anulou a sentença.

Também na Argentina, a pressão dos movimentos femininos foi crucial para a libertação de Belén, uma jovem que passou quase três anos presa após sofrer um aborto espontâneo em Tucumán, uma das províncias mais conservadoras do país. Embora a Argentina tenha sido pioneira na região em outras conquistas sociais, como casamento homossexual, os sucessivos projetos de legalização apresentados no seu Congresso nos últimos anos foram arquivados. Na semana passada, o aborto entrou na campanha para a eleição legislativa de outubro, sendo taxativamente rejeitado por dois candidatos importantes.

Todas essas proibições e entraves não dissuadem as latino-americanas. Na maioria de nações existe um mercado negro de drogas abortivas e redes de clínicas clandestinas. O medo da Justiça se soma ao da condenação social e da estigmatização. O avanço do Chile é só um pequeno passo num caminho cheio de obstáculos.


Congresso conservador ameaça conquistas no Brasil

O Supremo Tribunal Federal decidiu no final de 2016 que praticar aborto até os três primeiros meses da gestação não é crime. A decisão foi dada a partir de um caso específico, suspendendo a prisão preventiva de cinco pessoas que trabalhavam em uma clínica clandestina de aborto no Rio de Janeiro. Um pequeno passo, simbólico e significativo, para os movimentos feministas que há décadas lutam para fazer valer esse direito no Brasil.

A medida não ficou sem resposta. Na Câmara dos Deputados, parlamentares conservadores se mobilizam para tentar rever a decisão do Supremo. Na manga estão vários projetos que têm como objetivo dificultar o acesso das mulheres aos direitos já estabelecidos, como o Projeto de Lei 5069/13, de autoria do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e outros 12 deputados, que prevê que uma vítima de abuso sexual ou estupro terá que realizar um boletim de ocorrência e fazer um exame de corpo de delito para, só então, ser atendida em uma unidade de saúde. A proposta prevê ainda transformar o aborto e crime hediondo, na contramão de pesquisas mundiais que apontam, porém, que a maioria das mulheres que sofreram abuso não dão queixa na delegacia, por, dentre outras razões, medo do agressor.

O PL 1.465/2013, de autoria da deputada Celina Leão (PPS-DF), determina a apresentação de um "programa de orientação sobre os métodos utilizados para a realização do aborto e suas consequências" à mulher que recorresse ao sistema público de saúde do DF para interromper gravidez decorrente de estupro. Já o PL do Senado (PLS) 461/2016, do senador Pastor Valadares (PDT-RO) altera o Código Penal para considerar aborto a interrupção da vida intrauterina em qualquer estágio da gestação.


Fonte: Jornal El País (Espanha)

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